A crítica de Graciliano Ramos ao futebol que explica problema da MPB, segundo Lobão
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de abril de 2026
Não é de hoje que Lobão troca farpas com o que ele chama de "coronelato da MPB". O grupo é formado – em sua visão – por nomes consagrados como Caetano Veloso e Gilberto Gil. O problema é que para o autor de "Me Chama" e "Vida Bandida" esses figurões são mais fumaça do que fogo.
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Em entrevista ao Conexões JBFM, Lobão foi convidado a refletir sobre a postura desses "medalhões" da música brasileira, que muitas vezes criticavam o rock e acusavam de estrangeirismo. Ele trouxe o exemplo do escritor alagoano Graciliano Ramos que, de forma semelhante, criticou o futebol quando o esporte gringo passou a ganhar força no Brasil.
"O rock é uma coisa que a intelectualidade da esquerda diz que é coisa do imperialismo. Isso sempre existiu antes mesmo disso. Você pega o Graciliano Ramos no começo do século XX. Ele tem uma crônica maravilhosa dizendo que estão querendo infiltrar um esporte bretão no Brasil, mas nada vai se sobrepujar a pipa e a o papagaio. Ele estava falando do futebol. Então, isso é a mesma coisa com o rock. De uma maneira muito equivocada. Não que o rock por si só tenha alguma força por si. Mas há artistas que pegaram o rock para fazer coisas criativas, como Cazuza e eu. Acho a gente bem mais legal que esses caras", disparou.
Lobão seguiu explicando que nunca bateu continência para Caetano Veloso e citou Milton Nascimento como exemplo de grande nome da MPB. Ele comentou, inclusive, sobre uma vez em que chegou a confrontar o autor de "Alegria, Alegria" e "Você É Linda" sobre o assunto.
"Eles são os donos da parada. Eu falei isso para o Caetano. Falei que era a primeira vez que ele conhecia uma pessoa que acha ele na melhor das hipóteses 'ok'. Eu não beijo a mão dele. Isso é genuíno. Eu falei que no máximo tenho um respeito geriátrico por ele. E estava sendo chique com ele. Acho esses caras... Deve ter algo legal, mas eu não ouviria em sã consciência. Escuto desde Bach até Benito de Paula ou Milton Nascimento. O Clube da Esquina é o melhor disco entre todos os que ouvi na minha vida. Melhor do que 'Sgt Peppers'. Acho o melhor de todos. Mas a intelectualidade da MPB não entrega isso. Não tem um disco do Caetano que chegue próximo a isso. Eu acho que o tipo de música deles é muito superficial. Gosto de coisas profundas, trágicas e intensas. A música deles é muito frívola. Pode ser bem feita, mas nunca me atrairia se não tivesse um spot neles".
Confira a entrevista completa abaixo.
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