Os 3 maiores riffs de guitarra dos anos 1970, segundo o lendário Eddie Van Halen
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de agosto de 2026
Eddie Van Halen deixou claro, desde sua chegada com a regravação de "You Really Got Me" em 1978, que um novo capítulo na história da guitarra havia começado. Seus contemporâneos descreveram o impacto em termos quase religiosos. Paul Gilbert, do Mr. Big, disse que Eddie foi "como um novo sol aparecendo no céu" e que dava para sentir que o mundo nunca mais seria o mesmo. Bruce Kulick, do Kiss, afirmou ter ficado "absolutamente impressionado" e ao mesmo tempo apavorado. Joe Satriani foi ainda mais direto ao tentar explicar o fenômeno: "Por que aquele gênio simplesmente disse 'vou pegar isso e fazer assim'?"

O paradoxo de Eddie, porém, estava justamente nessa genialidade: quando apontava suas referências, não buscava complexidade. Em entrevista à Billboard, resgatada pela Far Out, o guitarrista elencou os três maiores riffs dos anos 1970, e nenhum deles é uma demonstração de técnica acrobática. São três estudos em peso, groove e eficiência.
O primeiro da lista é "Into the Void", do Black Sabbath, faixa do álbum "Masters of Reality" (1971). Para Eddie, a escolha passava diretamente por Tony Iommi. "Sem Tony, o heavy metal não existiria", disse. "Ele é o criador do pesado." Tom Taylor, autor do texto publicado pela Far Out Magazine, observa que o que Iommi fez com "Into the Void" - afinação três semitons abaixo, intervalos amplos e deliberados, um senso de massa e ameaça que tornava cada nota inevitável - foi transformar a pesadez em princípio central, acima do volume e da distorção. James Hetfield, do Metallica, chegou a chamar Iommi de "o rei do riff pesado", e Eddie endossou a avaliação sem hesitar.
O segundo é "Burn", faixa-título do álbum do Deep Purple de 1974. Eddie buscava, nas suas palavras, um nível de "poder" que "envolve você" e faz "você vibrar", e o riff de Ritchie Blackmore entrega exatamente isso. Taylor destaca que a faixa ajuda a entender como Eddie soava tão indecifrável: Blackmore atinge ali cerca de 196 BPM com uma ideia construída essencialmente sobre dois dedos. Velocidade extrema a partir de economia máxima de movimento. É o mesmo princípio que Eddie aplicaria no próprio estilo.
O terceiro é "Down Payment Blues", do AC/DC, de 1978 - mesmo ano do lançamento do debut do Van Halen. Eddie a chamou de "um dos meus favoritos de todos os tempos". Construída em power chords em posição aberta, a faixa é obra de Malcolm Young e funciona mais no ritmo do que na melodia, avançando numa cadência que a Far Out descreve como o clima de um pub na sexta-feira após o expediente. É a mais distante do estereótipo de "grande riff" - e talvez por isso seja a escolha mais reveladora da lista. Eddie admirava acima de tudo a execução a serviço do groove, não do exibicionismo, e o AC/DC estava entre suas bandas favoritas justamente por isso.
A lista, lida em conjunto, diz tanto sobre o gosto de Eddie quanto sobre a maneira como ele entendia a guitarra. Ele chegou ao topo sendo o guitarrista mais rápido e técnico de sua geração, mas seus modelos eram músicos que faziam o máximo com o mínimo. "Você podia sentir que o mundo nunca mais seria o mesmo", disse Paul Gilbert sobre a chegada de Eddie. O próprio Eddie, ao olhar para trás, apontava para os ombros em que havia subido.
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