Tem problema ser músico de metal e youtuber ao mesmo tempo? Lucas Inutilismo responde
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de março de 2026
Em um cenário onde a internet redefiniu caminhos para artistas independentes, a fronteira entre criador de conteúdo e músico profissional se tornou cada vez mais tênue. Ainda assim, o preconceito contra quem vem das redes sociais segue presente, especialmente em nichos mais tradicionais como o rock e o heavy metal.

É nesse contexto que o multi-instrumentista LVCAS, conhecido pelo grande público como Lucas Inutilismo, tem construído sua trajetória. Com milhões de seguidores no YouTube e uma carreira musical em expansão, o artista atualmente divulga o EP "AMND" (Abatido Mas Não Derrotado) enquanto percorre o Brasil em turnê.
Em entrevista a Gustavo Maiato, do Whiplash.Net, o músico falou abertamente sobre o rótulo de influencer e a resistência que ainda enfrenta dentro do cenário musical. "Todo mundo influencia alguém de alguma forma", afirmou, relativizando o termo que costuma gerar rejeição até mesmo entre criadores.
LVCAS também deixou claro que não vê conflito entre suas duas frentes de atuação. "Nunca seria motivo de vergonha ser chamado de youtuber", declarou, destacando que foi justamente a plataforma que possibilitou grande parte das conquistas de sua vida e carreira.
Ao mesmo tempo, ele reconhece que existe um olhar desconfiado, principalmente quando o assunto é música pesada. "Existe naturalmente esse preconceito, tipo 'lá vem a música do youtuber'", comentou, ressaltando que isso não invalida críticas legítimas ao seu trabalho, mas evidencia uma barreira cultural ainda presente.
Apesar disso, o saldo, segundo ele, é positivo. O artista enxerga a internet como uma ferramenta que reduz obstáculos históricos da música independente. "Uma das minhas grandes dúvidas era: quem vai ouvir? Hoje essas barreiras são menores", explicou, reforçando que há público para o metal no Brasil - basta conseguir alcançá-lo.
Na estrada com a turnê do EP "AMND", LVCAS passa por capitais como Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro, levando ao palco um repertório que mistura peso, melodia e intensidade emocional. O trabalho marca uma fase mais coesa de sua sonoridade, transitando entre metalcore, rock alternativo e elementos contemporâneos do gênero.
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