Quadrilhas enviam mulheres disfarçadas de fãs para furtar celulares em grandes festivais
Por Emanuel Seagal
Postado em 31 de março de 2026
A Polícia Civil de São Paulo, segundo reportagem da BBC News Brasil, mapeou três grupos especializados no furto de celulares durante grandes festivais de música na capital paulista. Formadas por cerca de dez pessoas cada, essas quadrilhas se aproveitam das condições dos eventos - como multidões, empurra-empurra e falhas de sinal de telefone - para agir sem serem notadas.

Diferente dos criminosos que atuam nas ruas, esses grupos se disfarçam de fãs. Segundo o delegado Luiz Alberto Guerra, do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), eles adotam o visual do público e acompanham as tendências de cada edição. No recente Lollapalooza, por exemplo, predominaram camisetas temáticas, looks cor-de-rosa, calças largas e peças brilhantes.
Foi com esse tipo de vestimenta que uma jovem foi presa no primeiro dia do Lollapalooza, carregando 11 celulares e uma câmera digital escondidos nas roupas. A maioria dos aparelhos era composta por iPhones de modelos recentes. O caso se assemelha à prisão de outras cinco pessoas nos arredores do Allianz Parque, durante um show do Luan Santana que reuniu mais de 50 mil pessoas no fim de semana anterior.
Os criminosos investem alto, pagando por ingressos caros, com a certeza de que o lucro dos furtos cobrirá os custos. O perfil predominante é de jovens com menos de 30 anos, semelhante ao do público dos festivais. "Os furtos são feitos com uma destreza tremenda, então as pessoas nem percebem. Eles não agem com violência ou ameaças", explica o delegado. Ele ressalta que as mulheres costumam realizar os furtos pela facilidade de aproximação sem gerar suspeitas, repassando os aparelhos para comparsas. A identificação e prisão dos suspeitos são dificultadas pela multidão e pela subnotificação.
Muitas vítimas preferem não registrar boletim de ocorrência no local para não perder os shows, optando por fazê-lo depois pela internet. Esse atraso permite que as quadrilhas desmontem os aparelhos, dificultando a recuperação e a desarticulação dos grupos. A polícia aponta que a maioria dos aparelhos furtados é vendida no centro de São Paulo para desmonte ou exportação, driblando o bloqueio da Anatel.
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