O disco do AC/DC que os fãs mais fiéis costumam colocar acima dos clássicos óbvios
Por Bruce William
Postado em 11 de abril de 2026
Quando se fala em AC/DC, o caminho mais automático costuma passar por "Highway to Hell" e "Back in Black". Não é difícil entender por quê. São discos enormes, cheios de músicas que atravessaram décadas e ficaram grandes até demais. Só que existe uma outra conversa, mais de fã que fuça catálogo e volta aos álbuns inteiros, que aponta para um lugar diferente. Nessa conversa, "Powerage", lançado em 1978, aparece frequentemente como o disco que melhor resume o AC/DC de Bon Scott.
AC/DC - Mais Novidades
A matéria da Louder/Classic Rock parte justamente dessa ideia. E ela faz sentido. "Powerage" saiu em 5 de maio de 1978 no Reino Unido, foi o primeiro álbum internacional da banda com Cliff Williams no baixo e também marcou o fim da fase de estúdio produzida por Harry Vanda e George Young, antes do grupo entrar na era Mutt Lange. Em outras palavras, ele fica bem naquela curva entre o AC/DC ainda bruto e o AC/DC prestes a explodir comercialmente. "A gravadora estava começando a nos pressionar por singles de sucesso, e a gente simplesmente fincava o pé e seguia em frente", disse Malcolm Young.

Também ajuda o fato de o disco ter uma cara um pouco diferente dentro da obra da banda. Tem porrada, claro, porque isso nunca faltou. "Riff Raff", "Kicked in the Teeth" e "Up to My Neck in You" não estão ali para fazer média com ninguém. Mas "Powerage" também abre espaço para um AC/DC menos reto e mais vivido. "Down Payment Blues", "Gone Shootin'" e "Gimme a Bullet" mostram Bon Scott escrevendo com mais amargura, mais ironia e mais empatia por gente quebrada, apertada de grana ou emocionalmente ferrada. É um disco com músculo, mas também com cicatriz.
Talvez por isso ele tenha ganhado esse status entre quem gosta de olhar além das faixas mais tocadas. Joe Perry resumiu bem ao dizer que gente "realmente" ligada no AC/DC entende "Powerage" como um clássico e um marco: "As pessoas conhecem 'Highway to Hell' e 'Back in Black' porque são os discos com as músicas grandes de rádio, mas quem realmente entende de AC/DC sabe que 'Powerage' é um álbum clássico, um marco. Essas talvez não sejam as músicas do AC/DC que você ouve no rádio ou necessariamente no jukebox do bar, mas ninguém escreve rock'n'roll melhor do que isso."
Comercialmente, ele ainda não foi o estouro que a Atlantic queria. No Reino Unido, chegou ao número 26; nos Estados Unidos, ao 133 da Billboard. Não era exatamente um fracasso, mas ainda não era a virada definitiva. Só que já havia movimento ali. A banda estava cavando espaço no circuito ao vivo americano, abrindo shows importantes e acumulando impulso suficiente para provar que havia algo acontecendo. Quando "Powerage" fechou sua rota, o AC/DC já estava apontando claramente para o próximo salto.
E talvez seja justamente esse o ponto. "Powerage" não tem o brilho de conquista histórica que se associa ao álbum seguinte. Não tem o peso mítico de um disco que mudou tudo de uma vez. O que ele tem é outra coisa: a sensação de banda no exato momento em que tudo encaixa, antes de a máquina crescer demais. O AC/DC ainda não tinha virado instituição. Ainda parecia um grupo empurrando cada música no braço, com raiva, humor e fome.
Então, dá para entender por que tantos fãs antigos tratam "Powerage" como favorito pessoal. "Highway to Hell" pode ser o grande avanço. "Back in Black" pode ser o monumento. Mas "Powerage" tem aquele tipo de força que não depende de consenso nem de estatística. É o AC/DC antes de virar lenda definitiva, mas já soando como se soubesse exatamente o que estava fazendo. E, às vezes, é justamente esse ponto do caminho que envelhece melhor.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Novo disco de Tony Iommi mantém acesa a chama do Sabbath, segundo resenha da Classic Rock
Devido à demanda, U2 anuncia data extra no Brasil
Moyses Kolesne manda recado a quem reproduz discursos de Lemmy sobre política
Overkill é anunciado como headliner do Overload Beer Fest, que será realizado em março
Como Jason Newsted criou o riff de "Blackened" do Metallica e a reação de James e Lars
"Nevermind" (Nirvana) ultrapassa "Back in Black" (AC/DC) e "Dark Side..." (Pink Floyd) em vendas
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
Dirk Verbeuren, do Megadeth, agradece Pete Sandoval por ter inspirado "legiões de bateristas"
Rod Smallwood desconversa ao ser perguntado sobre planos futuros do Iron Maiden
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
A música dos Ramones que provavelmente seria "cancelada" nos dias atuais
Marko Hietala arrisca palpite sobre o que levou Floor Jansen a sair do Nightwish
O lado mais egoísta da humanidade inspirou a história de um dos maiores clássicos de Dio
Phil Lewis (L.A. Guns) considera Robert Plant mais inteligente que Ian Gillan
As 5 melhores músicas do Iron Maiden com Paul Di'Anno nos vocais, segundo o Ultimate Guitar

O hino não oficial da libertação do rock and roll para Tom Morello
O melhor álbum do AC/DC de todos os tempos, segundo Sammy Hagar
A trilogia clássica do AC/DC que quase não aconteceu, segundo Gastão
A banda que Brian May gostaria de ter integrado se o Queen nunca tivesse existido
A rockstar que quase perdeu a perna na turnê do AC/DC: "Não vai fazer esse show"
"Isso é rock and roll": Sammy Hagar louva o AC/DC na fase Bon Scott
12 bandas de rock que contam com apenas um membro original na formação
A música do AC/DC que ensinou Kurt Cobain o suficiente para começar a compor
As 5 melhores músicas do AC/DC com Bon Scott, segundo Gastão Moreira
O vocalista que fez teste para o AC/DC antes de Axl Rose assumir no lugar de Brian Johnson
O motivo pelo qual o fenomenal Angus Young do AC/DC odiava a banda Ramones


