O hit do Angra que é difícil para o Shamangra cantar: "Nossa, Andre, precisava desse final?"
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de abril de 2026
A nova turnê do Shamangra nasce cercada de peso histórico. O projeto vai celebrar os 30 anos de "Holy Land", os 30 anos do EP "Freedom Call" e também os 25 anos de Shaman, reunindo no mesmo palco parte importante da obra ligada a Andre Matos, Angra e à trajetória posterior de seus ex-integrantes.
Angra - Mais Novidades
Em entrevista a Igor Miranda, da Rolling Stone Brasil, o baixista Luis Mariutti e a cantora Hanna Paulino falaram sobre a montagem do show, a emoção de revisitar esse repertório e o tamanho do desafio vocal envolvido. O ponto mais curioso veio quando Hanna resumiu sua reação diante de certas passagens compostas por Andre no hit "Speed" do "Fireworks": "Nossa, Andre, precisava?"
Logo na abertura da conversa, Igor contextualiza o projeto. A banda conta com Luis Mariutti, Hanna Paulino, Hugo Mariutti, Alessandro Kelvin e Gustavo Lacerda, e a excursão começa em 11 de abril, em João Pessoa, com 16 shows confirmados até o momento. A previsão inicial vai até 29 de agosto, em São Luís, mas os próprios músicos já indicam que novas datas devem ser anunciadas.
Luis demonstrou entusiasmo com a fase atual do grupo. Segundo ele, os ensaios têm rendido muito e a banda chega mais afiada do que antes. "A expectativa é muito alta", afirmou. O baixista explicou que os shows anteriores já ajudaram a criar entrosamento e que agora o conjunto está ainda mais firme com o novo repertório.
Hanna também reforçou que a turnê foi pensada com carinho para o fã. "A gente formatou um show feito para fãs", disse. Segundo a cantora, o repertório terá os clássicos, mas não ficará preso apenas ao óbvio. Ela adiantou que haverá também material de Andre Matos solo, ampliando o sentido de homenagem ao cantor. "Vai ter muita coisa lado B", afirmou.
Ao falar de "Holy Land" e "Freedom Call", Luis lembrou que essas obras carregam um peso especial em sua trajetória. "São obras icônicas da minha carreira", disse. Ele recordou o processo intenso de criação do disco, quando o Angra se isolou por três meses em um sítio, sem telefone e sem televisão, focado apenas em música. Para ele, revisitar hoje esse material é também reencontrar um momento decisivo da própria vida artística.
Do outro lado, Hanna falou como fã e como intérprete. "Eu sou a chorona do grupo", brincou. A cantora descreveu sua presença no projeto como uma realização de sonho e disse ver tudo isso como algo que chegou na hora certa da carreira. "Eu me sinto privilegiada acima de qualquer coisa", afirmou.
Mas a parte técnica da entrevista foi a que mais rendeu. Igor perguntou diretamente sobre a dificuldade de cantar músicas originalmente gravadas por Andre Matos, especialmente dentro de um repertório conhecido por extensão, agudos e passagens pouco amigáveis para qualquer vocalista. A resposta de Hanna foi direta e didática. "Nenhuma música desse repertório é fácil", afirmou. "Não tem momento de descanso."
Ela ainda deu um exemplo específico do repertório antigo. "No nosso antigo repertório tinha 'Speed', né? Nossa, aquele final de 'Speed' é desumano", disse. Em seguida, repetiu o desabafo em tom de humor e admiração: "Precisava, meu filho? Precisava fazer isso?"
Quando Igor pediu que ela apontasse a música mais difícil, a resposta veio sem hesitação. "Acho que qualquer vocalista vai dizer que 'Fairy Tale' é a mais desafiadora", afirmou. O motivo está na reta final da composição. "Aquela modulação para o final é desumana", disse. Luis, ao lado, reforçou: "Absurdo mesmo".
O aspecto mais interessante da fala de Hanna é que ela não encara esse desafio tentando reproduzir Andre Matos como cópia. Ao contrário. A cantora fez questão de sublinhar que sua relação com esse repertório passa pela preservação da própria identidade. "Eu sou uma vocalista que não procura imitar o André", afirmou.
Segundo ela, respeitar a obra não significa apagar a própria personalidade. "Eu devo colocar a minha identidade, o meu DNA", disse. Com formação erudita, Hanna explicou que valoriza a escrita original, mas também leva para o palco sua leitura particular das canções. "Eu respeito o que está escrito na partitura, mas eu também tenho a minha própria interpretação da obra", afirmou.
Confira a entrevista abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O melhor disco do Iron Maiden, de acordo com o Ultimate Classic Rock
5 músicas de heavy metal que todo tiozão brasileiro se lembra com carinho
O vocalista que entrou em uma banda clássica no pior momento possível para o heavy metal
A melhor época do U2, de acordo com o guitarrista The Edge
"Acordo toda manhã e penso: 'Meu Deus, isso ainda continua'", diz Roger Glover
Dave Mustaine cita seus guitarristas preferidos de todos os tempos
Os cinco maiores compositores de todos os tempos para Roger Waters
Vocalista do Queensryche reconhece que maioria dos fãs só gosta dos primeiros discos
Sobre o que realmente fala o maior clássico do AC/DC
Gene Simmons diz que quem não gosta dos EUA deve voltar para "o lugar de onde veio"
Deep Purple lança "Splat!", seu disco mais pesado em muitos anos
Guitarrista não se arrepende de ter recusado proposta de voltar ao Megadeth
O melhor álbum de rock progressivo de cada ano dos anos 1970, segundo a Loudwire
O hit de 1958 que Jimmy Page e Bob Dylan concordam ser obra-prima: "Fenomenal"
O controvertido álbum dos anos setenta que Roger Waters colocou entre seus cinco favoritos

ShamAngra celebrará 30 anos do álbum "Holy Land" com 18 shows pelo Brasil
Angra anuncia relançamento de "Holy Land" em edição especial remasterizada
Afonso Nigro revela por que chamou Kiko Loureiro pro Dominó: "Preciso desse cara"
O clássico do Angra de Andre Matos que parece com faixa do "MI'RAJ", segundo Edu Falaschi
Em clima de Copa do Mundo, Angra lança videoclipe da releitura de "Pra Frente Brasil"
As Cinco Melhores Músicas de Andre Matos - Parte 1
O que difere Edu Falaschi dos outros cantores que o Angra já teve, segundo Eric Martin
Os 10 momentos mais impactantes e fundamentais do metal nacional
Fabio Lione revela característica que não curte nas vozes de Andre Matos e Tarja Turunen
Medicina, Direito e Comunismo: Rafael Bittencourt explica a origem de seu nome artístico


