Como Lobão conquistou respeito dos presos: "Depois disso, comecei a ganhar autoridade"
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de abril de 2026
Lobão já contou em mais de uma ocasião que sua passagem pela prisão, nos anos 1980, foi uma das experiências mais duras e transformadoras de sua vida. Em entrevista ao Conexões JBFM, o músico descreveu um ambiente insalubre, marcado por calor extremo, superlotação, ratos e violência constante. Segundo o artista, mesmo sendo réu primário, ele foi levado diretamente para a cadeia e passou três meses sem conseguir habeas corpus.
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Ao recordar aquele período, Lobão afirmou que o presídio era "condenado pela saúde pública" e descreveu um cenário brutal: "Ratazanas... 50 graus na sombra". Foi nesse ambiente que, segundo ele, acabou assumindo uma espécie de papel de liderança informal entre os presos. "Eu virei o xerife. O mascote do Comando Vermelho. Virei o síndico da parada", disse.
O relato ganha contornos ainda mais fortes quando o músico menciona um episódio envolvendo um detento torturado. De acordo com Lobão, dois traficantes estavam na cela, e um deles foi capturado e submetido a agressões extremas. "Eu ouvia ele gritando de noite. Às 6h da manhã, jogaram ele de volta dentro da cela. Ele estava sem nenhuma unha. Arrancaram as unhas do pé e da mão. Tinha uma fratura exposta na canela. Todo queimado." A cena o impressionou profundamente, sobretudo pela reação do homem, que teria resistido sem delatar ninguém. "Ele falou: 'Não entreguei'."
Lobão na cadeia
.Para Lobão, aquele episódio revelou um tipo de firmeza que ele não esperava encontrar ali. "Quando vi isso, pensei que estava conhecendo pessoas extraordinárias", afirmou. A partir dali, segundo seu próprio relato, ele passou a se posicionar com mais desenvoltura dentro da prisão. Em vez de se manter isolado, procurou estabelecer convivência com os demais presos e até defender certas "medidas" para melhorar o ambiente.
Uma das histórias mais curiosas contadas por ele envolve o uso de Rivotril dentro do presídio. Lobão disse que tentou desencorajar o consumo de cocaína entre os detentos e conseguiu uma receita para obter o medicamento. A partir disso, iniciou, segundo suas palavras, uma espécie de campanha improvisada: "Eu disse que cocaína fazia mal para a saúde. Consegui uma receita para uma caixa de Rivotril e fiz uma 'campanha publicitária' lá dentro." Em tom irônico, completou: "Na hora do 'recreio', quando podíamos circular, eu falava: 'Consciência tranquila para todo mundo!' e aí distribuía Rivotril para todo mundo."
O músico contou a história com humor, mas deixou claro que aquele gesto ajudou a aproximá-lo dos outros presos. "Preso é muito carente. Virei o brother da rapaziada", resumiu. Em seguida, veio a frase que sintetiza o sentido daquela lembrança: "Depois disso, comecei a ganhar autoridade."
Já outra entrevista foi repercutida pela Quem. Lá ele comenta mais sobre o caso. Na ocasião, ele afirmou que o presídio era um lugar de "muito quente, um fedor", e voltou a mencionar que passou a ser visto com simpatia por integrantes do Comando Vermelho. "Fui adotando medidas higiênicas, as pessoas foram ganhando ternura pela minha pessoa. Virei mascote, involuntariamente, do Comando Vermelho", contou.
Segundo o músico, a relação criada ali não terminou com sua saída da prisão. Ainda de acordo com o relato, ao deixar a cadeia, ele chegou a ser levado por chefes da facção para o morro e teve até "aula de tiro". A declaração, como várias outras feitas por Lobão ao longo da carreira, mistura memória pessoal, tom provocador e um gosto evidente por narrativas de forte impacto.
Confira a entrevista completa abaixo.
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