O dueto que envolve Bob Dylan e acabou sendo lembrado como um desastre
Por Bruce William
Postado em 27 de março de 2026
Em tese, a combinação parecia promissora. Bob Dylan encerrava uma turnê europeia em 1984 com um grande show no Slane Castle, na Irlanda, diante de cerca de 40 mil pessoas. Bono ainda era um nome em franca ascensão com o U2, já carregava o peso de representar uma nova geração do rock irlandês e, como admirador declarado de Dylan, tinha todos os motivos para tratar aquele convite como uma chance rara. O problema é que uma boa ideia no papel nem sempre vira boa música no palco, conta a Far Out.

Antes do show, Bono foi enviado pela revista Hot Press para entrevistar Dylan. Ao chegar ao camarim, encontrou não só o anfitrião da noite, mas também Van Morrison. Já seria uma situação intimidadora para quase qualquer um. Para um cantor ainda jovem, diante de dois nomes daquele tamanho, o cenário não parecia exatamente feito para relaxar. Mesmo assim, Dylan o convidou para participar dos números finais do show: "Leopard-Skin Pill-Box Hat" e "Blowin' in the Wind".
A primeira participação já veio meio torta. Em "Leopard-Skin Pill-Box Hat", Bono apareceu sem domínio da letra e se atrapalhou logo de cara. A saída foi recuar e deixar Dylan seguir praticamente sozinho. Se a noite terminasse ali, talvez tudo ficasse registrado apenas como um tropeço nervoso de ocasião. Só que ainda vinha "Blowin' in the Wind", e aí o negócio desandou de vez.
Em vez de cantar a letra conhecida da música, Bono resolveu improvisar em cima do espírito político da canção. Onde o público esperava ouvir "How many times must a man look up…", ele puxou frases como "How many times must people cry?" e outras variações próprias, tentando transformar o momento em uma espécie de intervenção. A intenção até podia ser séria, mas o efeito foi mais confuso do que forte. Em gravações da apresentação, dá para perceber que a coisa vai se perdendo entre improviso, fala arrastada e um apelo emocional que não encontra muito chão.
Dylan, que nunca foi exatamente conhecido por tratar suas próprias músicas como peças intocáveis, acabou sendo o sujeito que tentou recolocar a performance nos trilhos. Quando Bono terminou sua parte, foi ele quem entrou cantando a letra original para reorganizar a situação diante da plateia. Não deixa de ser curioso: o homem que passou a carreira inteira embaralhando arranjos, versos e melodias foi, naquela hora, o mais disciplinado dos dois.
Nem isso segurou Bono por completo. Ainda houve espaço para ele voltar ao microfone e acrescentar mais frases, esticando o desfecho de um jeito que não ajudou muito o momento. Em vez de uma convergência marcante entre dois artistas de gerações diferentes, o que ficou foi uma apresentação em que um parecia puxar a música para um lado e o outro tentava impedir que ela escapasse de vez.
O episódio não abalou a reputação de Dylan, que continuou sendo tratado como um dos grandes compositores do século XX, nem impediu Bono de seguir sua trajetória ascendente com o U2. Mas aquela noite em Slane acabou virando uma lembrança incômoda de que nem todo encontro entre nomes grandes produz faísca boa. Às vezes produz só atrito mesmo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A cantora que conquistou James Hetfield com sua voz "de cheiro de cigarro"
As músicas mais longas de 10 grandes bandas de heavy metal
As quatro melhores músicas do Led Zeppelin, segundo Robert Plant
A banda que Brian May achava que deveria ter sido gigantesca; "Eles foram nossos mentores"
Eric Martin, Edu Falaschi, Tim Owens e Jeff Scott Soto anunciam setlist do Masters of Voices
Show do Iron Maiden em Paris é prejudicado por falta de luz
John Bush não lamenta ter feito menos sucesso que colegas de geração
Steve Harris foi único membro do Iron Maiden a receber Paul Di'Anno em show, revela documentarista
Os 20 melhores álbuns lançados em 1999, segundo lista da Metal Hammer
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
A banda punk que Bono considera a melhor de todos os tempos
Gary Holt relembra como conseguiu abandonar a metanfetamina
A separação de banda que deixou Jimmy Page arrasado; "Ficamos tristes quando eles terminaram"
Ex-guitarrista do Turnstile tem julgamento por tentar matar pai do vocalista marcado
A participação de Tina Turner na reviravolta que mudou o destino do AC/DC


O compositor que odiava ver os Rolling Stones tocando uma de suas músicas
O ícone dos anos 1990 que Bob Dylan admirava: "Eu adoraria fazer um disco como o dele"
A opinião de Madonna sobre o lendário Bob Dylan: "Eu tinha hormônios no corpo"
Os dois guitarristas que Bob Dylan considerava acima dele: "Um passo adiante"
O desconhecido que tocou com Ringo Starr, George Harrison, Bob Dylan e Neil Young
O rockstar que rejeitou Ritchie Blackmore, mas é o único que ele admira


