Cinco álbuns que foram achincalhados quando saíram, e que se tornaram clássicos do rock
Por Bruce William
Postado em 18 de janeiro de 2026
A Ranker vive disso: listas feitas pra galera votar e reordenar, então o ranking pode mudar com o tempo conforme o público mexe nos votos. Mesmo assim, a seleção "Classic Albums That Were Trashed By Critics When They Were Released" é um bom gatilho pra uma pauta simples: pegar alguns casos famosos em que a recepção inicial foi azeda e colocar lado a lado com o lugar que esses discos ocupam hoje.
Melhores e Maiores - Mais Listas
Começando pelo debut do Led Zeppelin (1969), tem uma resenha da Rolling Stone que virou folclore. John Mendelsohn elogia Page como guitarrista, mas ataca o resto, dizendo que ele é "um produtor muito limitado e um compositor de músicas fracas, sem imaginação", e que o álbum "sofre" justamente por ele ter produzido e escrito a maior parte do material. O contraste com o consenso atual é óbvio: o disco virou referência de vocabulário (som, timbre, jeito de tocar) pra meio mundo, mesmo que você não aguente mais ouvir alguém "testando" riff em loja de instrumentos.
No Black Sabbath (1970), a pancada também veio da Rolling Stone, na caneta do Lester Bangs: ele até começa com um "não são tão ruins assim", mas diz que isso é praticamente o máximo de crédito que dá pra oferecer, chamando o álbum de "uma enganação" e comparando o som a clichês do Cream tocados com insistência. Hoje, não precisa fazer força pra entender por que essa crítica envelheceu esquisita: o disco entrou no pacote de fundação do heavy metal - e a graça é que ele nem tenta soar "virtuoso", ele soa ameaçador.

Com "Exile on Main St." (1972), dos Rolling Stones, o alvo foi justamente o som embolado e a sensação de excesso. Lenny Kaye escreveu que o álbum passa quatro lados "sombreando a mesma música" em variações, e que dá pra terminar a audição "vagamente insatisfeito, sem chegar aos picos" que a banda já prometeu antes. Décadas depois, esse mesmo som embolado virou parte do apelo do disco: muita gente trata como o momento em que os Stones transformaram desordem em linguagem, e não como defeito.

No caso do AC/DC ("High Voltage", 1976 - versão dos EUA), Billy Altman escreveu na Rolling Stone que quem se preocupa com o futuro do hard rock "pode se consolar" porque, com a chegada desses "campeões australianos do mau gosto", o gênero teria atingido "o ponto mais baixo de todos os tempos". O interessante aqui é que o que ele chama de "baixo nível" é justamente o que fez a banda funcionar: fórmula direta, riff que não pede licença e uma entrega que não depende de firula.
E tem o "Tusk" (1979), do Fleetwood Mac, que pegou gente no contrapé porque todo mundo esperava um "Rumours 2". Stephen Holden escreveu na Rolling Stone que o grupo estava "atormentado por conflitos internos" e "desafiado pela New Wave", e sugeriu que essa "tribo folk-rock" poderia ser "a última e mais refinada" de um certo tipo de celebração pop. A piada é que, justamente por não querer repetir fórmula, o disco ficou com cara própria, e hoje dá pra ouvir como um álbum de pressão interna transformada em escolhas estranhas (e conscientes).
Se você parar pra ler essas críticas com calma, dá pra ver um padrão: o que era "bagunça", "repetição" ou "idiotice calculada" muitas vezes era, na prática, um artista apostando numa identidade que ainda não tinha manual. E aí o tempo faz o que sempre faz: não concorda com ninguém, só deixa registrado.
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