A faixa instrumental do Soulfly que traz influências de Massive Attack e ecos do King Crimson
Por Mateus Ribeiro
Postado em 24 de janeiro de 2026
Max Cavalera, guitarrista e vocalista do Soulfly, sempre demonstrou disposição para explorar caminhos pouco convencionais dentro do metal extremo. Mesmo após décadas de carreira e com um estilo amplamente reconhecido, o músico brasileiro manteve uma postura aberta à experimentação, incorporando referências externas ao universo tradicional do gênero.
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Essa abordagem se reflete de maneira clara na discografia do Soulfly, projeto no qual Cavalera frequentemente amplia o leque sonoro ao dialogar com elementos de música tribal, industrial, eletrônica e até jazz. Em alguns momentos, essas influências surgem de forma mais discreta, enquanto em outros assumem papel central na construção das faixas, reforçando o caráter exploratório da banda.
Um dos espaços mais evidentes para esse tipo de experimentação são as faixas instrumentais, presentes em todos os álbuns do Soulfly. Longe de funcionarem apenas como interlúdios, essas composições servem como terreno livre para a incorporação de referências externas ao metal, permitindo a exploração de atmosferas, texturas e estruturas pouco usuais dentro do formato tradicional do estilo.
Esse aspecto foi abordado por Max Cavalera em entrevista concedida à Kerrang, na qual o músico falou sobre as suas jams instrumentais. Ao comentar a faixa "Soulfly XI", presente no álbum "Ritual" (2018), Cavalera destacou que comparações feitas por ouvintes com o King Crimson foram recebidas com entusiasmo, além de citar influências diretas de Massive Attack no processo criativo da composição, ressaltando a liberdade criativa envolvida nesse tipo de abordagem.
"As pessoas compararam isso ao King Crimson, o que me deixou muito feliz, porque adoro essa banda. Eu tinha todo o formato na minha cabeça – sem bateria, apenas batidas programadas como no Massive Attack. Lembro-me de mostrar essa banda ao nosso produtor Josh [Wilbur] e ele não tinha ouvido falar deles.
Perguntei se ele poderia fazer algo parecido com meus riffs no estilo Pink Floyd. O saxofone traz o elemento jazzístico; o músico era de uma big band chamada The Pretty Reckless. Quando ouvi tudo, soube que estava incrível. Parecia que, mesmo depois de todos esses anos, eu não tinha medo de fazer coisas que pudessem chocar as pessoas… o que é muito legal!"
O trabalho mais recente é "Chama" (2025). Para conferir uma resenha do álbum, acesse o link abaixo.
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