O rival que Eddie Van Halen achava sem feeling: "Será que é assim que me enxergam?"
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de agosto de 2026
Técnica e velocidade nunca foram suficientes para definir os grandes guitarristas do rock. Eddie Van Halen tinha conhecimento de sobra sobre o assunto: além de transformar a maneira como o instrumento era tocado a partir do final dos anos 1970, construiu um estilo em que virtuosismo, melodia e personalidade caminhavam juntos. Por isso, quando ouviu Steve Vai tocando seu repertório, reconheceu imediatamente uma capacidade técnica extraordinária - mas também enxergou algo que, em sua opinião, estava faltando.

Em matéria assinada por Tom Taylor e publicada pela Far Out, foi recuperada uma declaração de Eddie sobre Vai, que entrou para a banda de David Lee Roth depois que o vocalista deixou o Van Halen em 1985. Ao ouvir o guitarrista executando aquele material, Eddie chegou a admitir que estava diante de alguém capaz de levar suas próprias técnicas ainda mais longe. "Eu pensei: 'Esse cara é melhor no que eu faço do que eu mesmo'", afirmou.
A impressão mudou conforme Eddie prestou mais atenção à maneira como Vai tocava. Embora reconhecesse a precisão e a velocidade do músico, ele sentia falta justamente do componente menos mensurável da guitarra. "Faltava a vibe, o feeling. Ele era tecnicamente muito competente, mas rígido", disse. Para Eddie, Vai havia absorvido elementos de sua linguagem e os levado a um nível técnico impressionante, porém com um resultado que considerava excessivamente calculado.
A comparação chegou a provocar uma insegurança no próprio Eddie. "Isso sempre me fazia sentir mal, de certa forma, porque me fazia pensar: 'Uau, será que é assim que as pessoas me enxergam?'. Porque, para mim, ouvindo ele, não soava como eu. Mas ele pegou meus recursos, por assim dizer, tornou tudo muito robótico e fez duas vezes mais rápido", explicou o guitarrista.
Steve Vai já havia demonstrado muito antes dessa fase que técnica não seria um problema em sua carreira. Ainda jovem, chamou a atenção de Frank Zappa e passou a trabalhar com o músico, enfrentando arranjos e exigências instrumentais pouco convencionais. Posteriormente, além da parceria com David Lee Roth, construiu uma carreira solo que o consolidou como um dos principais virtuoses de sua geração.
Curiosamente, o próprio Vai já destacou a importância do elemento que Eddie considerava essencial. Ao apontar a apresentação de "Machine Gun", de Jimi Hendrix no Fillmore East, como uma referência máxima de guitarra, Vai observou que reproduzir as notas de Hendrix não significa reproduzir sua execução. Para ele, características como toque, groove, escolha de notas e capacidade de controlar o caos sonoro tornavam aquela performance praticamente impossível de copiar.
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