O cantor "sensacional" que Robert Plant sabe que poderia tê-lo substituído no Led Zeppelin
Por Bruce William
Postado em 23 de novembro de 2025
Quando se fala em vocalista de rock depois de 1970, o nome de Robert Plant aparece quase automaticamente. Muita gente que se arriscou em agudos rasgados, improvisos alongados e postura de frontman acabou sendo comparada ao cantor do Led Zeppelin, gostasse ou não. Ainda assim, o próprio Plant nunca se enxergou como intocável. Ele sempre soube que fazia parte de uma cena cheia de vozes fortes, todas tentando beber nas mesmas fontes de blues, soul e rock britânico do fim dos anos 60.
Naquele período - assim como acontece até os dias de hoje - ninguém estava inventando do zero. Plant puxava elementos de Howlin' Wolf, Muddy Waters e tantos outros, e dividia espaço com colegas que também esticavam o limite do que um vocalista de rock podia fazer. Jack Bruce, no Cream, por exemplo, conseguia um alcance quase operístico em cima de bases pesadas. E havia ainda quem misturasse tudo isso com teatralidade, como Janis Joplin, cuja forma de gritar e se jogar nas músicas sempre foi lembrada por Plant ao falar das suas próprias influências.

É nesse cenário que entra a parte curiosa da história. Antes do Led Zeppelin ganhar o mundo com "Good Times Bad Times", "Whole Lotta Love" e companhia, Jimmy Page e John Paul Jones ainda estavam montando o time. Nessa fase, outros nomes chegaram a ser cogitados para o posto de vocalista, e havia um em especial que Plant jamais esqueceu: Terry Reid, também britânico, dono de uma voz potente e elástica, que já chamava a atenção na época.
Anos mais tarde, Plant falou sobre ele com uma franqueza que pega muita gente de surpresa. Em entrevista resgatada pela Far Out, o cantor do Zeppelin lembrou: "Ele era simplesmente o cantor mais sensacional. Ele foi convidado para se juntar a Jimmy Page e John Paul Jones nessa ideia de grupo, cujo potencial poderia ter sido fenomenal. E ele já tinha a própria carreira andando com o Mickie Most na época." Ou seja, na visão do próprio Plant, Reid tinha tudo para ocupar aquele espaço.
O detalhe é que Terry Reid preferiu seguir o caminho que já vinha trilhando com o produtor Mickie Most e acabou recusando o convite. A decisão abriu espaço para que Plant fosse chamado, e o resto da história todo mundo conhece. Mas o respeito nunca se perdeu. Plant não fala de Reid como alguém
"quase escolhido"; ele trata o colega como um vocalista que, na cabeça dele, poderia muito bem ter funcionado no Led Zeppelin.
Basta ouvir alguns registros da carreira solo de Terry Reid para entender por que Plant fala assim. Em algumas faixas, a maneira como ele sobe a voz e segura as notas lembra muito o tipo de linha melódica que caberia em músicas como "How Many More Times" ou em um lado B mais bluseiro da banda. Dá para imaginar, em termos puramente técnicos, aquele timbre encaixado nas primeiras composições de Page e Jones.
Ao mesmo tempo, mexer demais nessa hipótese alternativa deixa claro o quanto a química também pesa. A parceria entre Jimmy Page e Robert Plant acabou gerando não só grandes performances vocais, mas também letras e melodias que caminham junto com a guitarra - de "Thank You" a "Stairway to Heaven". Plant pode ter toda a admiração do mundo por Terry Reid, a ponto de chamá-lo de "sensacional" e admitir que ele poderia ter assumido o posto. Mas foi a combinação específica entre a voz de "Percy" e as ideias de Page que deu ao Led Zeppelin a cara que se conhece hoje.
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