O álbum que metade do Black Sabbath concordava ser o pior da banda
Por Bruce William
Postado em 13 de novembro de 2025
Depois de lançar vários clássicos, o Black Sabbath chegou a 1978 esgotado. A rotina de estrada pesava, a convivência azedou e a banda atravessava uma crise de identidade. Ozzy resumiu aquele clima numa entrevista ao Guardian: "Estávamos de saco cheio uns dos outros também. Você não quer ficar o tempo todo nem com a sua esposa, e você casou com ela." A vontade era virar a página da imagem sombria que os acompanhava desde o começo: "Nenhum de nós queria arrastar essa merda de 'magia negra' pra sempre, então tentamos ficar um pouco mais modernos."
O resultado foi "Never Say Die!". Décadas mais tarde, o saudoso Ozzy não media palavras ao avaliar o álbum: "Acho nojento", disse na época. "Foi a pior peça de trabalho da qual já fiz parte." Meses depois do lançamento, ele deixaria a banda.
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Geezer Butler endossa a leitura e aponta o principal erro: a autogestão. "Tentamos nos empresariar e produzir o disco nós mesmos. Queríamos fazer por conta própria, mas, na verdade, nenhum de nós fazia a menor ideia do que estava fazendo", disse à Metal Edge (via Far Out). "Naquela altura, a gente passava mais tempo com advogados e no tribunal do que no estúdio escrevendo. Era pressão demais, e a composição sofreu." Para ele, Never Say Die! foi "facilmente o pior" álbum do Sabbath.
Tony Iommi recorda sessões caóticas: "Estávamos ficando realmente chapados, usando muita droga. Íamos às sessões e tínhamos que encerrar porque estávamos chapados demais, tínhamos que parar. Ninguém acertava nada, estávamos todos perdidos, cada um tocando uma coisa diferente. Aí voltávamos, dormíamos e tentávamos de novo no dia seguinte."
O quadro não surgiu do nada: anos antes, em Vol. 4, o excesso já rondava o grupo. Butler lembra da conta apresentada pelo empresário: "Se dá pra acreditar nele ou não, o disco custou, acho, 65 mil dólares, e a conta de cocaína foi 75 mil." A diferença é que, em 1972, havia ânimo, frescor e menos ressentimentos acumulados. Em 1978, tudo isso pesou.
"Never Say Die!" também marcou o último suspiro da formação original com Ozzy antes da troca de vocalista. A tentativa de "ficar mais moderno" envolveu arranjos, sopros e referências alheias ao repertório tradicional do grupo. No papel, parecia uma guinada; no estúdio, a execução se perdeu nas disputas, na falta de direção e na autoconfiança fora de hora.
Ainda assim, o disco não desapareceu da conversa. Ao longo dos anos, músicos como Kim Thayil e Dave Mustaine já destacaram aspectos interessantes do álbum em entrevistas - sinal de que, mesmo nos tropeços, havia ideias ali. Mas, para dois protagonistas da história, a avaliação segue dura. Entre s falas de Ozzy e o carimbo de Geezer, "Never Say Die!" ficou registrado como a obra que escancarou um ciclo exausto - e que antecedeu a guinada do Sabbath para outra fase.
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