O artista que Roger Waters diz ter mudado o rock, mas alguns torcem o nariz
Por Bruce William
Postado em 29 de outubro de 2025
Final de 1967, o psicodelismo ainda dominava cartazes e capas, mas o clima já estava mudando. Bandas mais barulhentas apareciam, o volume dos palcos subia e a plateia começava a exigir mais do que luzes e improvisos. Roger Waters, ainda ajustando o rumo do Pink Floyd após a saída de Syd Barrett, percebeu de perto essa guinada.
A virada, para ele, começou com um trio inglês que usava o blues como base, porém empurrava o som para outro patamar de ataque e presença. O impacto não veio de cenários ou slogans. Veio do instrumento que, a partir dali, passou a conduzir o espetáculo sem pedir licença.

Waters recorda que, antes disso, a guitarra que se ouvia nas rádios britânicas era a dos arranjos limpos e das melodias comportadas. De repente, o timbre ganhou corpo, o drive tomou a frente e os solos deixaram de ser enfeite para virarem argumento. "Aquilo mudou tudo", diria ele mais tarde. "O disco soava diferente de qualquer coisa que a gente tinha ouvido."
O músico a quem ele se refere é Eric Clapton e o trio é o Cream. A combinação de Clapton com Jack Bruce e Ginger Baker levou o blues elétrico a um nível de pressão que virou referência imediata. Para Waters, conforme apura a Far Out, a diferença estava na execução: fraseado firme, sustain agressivo para a época e um entendimento de dinâmica que fazia a banda respirar entre estalos de volume.
Não era só velocidade. O que chamou a atenção de Waters foi a forma como a guitarra passou a ocupar espaço: riffs enxutos, solos com começo-meio-fim e um timbre que dispensava ornamentos. Aquele modelo influenciou a cena britânica inteira e abriu caminho para a guitarra ser o centro de projetos mais ambiciosos no início dos anos 1970.
A partir dali, o Pink Floyd buscou outro tipo de intensidade - mais ligada a conceito e textura - mas o nível de exigência subiu. O show já não podia se apoiar apenas no espetáculo visual; precisava soar sólido. Para Waters, a lição do Cream foi essa: potência com propósito.
Clapton seguiria depois por rotas menos ruidosas, de supergrupos a carreira solo, mas a fase do trio ficou como ponto de inflexão. Waters resume o efeito daquele choque com uma palavra que ele próprio usou: "revolucionário". Mas nem todo mundo embarca nessa leitura. Há quem veja Clapton como um ponto alto do trio Cream, mas conteste o rótulo de "revolucionário", citando Jimi Hendrix ou Jeff Beck como forças mais transformadoras no mesmo período.
A discussão, na verdade, é de recorte: Waters fala do impacto na Inglaterra pré-Hendrix, quando aquele timbre e aquela pegada soaram, para ele, como uma guinada. Entre 1966 e 1968, o Cream lançou "Fresh Cream", "Disraeli Gears" e "Wheels of Fire", registros que cravaram a guitarra de Clapton no centro do rock britânico e influenciaram músicos que, como Waters, levariam a década seguinte por caminhos diferentes, porém com a mesma exigência de som.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dave Mustaine explica por que não vai convidar Kiko Loureiro para show com Megadeth
Vinheteiro chama Angra de "fezes puríssima" e ouve resposta de Rafael Bittencourt
O maior cantor de rock de todos os tempos, segundo Axl Rose; "abriu minha mente"
As 10 músicas mais emocionantes do Slipknot, segundo a Metal Hammer
A música do Led Zeppelin que Robert Plant considera perfeita
Thiê rebate Dave Mustaine e diz acreditar em sondagem por Pepeu Gomes no Megadeth
Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
70 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil em maio
O solo de guitarra mais difícil do Dire Straits, segundo Mark Knopfler
Baixista do Nazareth opina sobre versão do Guns N' Roses para "Hair of the Dog"
O melhor disco do Foo Fighters, de acordo com a Classic Rock
Quatro bandas internacionais que fizeram mais de 50 shows no Brasil
Novo vocalista foi "presente dos deuses", diz baixista do Nazareth
A banda com três cantores que representa o futuro do metal, segundo Ricardo Confessori
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
Os 12 dias em que o Pink Floyd foi um quinteto
Artistas assinam manifesto pedindo exclusão de Israel do Eurovision 2026
Roger Waters rasga o verbo e chama vocalista do Disturbed de "pequeno pedaço de m*rda"
O músico que Roger Waters não queria que subisse ao palco por não ser famoso
Roger Waters procura vocalista para banda cover de Pink Floyd do filho
Roger Waters nunca teve paciência para rock "barulhento"; "algumas pessoas são e elas adoram"
A polêmica e famosa canção que todos do Pink Floyd tocam, menos Roger Waters


