James Hetfield revela qual álbum dos primeiros anos do Metallica foi o mais marcante pra ele
Por Bruce William
Postado em 12 de outubro de 2025
Nos anos 1980, o Metallica vivia em modo criação. Em um intervalo curtíssimo, saíram quatro álbuns que definiram o grupo e ajudaram a empurrar o metal para outra escala. Aquilo fazia sentido para uma banda jovem: menos compromissos fora da música, turnês ainda manejáveis e muito tempo para compor. Como o próprio James resumiu, durante conversa com a Newsweek, "quando você é jovem e não tem mais nada para fazer e aquilo é a sua vida, isso faz sentido."
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O ambiente também favorecia. A ebulição vinha de todos os lados: Big Four em ascensão, outras cenas se alimentando do mesmo impulso e uma competição direta com vizinhos de estrada. Slayer entrava no radar como referência de peso e velocidade; do outro lado, Exodus e Metal Church mostravam que o padrão estava subindo. A disputa era simples, quase esportiva: quem soaria mais pesado, quem seria mais rápido, e isso puxava o nível para cima.
Nesse contexto, a pergunta sobre o "favorito da fase inicial" não cai no colo do disco mais famoso: Hetfield pende para "Ride the Lightning". O ponto não é só repertório; é controle criativo. "Kill 'Em All" carregava a energia dos primeiros anos e foi registrado praticamente "de sopetão". Eram músicas de palco levadas ao estúdio, gravadas de uma vez e pronto. A banda não teve voz nem na etapa de mixagem, o que para James marcou a diferença entre "ter um álbum" e, de fato, "moldar um álbum."
Com "Ride the Lightning", a chave virou. "Dessa vez não tinha empresário dizendo 'Fiquem longe deste estúdio'". [risos]. A banda se integrou ao processo: timbres, ideias, ajustes finos, escolhas que transformam arranjos em identidade. Para Hetfield, foi a primeira vez que o Metallica pôde sentar à mesa e decidir como soaria, e não apenas o que tocar.
Esse "ganhar o estúdio" coincidiu com a fase em que a agenda ainda permitia voltar rápido a compor. O oposto ficaria claro depois do "Black Album", quando o ciclo de turnês se estendeu e a vida fora da banda - família, presença com os filhos - entrou na equação. Lá atrás, o fluxo era outro: menos estrada contínua, mais retorno ao estúdio, mais espaço para experimentar e aprender com a própria pressa.
Em resumo, "mais marcante" para Hetfield é o álbum que consolida autonomia. "Ride the Lightning" representa o salto entre a urgência dos primeiros dias e a capacidade de decidir cada camada do som. Não é uma negação de "Kill 'Em All" - é a confirmação de que, dali em diante, o Metallica passaria a soar como queria, do jeito que aprendeu competindo, ouvindo os pares e, sobretudo, tomando o controle do próprio estúdio.
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