O baterista que fez Bill Ward sonhar em "chegar lá", e que ele conheceu depois de muitos anos
Por Bruce William
Postado em 24 de novembro de 2025
Durante a edição de novembro de 2025 do LA Radio Sessions, programa que Bill Ward apresenta aos domingos pela KLBP 99.1 FM, em Long Beach, o ex-baterista do Black Sabbath colocou para tocar "All Along the Watchtower", na versão de Jimi Hendrix. Em vez de apenas anunciar a faixa e seguir em frente, ele aproveitou o momento para falar longamente sobre a bateria da gravação e sobre o homem que estava no kit: Mitch Mitchell, parceiro de Hendrix na Jimi Hendrix Experience. A transcrição é do Blabbermouth.
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Ward contou que, para ele, Mitch sempre foi um caso especial. "O que posso dizer sobre o Mitch? Bem, tive o privilégio - sublinho, é sublinhar a palavra 'privilégio' - tive o privilégio de encontrar o Mitch não faz tanto tempo", recordou. Ambos já estavam bem mais velhos, mas a impressão de Bill sobre o que ouvira na juventude continuava intacta: "Achei que a bateria dele em 'All Along the Watchtower' era tão única e tão brilhante em termos de que ele estava tocando rock, estava tocando jazz. Ele estava tocando tudo o que funcionava com Jimi Hendrix e Noel Redding."

Do ponto de vista técnico, o impacto veio cedo. Ward lembrou que ainda era muito novo quando se deparou com aquela gravação: "Eu ainda era bem jovem quando ouvi 'All Along the Watchtower' pela primeira vez, então fiquei intrigado com a quantidade de coisa que ele colocava na bateria, o trabalho de pedal duplo, tudo. Acho que ele estava na linha de frente, na vanguarda. Ele estava indo para lugares onde eu adoraria ter ido, mas naquela época eu tinha só 15 anos. Eu sonhava em chegar lá e espero ter acabado me tornando uma espécie de sombra ou seguidor." Em seguida, resumiu a influência de forma direta: "Ele foi um dos caras que me influenciaram, entre muitos outros bateristas. Mas o Mitch estava lá fora, tocando freneticamente, basicamente com uma atitude de 'eu não dou a mínima', e eu adorava isso."
A admiração não ficou restrita às gravações. Ward contou que, décadas depois, os dois finalmente se encontraram pessoalmente, e o clima foi imediato. "Tive o prazer de encontrá-lo, e quando o encontrei, a empolgação, o nível de empolgação entre nós dois... porque o Mitch tinha ouvido falar de mim e eu obviamente conhecia o Mitch. Então, quando nos encontramos, não conseguimos parar de conversar um com o outro", relatou. Segundo ele, as pessoas entravam na sala, tentavam interromper, e os dois simplesmente não ouviam: "Ficamos tão envolvidos na conversa um do outro que falamos, falamos por aproximadamente uma hora sem parar. Falamos sobre tudo - voltamos tudo lá para o passado e viemos todo o caminho até o agora. Cobrimos tudo no meio, falamos dos altos e baixos, das tragédias. Foi uma das conversas de bastidor mais íntimas que já tive com alguém."
Ward também comentou como se sentiu ao saber da morte de Mitch Mitchell, em 2008. "Fiquei muito triste quando ele faleceu", disse. Ao mesmo tempo, lembrou de tê-lo visto subir ao palco já em outra fase da vida e de reconhecer ali um impulso que conhecia bem: "Eu vi que ele estava em uma estrada que tinha que ser daquele jeito, e soube que ele estava voltando pra estrada. Também sabia, intuitivamente, que ele talvez não estivesse em sua melhor forma, mas existe uma força interior que diz 'temos que voltar'. Eu tenho a mesma coisa."
Hoje, aos 77 anos, Bill Ward enxerga esse desejo de continuar como algo que não se apaga com o tempo. "Tenho isso dentro de mim, esse negócio que diz: 'Temos que ir o mais longe que pudermos'. E eu não consigo parar isso. Não há nada dentro de mim que desligue essa vontade de fazer mais, escrever mais, ser mais", afirmou. Ele disse reconhecer o mesmo tipo de impulso em outros colegas: "Vi isso em muitos amigos bateristas que simplesmente não conseguiam dizer 'não', simplesmente não conseguiam se aposentar para um lugar onde não estivessem envolvidos, tinham que ficar na estrada. Então eu amo esse cara."
Para Ward, ouvir "All Along the Watchtower" em 2025 não é só revisitar um clássico do Hendrix. É também reencontrar, na bateria de Mitch Mitchell, uma das referências que o fizeram sonhar ainda adolescente e que, de alguma forma, seguem presentes tanto na maneira como ele vê o instrumento quanto na decisão de continuar ativo, mesmo depois de ter escrito capítulos importantes da história do heavy metal.
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