A clássica música do Led Zeppelin que quase nunca apareceu nos shows por causa do John Bonham
Por Bruce William
Postado em 23 de maio de 2026
"When the Levee Breaks" parece feita para encerrar um disco. No "Led Zeppelin IV", lançado em 1971, ela entra como um peso arrastado, quase uma enchente sonora, com a bateria de John Bonham abrindo caminho antes de qualquer outra coisa. A música vinha de "When the Levee Breaks", gravada em 1929 por Memphis Minnie e Kansas Joe McCoy, mas o Zeppelin transformou aquela base de blues em algo muito mais sombrio, lento e monumental.
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O curioso é que, apesar de hoje ser uma das faixas cultuadas do álbum, ela quase não apareceu nos shows. O motivo mais provável, ressalta a Far Out, está justamente no elemento que fez a gravação ficar tão famosa: o som da bateria. Em estúdio, Bonham não foi captado como em uma sessão comum. A gravação aconteceu em Headley Grange, usando a acústica natural do lugar, com microfones posicionados no alto da escadaria e efeitos que ampliaram aquela pancada até ela soar maior do que a própria sala.
Andy Johns, engenheiro da gravação, contou que usou dois microfones Beyerdynamic M160, limitadores e um Binson Echorec comprado por Jimmy Page. Segundo ele, naquele andamento específico, os limitadores "respiravam" e o eco do Binson ajudava a criar o som característico da bateria. Johns chegou a dizer que Bonham não estava tocando exatamente aquele efeito; era o equipamento que fazia o padrão soar daquele jeito.
Isso não quer dizer que Bonham dependesse de truque para impressionar, claro. O ponto é outro: "When the Levee Breaks" era uma daquelas gravações em que a performance e o ambiente viraram uma coisa só. Tirar a música de Headley Grange e colocar em uma arena, com outro som, outro eco e outra dinâmica, era quase tentar reproduzir uma tempestade dentro de uma sala diferente.
Mesmo assim, o Led Zeppelin testou a faixa ao vivo. Um dos registros mais conhecidos vem de 18 de janeiro de 1975, no Met Center, em Bloomington, Minnesota, show que abriu a turnê norte-americana daquele ano. O próprio site oficial da banda lista "When the Levee Breaks" no repertório daquela noite, logo depois de "Over the Hills and Far Away". A página também registra a observação de que a música teria sido tocada naquela noite e na apresentação seguinte em Chicago.
A gravação de mesa desse show, que apareceu décadas depois (youtube), virou uma espécie de tesouro para fãs justamente por documentar uma raridade. A MusicRadar destacou o registro de Bloomington como uma das poucas oportunidades de ouvir "When the Levee Breaks" ao vivo com boa clareza, ao lado de outra faixa pouco frequente nos palcos, "The Wanton Song".
Ao vivo, a música não poderia soar igual ao disco, e talvez esse fosse o problema. O Zeppelin era uma banda que gostava de esticar, improvisar e transformar faixas em outra coisa no palco. "Dazed and Confused", "Whole Lotta Love" e "No Quarter" cresciam porque aceitavam mutação. "When the Levee Breaks", por outro lado, dependia de uma atmosfera muito específica. Se mudasse demais, perdia parte do encanto; se tentasse copiar o estúdio, corria o risco de parecer menor.
Por isso, ela acabou ficando como uma daquelas peças que pertencem mais ao álbum do que à estrada. O Led Zeppelin tinha repertório suficiente para escolher outros caminhos, com músicas que funcionavam melhor diante de plateias enormes e sistemas de som nem sempre amigos da sutileza. "When the Levee Breaks" não precisava ser presença fixa nos shows para se tornar clássica. Bastou aquela bateria abrindo o lado final do disco para a música ganhar o tipo de assinatura que nenhuma turnê conseguiria repetir por completo.
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