O solo de guitarra que Brian May chama de "absolutamente arrepiante"
Por Bruce William
Postado em 23 de novembro de 2025
Quando se fala em guitarra no rock britânico, o nome de Brian May costuma aparecer ao lado de peso pesado. Com o Queen, ele gravou linhas que qualquer fã reconhece em poucos segundos, de "Killer Queen" a "Bohemian Rhapsody", e ajudou a definir um jeito de tocar que mistura melodia, timbre característico e arranjos bem pensados. Justamente por isso, sempre que ele comenta solos de outros guitarristas, muita gente para para ouvir.
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Em uma matéria da Classic Rock em que vários músicos escolhiam solos marcantes, May foi convidado a apontar aquele que mais mexia com ele. Em vez de citar algum clássico que todo mundo conhece de cor, o guitarrista voltou para os anos 1960 e pegou um momento específico da fase em que Eric Clapton ainda estava construindo sua reputação no blues britânico. A escolha recaiu sobre "Key To Love", faixa do álbum Blues Breakers with Eric Clapton, de John Mayall & The Bluesbreakers.
Falando sobre essa gravação, Brian May não economizou elogios ao solo do conterrâneo, comentando: "É o Eric Clapton. 'Key To Love', do álbum John Mayall's Blues Breakers [with Eric Clapton]. É a peça mais quente, ardente, de alta paixão que eu já ouvi na vida até hoje. Eu simplesmente adoro. É um solo rasgante, e eu nunca vou superar isso. É uma das minhas grandes inspirações" disse, conforme reproduzido pela Far Out. Para quem está acostumado a ouvir May como referência, é curioso notar o quanto ele ainda se coloca na posição de fã quando fala desse trecho.
Na mesma entrevista, o guitarrista do Queen explicou que, para ele, a própria música vira quase um suporte para o solo. "Ele arrebentou nesse solo! A faixa inteira gira em torno desse solo. Toda vez que eu ponho para tocar, eu fico esperando... John Mayall é ótimo, mas você está esperando aquele momento em que o Eric entra rasgando e, de repente, começa a bater nas notas mais agudas. É incrível. Absolutamente arrepiante." A descrição ajuda a visualizar a cena de alguém que ainda hoje coloca o disco e aguarda exatamente o mesmo ponto, como se estivesse revivendo a primeira audição.
O disco em questão, lançado em 1966, costuma ser citado como um dos trabalhos que consolidaram Eric Clapton na cena inglesa antes de suas passagens por Cream, Blind Faith e pelo próprio material solo. O solo de "Key To Love" é curto, direto e cheio de notas em sequência, com aquele timbre de guitarra em volume alto e ataque forte que muitos fãs associam imediatamente à fase "Beano" por causa da capa do disco, onde ele aparece folheando o gibi de mesmo nome, famoso na Grã-Bretanha.
Para Brian May, porém, o que fica não é apenas a técnica, mas a sensação de intensidade que ele ainda identifica ali passadas tantas décadas.
O comentário de Brian May não muda o lugar que ele próprio ocupa na história do rock, mas joga luz em um recorte específico da trajetória de Clapton e de John Mayall & The Bluesbreakers. Ao destacar justamente esse solo, e descrevê-lo como "o mais quente, ardente e cheio de paixão" que já ouviu, o guitarrista do Queen registra em voz alta uma das referências que ajudaram a formar seu ouvido ainda jovem e que, segundo ele, continuam causando arrepio toda vez que a agulha volta a encontrar aquela faixa no vinil.
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