O álbum gigante dos anos 1970 que só não agradeceu a traficante por que ele foi morto
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de fevereiro de 2026
No meio dos anos 1970, poucas bandas pareciam tão bem-sucedidas aos olhos da indústria quanto o Fleetwood Mac. O disco anterior, lançado em 1975, havia chegado ao topo da Billboard e transformado o grupo em um fenômeno comercial. Mas, longe dos gráficos e das rádios, o clima interno estava longe de ser harmonioso quando começaram as gravações do álbum seguinte. As entrevistas foram reunidas pela Loudersound.
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Em fevereiro de 1976, o quinteto entrou no estúdio Record Plant, em Sausalito, Califórnia, para trabalhar naquele que se tornaria Rumours, um dos discos mais vendidos da história. O problema é que, naquele momento, praticamente todos os relacionamentos da banda estavam ruindo ao mesmo tempo.
Christine McVie havia se separado do baixista John McVie e iniciado um relacionamento com o diretor de iluminação da banda. Lindsey Buckingham e Stevie Nicks, que entraram juntos no grupo, também enfrentavam conflitos constantes. Já Mick Fleetwood lidava com a descoberta de que sua esposa o traía com seu melhor amigo. O caos emocional era tão evidente que surpreendeu até a equipe técnica.
"Eu achei que fosse gravar um álbum normal", contou o engenheiro Ken Caillat em entrevista à MOJO. "Aí vi a Christine jogar uma taça de champanhe no rosto do John, Stevie e Lindsey brigando no microfone e o Mick entrando no estúdio chorando depois de falar com a esposa. Comecei a achar que aquilo era contagioso."
No meio desse turbilhão, uma presença se tornou constante no estúdio: a cocaína. Segundo Caillat, Rumours marcou o início do uso pesado da droga pela banda. "Tinha uma sacola em cima da mesa, para qualquer um pegar. Naquela época, eles eram amadores nisso", afirmou.
Stevie Nicks reconheceu, anos depois, o erro de avaliação. "Você se sentia tão mal com tudo o que estava acontecendo que fazia uma carreira para se animar", disse a cantora. "Nós honestamente achávamos que não podia nos fazer mal. Que não era viciante. Como estávamos errados."
Mick Fleetwood também falou abertamente sobre o período. "Quando se fala dessas histórias de abuso de substâncias, eu sou o principal candidato", admitiu. "Hoje tento desromantizar isso, mas aconteceu. Sempre imagino a gravação de 'Rumours' como Paris nos anos 1920."
Lindsey Buckingham, por sua vez, resumiu sua postura com pragmatismo: "Meu pensamento era: 'Quando em Roma…'", embora tenha admitido que passou longos períodos sem dormir durante as sessões.
O nível de gratidão da banda ao fornecedor de drogas era tamanho que Mick Fleetwood chegou a cogitar incluir um agradecimento explícito ao traficante nos créditos do álbum - algo semelhante ao que o Black Sabbath havia feito em Vol. 4. A ideia, porém, nunca saiu do papel. "Infelizmente, ele foi executado antes de o disco sair", escreveu o baterista em sua autobiografia Fleetwood: My Life and Adventures in Fleetwood Mac.
Apesar de - ou justamente por causa de - todo esse caos, Rumours foi lançado em fevereiro de 1977 e se tornou um colosso. O álbum passou 31 semanas no topo da Billboard 200, liderou paradas em diversos países e hoje figura oficialmente como o 12º disco mais vendido de todos os tempos.
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