Andreas, Angra, Frejat e outros sobre Carlini; "o suprasumo da guitarra do rock brasileiro"
Por Bruce William
Postado em 08 de maio de 2026
A morte de Luiz Carlini, aos 73 anos, em São Paulo, provocou manifestações de músicos de diferentes gerações do rock brasileiro. Guitarrista ligado à história do Tutti Frutti e à fase mais roqueira de Rita Lee nos anos 1970, Carlini também construiu uma trajetória longa como músico de estúdio, parceiro de palco e referência para artistas que vieram depois.

Entre os nomes que se manifestaram está Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, que lembrou Carlini como um pioneiro e destacou a convivência com ele em eventos, jams e encontros musicais. "O mestre nos deixou, q triste notícia. Carlini era gigante com e sem a guitarra, um instrumento q amava mais q tudo, um pioneiro", escreveu Andreas.
O guitarrista também citou a presença de Carlini nas edições do Patfest e a participação na celebração dos 50 anos de "Fruto Proibido", álbum lançado por Rita Lee & Tutti Frutti em 1975. "Sempre muito atencioso e tinha histórias maravilhosas da estrada da musica. Esteve em todos os Patfest com alegria e ainda tive o privilégio de participar da celebração de 50 anos do Fruto Proibido além de inúmeras jams q fizemos", afirmou. Para Andreas, Carlini foi "um cara foda q vai fazer muita falta".
Frejat também publicou uma mensagem pessoal sobre a perda. O guitarrista e cantor definiu Carlini como amigo e mestre, lembrando décadas de convivência marcadas por música, guitarras e bom humor. "Eu hoje perdi um grande amigo e um mestre. O carinho, o amor e a admiração que eu tenho por ele não tem tamanho. São décadas de amizade, música, guitarras e muitas gargalhadas", escreveu.
O Angra, em publicação oficial da banda, ressaltou a importância de Carlini para quem trabalha com rock no Brasil. "Luis Carlini foi um irmão, um amigo e uma referência para todos que trabalhamos com rock aqui no Brasil. Seu legado é imenso e todos nós de alguma maneira fomos influenciados por sua arte. Um verdadeiro rockstar que levava a música na alma, vamos sentir muito a sua falta."
Felipe Andreoli, baixista do Angra, também se manifestou e lembrou o lado pessoal de Carlini. "Um cara de um clima bom, sempre gentil, sorridente e com uma boa história pra contar", escreveu. Ele ainda chamou o guitarrista de "guitar hero brasileiro, pioneiro e profundo conhecedor da guitarra", citando uma conversa recente no programa Assino Embaixo, em que pôde ouvir novamente histórias da carreira do músico.
George Israel, saxofonista e guitarrista conhecido pelo trabalho no Kid Abelha, usou uma expressão que resume bem o peso de Carlini para o rock feito no país. Para ele, o músico foi "o suprasumo da gtr do rock brasileiro". Na mesma homenagem, George lembrou os "solos, discos, arranjos de gtr e musicas eternas" deixados por Carlini, além do humor do guitarrista, que brincava ao telefone se dizendo cobrador da Ordem dos Músicos quando sabia que ele estava em São Paulo.
Yohan Kisser também publicou uma homenagem mais pessoal, chamando Carlini de ídolo, mestre e amigo. Ele contou que conheceu o guitarrista nos bastidores de um show da turnê final dos Novos Baianos, no Credicard Hall, e que uma das primeiras conversas entre os dois foi sobre "Persona", disco de Carlini que marcou sua adolescência. Yohan lembrou ainda que o músico contou detalhes da gravação de uma introdução feita com relógio e pedal de delay, além de histórias ligadas ao bar de mesmo nome e à capa do álbum.
Guilherme Arantes, que trabalhou com Carlini em estúdio e no palco, também deixou uma mensagem longa e emocionada. Ele afirmou que sua carreira musical foi marcada pela sonoridade do guitarrista e pela convivência com ele desde 1980. "Minha carreira musical é tão profundamente marcada pela sua genialidade, sua sonoridade única, sua companhia em estúdio e no palco, que posso dizer que você é um pedaço gigantesco de mim", escreveu.
Carlini ficou especialmente conhecido por sua parceria com Rita Lee e pelo trabalho no Tutti Frutti, incluindo gravações como "Agora Só Falta Você" e o solo de "Ovelha Negra". Mas as homenagens mostram outro lado de sua história: o músico que atravessou décadas sem ficar preso a uma única geração, circulando por palcos, estúdios, encontros e amizades. Para muita gente, sua guitarra estava nos discos. Para quem conviveu com ele, pelo que se viu nas mensagens, havia também as histórias, as gargalhadas e aquela presença que parece ter ficado tão lembrada quanto o som.
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