O músico que Roger Waters não queria que subisse ao palco por não ser famoso
Por Bruce William
Postado em 12 de abril de 2026
Roger Waters montou "The Wall - Live in Berlin" como um evento de escala quase absurda. O show de 21 de julho de 1990 reuniu nomes conhecidos, elenco grande e toda a pompa que o momento pedia, poucos meses depois da queda do Muro de Berlim. Nesse contexto, faz sentido que ele estivesse pensando não apenas em quem cantava bem, mas também em quem chamava atenção no cartaz. Foi aí que Paul Carrack entrou numa situação meio ingrata.
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Carrack já conhecia Waters, tinha cantado em alguns shows solo dele e era um dos nomes cogitados para interpretar "Hey You". Só que, segundo a lembrança do próprio cantor, republicada na Far Out, Waters primeiro fez um discurso enorme sobre como aquele seria "o maior show de todos os tempos" e, em seguida, pediu o telefone de Huey Lewis. Quando Carrack perguntou "E eu, Roger?", ouviu a resposta seca: "Você não é famoso o bastante."
A frase mostra um lado menos romântico dessas superproduções: Não bastava cantar. Não bastava conhecer o repertório. Num evento daquele tamanho, o peso do nome também entrava na conta. Carrack, que já tinha currículo sólido com Ace, Squeeze e depois Mike + The Mechanics, acabou tratado como músico respeitado, mas insuficiente para o nível de celebridade que Waters queria expor em Berlim.
No fim, a história virou do avesso. Huey Lewis não participou, e Carrack acabou subindo ao palco para cantar "Hey You". Décadas depois, o registro do show segue aí para provar que o problema nunca foi falta de voz. A própria lembrança dele sugere isso: ele entendeu o raciocínio de Waters na época, mas o episódio deixou claro que a objeção passava muito mais por marketing e escala do que por capacidade musical.
Também é por isso que a história continua boa hoje. Não porque Paul Carrack tenha sido "humilhado" ou algo do tipo, mas porque ela expõe sem filtro uma verdade velha da indústria: em certos projetos gigantes, talento sozinho não fecha a conta. Às vezes, o sujeito canta demais, toca demais, entrega o serviço - e ainda assim ouve que falta fama. No caso de Carrack, ao menos ficou a ironia de ter entrado mesmo assim e mostrado, no palco, que aquele critério tinha lá suas falhas.
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