Leia o discurso de Jim Carrey apresentando o Soundgarden no Rock and Roll Hall of Fame
Por João Renato Alves
Postado em 09 de novembro de 2025
O comediante Jim Carrey foi escolhido para fazer o discurso de indução do Soundgarden ao Rock and Roll Hall of Fame. A banda foi uma das homenageadas na edição 2025 do evento, que foi realizada no último dia 8 de novembro em Los Angeles. Confira abaixo o conteúdo completo da fala do astro.
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"Quando as maiores estrelas do rock do mundo se juntam para celebrar umas às outras e se soltar, a coisa fica louca. Não se esqueçam de agendar suas infusões de glutationa hoje à noite. Tenho a honra de apresentar o Soundgarden no Hall da Fama do Rock and Roll. Vocês podem perguntar: por quê? Ah, por que o Soundgarden, a realeza do rock and roll mais pesado, escolheria Jim Carrey para apresentá-los no Hall da Fama? Existe alguma conexão cósmica profunda entre eles, ou o Spoonman não estava disponível?
Bem, a verdade é que cresci com as bandas inspiradoras da era do hard rock. Todos os dias eu passava horas em frente ao meu refletor no canto do porão tocando power chords em um taco de goleiro de hóquei. Quando a cena musical de Seattle explodiu, ressuscitou o rock and roll para mim. Bandas como Mudhoney, Mother Love Bone, Alice In Chains, Pearl Jam e, claro, Nirvana, eram livres, brutalmente honestas e buscavam algo profundo.
O Soundgarden não foi apenas a primeira banda do movimento de Seattle. Ao assinarem com uma grande gravadora, eles plantaram as sementes de sua criação. O guitarrista Kim Thayil, o baixista Hiro Yamamoto e o vocalista/baterista Chris Cornell estavam experimentando um som nunca antes ouvido. Uma fusão de hard rock, punk, metal e psicodelia que moldava paisagens sonoras intrincadas e surpreendentes. Isso, aliado à incrível extensão vocal de Chris, fazia seu coração disparar de empolgação em um minuto e se partir em tristeza no seguinte.
Quando ouvi Soundgarden pela primeira vez, não fiquei apenas empolgado. Tive vontade de vestir uma camisa de flanela e sair correndo pela rua gritando: 'Minha mãe fumou durante a gravidez!' Eles ascenderam de bares decadentes em Seattle ao estrelato mundial sem medo ou concessões. Confiaram plenamente em si mesmos e em seus fãs, que os acompanhariam nessa jornada, para onde quer que ela os levasse. O sucesso estrondoso veio com seu quarto álbum de estúdio, 'Superunknown', que inclui músicas incríveis como 'Spoonman', 'Fell On Black Days' e sua obra-prima, 'Black Hole Sun'.
Essa faixa foi o exemplo máximo da prolífica composição de Chris Cornell. Parecia que ele nos havia dado acesso irrestrito a algum sonho monumental e apocalíptico que estava tendo. Ele tinha uma presença profundamente autêntica. Quando você olhava em seus olhos, era como se a eternidade estivesse olhando de volta. Eu costumava falar com ele assim, 'Oi, Chris, como você está? Eu? Ótimo. Melhor impossível. Por favor. Desvie o olhar. Não me pergunte mais nada.'
Conheci a banda pessoalmente em 1996, quando apresentei o 'Saturday Night Live' pela primeira vez e insisti em ter o Soundgarden como atração musical. Naquela época, a formação era Chris, Kim Thayil, Matt Cameron na bateria e Ben Shepherd no baixo. Durante o ensaio, eles começaram a tocar a beleza sombria e épica de 'Pretty Noose'. Fiquei bem na frente deles, deixando as ondas de eletricidade me envolverem como um batismo sonoro. Eles me submergiram, e quando voltei à superfície, estava livre.
Depois do programa, eles me entregaram o que é, até hoje, um dos meus bens mais preciosos: a Fender Telecaster que Chris tocou no show, autografada por toda a banda. Temos uma foto dela em algum lugar? Ah, está atrás de mim. Droga! Ela apareceu de repente. Não reparem nas marcas de queimadura no escudo. 'Alguém nos bastidores estava brincando com fósforos, ha ha ha ha.' Mais tarde naquela noite, Chris apareceu no meu quarto de hotel com um violão e um balde de frango frito do Kentucky Fried Chicken, e nós compusemos algumas músicas.
Ok, talvez eu tenha sonhado com essa parte, mas nunca vou me esquecer daquela noite. E eu consegui passar um tempo com o Chris algumas vezes. Ele sempre foi muito sincero, muito pé no chão, atencioso e engraçado. Quando a banda se separou em 97, Chris continuou fazendo músicas incríveis sozinho e com o Audioslave. Kim, Matt e Ben continuaram trilhando seus próprios caminhos musicais. Mas o Soundgarden não tinha acabado. Eles se reuniram. Em 2010, nos presentearam com um segundo ato repleto de novas músicas e shows ao vivo tão impactantes quanto sempre. Infelizmente, em uma noite trágica de 2017, Chris nos deixou.
Perdemos um ser muito especial, um artista musical monumental e um inovador inspirador. Mas, para sempre, sua voz continuará a iluminar o éter como uma bobina de Tesla. Esta noite, garantimos que Chris Cornell, Kim Thayil, Hiro Yamamoto, Matt Cameron e Ben Sheppard entrem para a história como uma das bandas mais majestosas, poderosas e influentes a serem introduzidas no Hall da Fama do Rock and Roll. Vida longa a Chris Cornell e vida longa ao Soundgarden!"
A seguir, a banda se manifestou e partiu para a parte musical. Começaram com "Rusty Cage" com Taylor Momsen (The Pretty Reckless) e Mike McCready (Pearl Jam). A seguir, encerraram com "Black Hole Sun", tendo a companhia de Brandi Carlile e Jerry Cantrell (Alice in Chains).
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