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Jimmy London revela a discussão que fez Matanza acabar: "Isso eu não posso concordar"

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Postado em 08 de maio de 2026

Jimmy London falou sobre o fim do Matanza e apontou a diferença de visão interna como um dos motivos centrais do racha da banda. Em entrevista ao Lado A Podcast, o vocalista disse que o desgaste não veio de um episódio isolado, mas de uma discussão sobre o que o grupo deveria ser: diversão acima de tudo ou trabalho antes de qualquer coisa.

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Foto: Divulgação - Deck
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Segundo Jimmy, parte da banda defendia que o Matanza precisava ser, antes de mais nada, uma fonte de prazer. Ele discordava. "A grande discussão que teve ali é que: 'não, mas a gente tem que se divertir'. E eu insistindo que não, que isso aqui é um trabalho. Se a gente puder se divertir, excelente. Melhor jeito do mundo. Mas isso aqui é um trabalho, antes de mais nada", afirmou.

O ponto de ruptura, de acordo com o cantor, veio quando essa diferença passou a orientar decisões práticas. "Ah, não, tem que se divertir antes de ser um trabalho. Se tiver que fazer coisas para se divertir, que sejam ruins para o trabalho, a gente vai fazer. Não, isso eu não posso concordar", disse. "Isso basicamente foi o que fez a gente romper a linha de entendimento."

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Jimmy também contou que ficou muito tempo sem contato com os ex-companheiros depois do fim do Matanza. A exceção foi Donida, guitarrista e um dos fundadores da banda. "Eu nunca mais falei com ninguém depois disso. Teve uma vez que o Donida me ligou, a gente conversou. Acho que ele concordou comigo das coisas que eu sempre falava", relatou.

A relação entre Jimmy e Donida vinha de antes do Matanza. O vocalista lembrou que os dois eram amigos desde a adolescência, pois Donida já tocava com amigos de seu irmão. "A gente era muito amigo desde muito antes da banda", disse. "Eu era muito moleque, tipo 13 anos. E depois a gente andou junto a vida inteira até 2015, 2016, sei lá."

O cantor disse que amadureceu ao perceber que os integrantes de uma banda não precisam ser melhores amigos. Segundo ele, amizade ajuda, mas não pode substituir organização e responsabilidade. "Dá para ser um trabalho. Você não precisa ser melhor amigo. Se for o caso, inclusive, você não precisa nem ser amigo. Continua sendo trabalho."

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Essa visão, segundo Jimmy, orienta hoje sua relação com o Matanza Ritual, banda que ele formou após o fim do Matanza. O vocalista afirmou que o grupo atual funciona com mais tranquilidade porque os integrantes têm outras vidas, outros projetos e mais maturidade para lidar com ausências, prioridades e limites.

Ele citou o guitarrista Felipe Andreoli, também integrante do Angra, como exemplo dessa nova dinâmica. Se Felipe precisa se preservar para compromissos de outra banda, a decisão é aceita sem atrito. Jimmy reconheceu que, no passado, talvez tivesse reagido de outro jeito. "Em outros momentos da minha vida, eu já bati de frente", admitiu.

O vocalista também atribuiu a mudança de postura à paternidade e à diversificação de sua vida profissional. "Agora não é mais a prioridade da minha vida. A prioridade da minha vida é minha filha", disse. Além da música, Jimmy hoje atua, escreve, trabalha em projetos audiovisuais e participa de coberturas para a televisão.

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Mesmo com as críticas ao funcionamento interno do antigo grupo, Jimmy evitou desmerecer a trajetória do Matanza. Ele afirmou que não pode "cuspir no prato" em que comeu e reconheceu que a dedicação extrema à banda ajudou a levá-lo até onde está. "Se eu não tivesse posto a quantidade de energia e dedicação que coloquei na banda, talvez eu não estivesse aqui hoje", afirmou.

Donida e o fim do Matanza

A versão de Donida sobre o fim do Matanza ajuda a completar o relato de Jimmy London. Em entrevista ao Metal na Lata, recuperada por Igor Miranda em 2020, o guitarrista disse que o comunicado oficial da banda, embora cuidadoso, traduzia bem o que havia acontecido. Segundo ele, divergências internas são normais e até produtivas por um tempo, mas a relação do grupo "azedou" e o diálogo deixou de funcionar.

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Donida afirmou que o fim não envolveu briga judicial nem rompimento explosivo. Para ele, o problema estava na diferença de ritmos de vida, expectativas e métodos de trabalho. "Relações, quando ficam tóxicas, não servem para uma banda, casamento, emprego ou nada na vida", disse. O músico também afirmou que não havia arrependimento pelo legado construído, mas que chegou um momento em que cada um precisava seguir adiante.

O guitarrista negou ainda que o peso da imagem de Jimmy como rosto do Matanza tenha sido motivo de conflito. Donida lembrou que o vocalista cumpria bem esse papel, enquanto ele se concentrava nas músicas, letras e artes dos discos. Na visão dele, o racha veio menos de vaidade e mais da perda de diálogo. Pouco depois do fim, os demais integrantes seguiram juntos no Matanza Inc, com Vital Cavalcante nos vocais.

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Confira a entrevista completa abaixo.

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Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, fotógrafo de shows, youtuber e escritor. Ama todos os subgêneros do rock e do heavy metal na mesma medida que ama escrever sobre isso.
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