Black Sabbath e Led Zeppelin precisaram de apenas meia hora para compor dois clássicos do rock
Por Bruce William
Postado em 10 de dezembro de 2025
Algumas músicas parecem ter sido planejadas em laboratório, com cada detalhe ajustado até o último milímetro. Outras nascem de um impulso quase instantâneo, quando a banda está com o som quente, a cabeça no lugar certo e a urgência de fechar algo que ainda falta. O mais curioso é que, às vezes, é justamente esse tipo de criação rápida que vira a faixa mais lembrada de um disco inteiro.
No caso do Black Sabbath, a história envolve uma necessidade bem prática de estúdio. A banda precisava de uma música curta para completar o álbum, e a solução veio depressa. Geezer Butler resumiu a situação dizendo que a faixa "foi escrita como uma reflexão posterior", porque eles precisavam de "um preenchimento de três minutos" para o disco; Tony Iommi trouxe o riff, ele fez a letra rapidamente e Ozzy "lia as palavras enquanto cantava".
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Iommi reforçou essa ideia ao lembrar que o plano inicial era apenas completar o tracklist. Segundo ele, "a música foi escrita como um preenchimento para o álbum, nunca foi planejada para ser outra coisa". Mas justamente por ser curta, acabou virando single, e ele comentou que, por causa do que a canção se tornou, "muita gente nos conhecia por 'Paranoid' naqueles dias".
O próprio Butler também explicou que a letra veio de um lugar pessoal e imediato, o que talvez ajude a entender por que os versos saíram tão rápido. Ele disse que basicamente era sobre depressão e que, na época, ainda não distinguia direito depressão e paranóia. "É uma coisa de drogas; quando você está fumando um baseado fica totalmente paranoico com as pessoas... há esse cruzamento entre a paranoia de quando você está fumando e a depressão depois." Essa sinceridade direta combinou com o riff e fechou a música sem rodeios internos de estúdio.
Já com o Led Zeppelin, a rapidez não veio de uma "faixa para completar o álbum", mas de um estalo coletivo durante as sessões de "Led Zeppelin IV", em 1971. Enquanto trabalhavam em outra música, John Bonham se irritou com a dificuldade de encaixar a bateria de "Four Sticks" e começou a tocar um padrão inspirado na introdução de "Keep A-Knockin'", de Little Richard. A banda entendeu na hora que ali havia um caminho novo.

Robert Plant contou que Bonham fez a introdução do Little Richard e que eles apenas seguiram o fluxo. Ele começou a cantar e encaixar um riff que já aponta para a música pronta, e disse que "foi tão empolgante" que pensaram: vamos trabalhar nisso. A ideia ganhou forma tão rápido que, em cerca de 15 minutos, "Rock and Roll" estava praticamente resolvida.
Jimmy Page lembrou essa mesma sequência de modo bem objetivo: eles estavam gravando outra coisa quando Bonham tocou a introdução de "Keep A-Knockin'", ele imediatamente começou o riff de "Rock and Roll" e, em vez de deixar a brincadeira morrer, todos continuaram. Page resumiu que a música "foi escrita em minutos e gravada dentro de uma hora". Plant, anos depois, explicou que a banda sentiu que o rock and roll precisava ser retomado com força, sem muita elaboração mental, porque "não tivemos tempo para isso - só queríamos deixar tudo transbordar. Era uma coisa muito animal"
Juntando as duas histórias, dá para ver como o tempo de composição nem sempre diz o tamanho do resultado. Um riff pensado para preencher espaço acabou definindo o Sabbath para muita gente, e um desvio de humor no estúdio gerou uma das declarações mais diretas do Zeppelin ao rock das origens. Às vezes, a música certa aparece quando a banda simplesmente reconhece o momento e não atrapalha a própria ideia.
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