O que Max Cavalera deveria levar para tratar na terapia, segundo Andreas Kisser
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de fevereiro de 2026
Ao longo dos anos, a saída de Max Cavalera do Sepultura foi cercada por versões e episódios que ganharam status quase mítico entre fãs do metal. Entre eles, a imagem de Max chegando de limousine enquanto o restante da banda seguia de van se tornou uma espécie de metáfora visual do racha interno. Para Andreas Kisser, no entanto, o problema sempre foi mais profundo - e psicológico.
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Em entrevista ao 100 Segredo Podcast, Andreas deixou claro que nunca viu sentido em transformar aquela situação em uma disputa de certo ou errado. "Ficou uma situação esquisita porque é muito difícil julgar. O meu ponto de vista é o meu ponto de vista sobre o mesmo evento. O Igor vai ter o dele, o Paulo tem outro. É uma discussão que não leva a lugar nenhum", afirmou. Para o guitarrista, cada integrante tomou decisões próprias diante de um contexto que já estava desgastado.
Segundo Kisser, o rompimento se deu de forma objetiva a partir do fim do contrato de gerenciamento. "O Max resolveu sair da banda porque o nosso contrato com a Glória acabou. E a Glória não estava mais representando a banda, ela estava representando só o Max e os interesses dele", explicou, citando Gloria Cavalera, então empresária do grupo e esposa do vocalista.
A separação do Sepultura
A partir daí, a separação deixou de ser apenas administrativa e passou a se refletir no cotidiano. "Essa coisa da limousine cresceu depois. Ele teve o ônibus dele, só o camarim dele. Era uma coisa que separava", contou Andreas. "A Glória começou a separar as coisas: eram os três de um lado e o Max do outro." Para o guitarrista, o incômodo não estava no luxo em si, mas na ruptura de uma dinâmica coletiva que sempre definiu o Sepultura.
Outro ponto citado por Kisser foi o uso da imagem familiar de Max em meio a decisões profissionais da banda. "O Max aparece em capa de disco com o filho. Qual o sentido disso? Como um prêmio, como um troféu. No meio de um disco como Roots, no meio de questões profissionais da banda", criticou. Segundo ele, muitas dessas decisões aconteciam sem a participação dos demais integrantes. "Era tudo entre a Glória, a imprensa e a gravadora. A gente ficava meio na berlinda."
Andreas também relembrou que a saída coincidiu exatamente com o encerramento formal do vínculo contratual. "O contrato terminou em 16 de dezembro de 1996, que foi o último show que fizemos juntos, no Brixton Academy, em Londres", disse. Após a apresentação, houve uma reunião com ele, Igor Cavalera, Paulo Xisto e Glória - sem a presença de Max. "Queríamos mudar a representação da banda, organizar a coisa de forma mais profissional, menos emocional e parcial. Eles não aceitaram essa mudança e saíram."
O guitarrista não economizou palavras ao avaliar o que veio depois. "Você vê que o Max até hoje está patinando no Roots. Sempre falando a mesma coisa. Parece preso num vórtex do tempo", disparou. Em tom direto, Andreas completou: "É muito esquisito. Acho que falta um pouco de terapia também, cuidar da cabeça."
Confira a entrevista completa abaixo.
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