Os 3 baixistas que John Paul Jones sempre ouvia, e a gente pode notar isso no Zeppelin
Por Bruce William
Postado em 21 de março de 2026
Quando John Bonham morreu, o Led Zeppelin acabou junto. E, numa fala que explica bem o tamanho do encaixe interno da banda, John Paul Jones resumiu o que ele e Bonzo eram no palco: "Eu e o Bonzo éramos dois caras de groove, de verdade."
Jones também lembra uma característica que hoje parece até estranha para uma banda daquele peso: "Naquela época, a gente tocava e as pessoas dançavam nos shows. Não tem muita banda de hard rock hoje em dia que faça o público dançar."
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A "mágica" do Zeppelin sempre teve muita coisa na superfície - parede de guitarras, vocal gigante, riffs que viraram escola - mas a cola que fazia a música andar era exatamente essa cozinha. Não é só manter o tempo: é fazer a música ter balanço, dar aquela sensação de que ela está "empurrando" o corpo pra frente, mesmo quando a guitarra está incendiando tudo.
E aí entra o ponto: quando perguntado sobre baixistas que ele sempre prestou atenção, Jones não foi pelo caminho óbvio de "monumentos do rock". Ele citou três nomes vindos de outras praias, e resumiu assim, conforme publicado na Far Out: "Eu sempre ouvi Duck Dunn e, depois, Motown e James Jamerson, e Willie Weeks."
O primeiro é Donald "Duck" Dunn, baixista ligado ao som da Stax e ao Booker T. & the M.G.'s, uma escola de linha de baixo que segura o groove sem precisar virar protagonista. O segundo é James Jamerson, nome central da fase clássica da Motown, com aquelas linhas cheias de movimento, fraseado e "melodia escondida" no baixo.
O terceiro, Willie Weeks, já é o tipo de músico que atravessa estilos como se fosse normal: sessão, estrada, rock, soul, o que pintar. E dá pra entender por que Jones cita ele no mesmo pacote: Weeks tem esse jeito de "resolver" a música por baixo, com personalidade, sem fazer escândalo.
Juntando os três, dá pra enxergar melhor de onde vem aquela base do Zeppelin que não é só peso, mas também balanço. Jones não estava olhando só para o rock em si, mas para quem fazia a música andar em qualquer gênero. E, quando isso encontra um baterista como Bonham, o resultado é aquele tipo de hard rock que não só bate: ele também puxa o corpo pra dançar.
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