A canção do Pink Floyd que é amada por fãs e odiada por David Gilmour e Roger Waters
Por Bruce William
Postado em 12 de setembro de 2025
Dentro da discografia do Pink Floyd, poucas músicas geram um antagonismo tão grande entre fãs e músicos quanto a suíte "Atom Heart Mother". Lançada em 1970, a faixa de 20 minutos deu nome ao quinto álbum da banda e representou uma das tentativas mais ousadas do grupo no campo experimental. Misturando orquestra, coral e uma longa estrutura instrumental, ela chamou atenção na época e chegou ao topo das paradas britânicas, mas não deixou boas memórias para os integrantes.
David Gilmour nunca escondeu seu desprezo pelo disco, sendo taxativo ao avaliar o resultado: "Nós tínhamos boas ideias, mas o resultado final foi terrível", disse. Ao reouvir o trabalho depois, ele foi ainda mais incisivo: "Ouvi recentemente e é uma merda, provavelmente se trata de nosso ponto mais baixo em termos artísticos." Para o guitarrista, "Atom Heart Mother" marcou um período de busca por identidade, que só seria consolidada em álbuns posteriores como "Meddle" e "The Dark Side of the Moon."

Roger Waters, por sua vez, também fez questão de deixar claro seu incômodo. O baixista, perfeccionista por natureza, revelou que a gravação da faixa-título foi marcada por dificuldades técnicas. Ele e o baterista Nick Mason tiveram de registrar a base rítmica em uma única tomada, já que os recursos disponíveis no estúdio não permitiam correções posteriores. "Se alguém me oferecesse um milhão de libras para tocar 'Atom Heart Mother', eu diria: 'Você deve estar brincando'", declarou, mostrando o quanto rejeita revisitar a composição.
A antipatia de Gilmour e Waters, no entanto, não impediu que a música ganhasse vida própria entre os admiradores da banda. Para muitos fãs, "Atom Heart Mother" representa justamente o espírito ousado do Pink Floyd, disposto a experimentar sem se prender a fórmulas. O arranjo orquestral, que divide opiniões, é visto por alguns como um exemplo de coragem criativa, um passo importante antes da consolidação do estilo progressivo que marcaria a fase de ouro do grupo.
O disco também se destaca por ser um retrato de seu tempo. No início dos anos 1970, várias bandas britânicas se arriscavam em projetos grandiosos que misturavam rock com elementos da música erudita, algo que mais tarde ficaria conhecido como rock sinfônico. Nesse contexto, a suíte do Pink Floyd dialogava com movimentos semelhantes de artistas como Deep Purple e Moody Blues, que também buscavam ampliar os limites do rock.
Curiosamente, embora renegada pelos principais compositores da banda, a faixa chegou a ser executada ao vivo em alguns momentos, especialmente no começo da década de 1970. Em certas ocasiões, o grupo chegou a contar com músicos extras para reproduzir os arranjos orquestrais no palco. Essas performances, raras e grandiosas, hoje são lembradas com saudosismo por quem teve a chance de presenciá-las.
Mais de 50 anos depois, "Atom Heart Mother" continua dividindo opiniões. Para Waters e Gilmour, ela simboliza um erro de percurso; para parte do público, é uma peça essencial dentro da trajetória de uma das bandas mais importantes do século XX. Entre o amor dos fãs e o desprezo de seus criadores, a canção segue ocupando um lugar peculiar na história do Pink Floyd: o de ser, ao mesmo tempo, um "ponto baixo" e um marco inesquecível.
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