A história que une dois membros dos Titãs, Marisa Monte, Tim Maia e um policial bailarino
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de abril de 2026
A música brasileira está cheia de encontros improváveis, mas poucos episódios conseguem reunir tantos personagens centrais - e tão distintos - quanto uma noite caótica no Canecão, no Rio de Janeiro, que acabou conectando Titãs, Marisa Monte, Tim Maia e até um capitão da Polícia Militar que se apresentou como… bailarino.
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O episódio é narrado no livro A Vida Até Parece Uma Festa, biografia dos Titãs, e aconteceu em 1993, durante a fase de lançamento de Titanomaquia. Naquela noite, Branco Mello foi ao Canecão para assistir a um show de Tim Maia acompanhado de Sérgio Britto e Marisa Monte. Tudo transcorria dentro da normalidade até que, no meio da apresentação, Branco - visivelmente alterado - começou a falar alto com Tim, diretamente da plateia.
Percebendo o clima estranho, Tim Maia tentou contornar a situação com humor e autoridade, cumprimentando o amigo no microfone: "Fala, Brancão!". Não adiantou. Branco se exaltou ainda mais, levantou-se e caminhou em direção ao palco. O cantor, já tenso, interrompeu a música e pediu calma: "Segura sua onda, Brancão. Fica tranquilo aí, rapaz".
O pedido também não surtiu efeito. Num gesto impensado, Branco pulou no palco. Tim Maia, acostumado a situações-limite, se viu dessa vez do outro lado do balcão e gritou por segurança. O vocalista dos Titãs foi retirado às pressas e expulso da casa pelo dono do Canecão, Mário Priolli. Do lado de fora, a confusão só aumentou.
Enquanto isso, dentro da casa, Sérgio Britto perguntou a Marisa Monte onde estaria Branco. Ela chegou a brincar que ele provavelmente estaria "lá atrás com o Tim, fumando um". Não estava. Ao saírem para procurá-lo, Britto e Marisa encontraram o amigo na calçada, cercado por policiais, ainda alterado e discutindo com PMs que passavam pelo local.
O clima ficou tenso, e havia um temor real de que a situação terminasse de forma violenta. Esse medo não era infundado. Pouco tempo antes, outro grande nome do rock brasileiro havia passado por um episódio traumático no mesmo Canecão: Renato Russo.
Fã declarado do Emerson, Lake & Palmer, Renato tentou usar sua fama para entrar no camarim da banda após um show. Ignorado pela produção, insistiu e acabou sendo violentamente contido por seguranças, jogado no chão, agredido e arrastado até o estacionamento. O episódio, amplamente relatado anos depois, contribuiu para agravar seu estado emocional e a relação já delicada com álcool e medicamentos.
Era exatamente esse tipo de desfecho que Britto e Marisa temiam para Branco. Num raro momento de lucidez, o vocalista dos Titãs começou a chorar. Aproveitando a brecha, os dois apelaram aos policiais para que não o prendessem. A tensão parecia se dissipar quando um capitão da PM, sensibilizado, declarou: "Tudo bem, eu entendo vocês artistas. Eu também sou artista. Sou bailarino".
A cena, que já beirava o surreal, descambou novamente quando Branco, ainda fora de si, provocou o capitão: "Ah, o senhor dança, é?". O bate-boca recomeçou, mas, graças à habilidade diplomática de Marisa Monte e Sérgio Britto, os policiais acabaram liberando o cantor, evitando consequências mais graves.
No dia seguinte, Marisa ligou para Tim Maia para se desculpar por não ter ido ao camarim após o show. Ao ouvir a explicação, o cantor foi direto e definitivo: disse que gostava muito de Branco, mas preferia não voltar a falar sobre o assunto.
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