A música em que o Led Zeppelin tentou dar uma resposta aos punks, mas era tarde demais
Por Bruce William
Postado em 01 de junho de 2026
Quando o punk explodiu na segunda metade dos anos 70, muita gente olhou para bandas como Led Zeppelin, Pink Floyd e Yes como se elas fossem dinossauros ocupando espaço demais. A resposta vinha em forma de músicas curtas, três acordes, letras raivosas e uma recusa deliberada ao virtuosismo que havia tomado conta de parte do rock. Era como se uma nova turma estivesse dizendo: chega de solos longos, discos conceituais e gente rica fingindo perigo.
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O Led Zeppelin não ficou exatamente quieto diante disso. "Wearing and Tearing" nasceu nesse clima, como uma espécie de resposta da banda ao punk. A faixa foi gravada no fim dos anos 70, durante o período ligado a "In Through the Out Door", mas acabou ficando de fora do álbum e só apareceu oficialmente em "Coda", coletânea lançada em 1982, depois da morte de John Bonham e do fim do grupo.
Robert Plant gostava da música justamente por enxergá-la como uma provocação. Para ele, o Zeppelin podia entrar naquela área e mostrar que também sabia tocar rápido, seco e agressivo, sem precisar pedir licença aos novos donos da raiva. "Eu adoro 'Wearing and Tearing', que Page e eu escrevemos juntos", disse Plant, em fala publicada na Far Out. "Estávamos muito irritados com toda aquela coisa punk, dizendo: 'O que esses ricaços sabem?'"
A frase tem uma ironia boa, porque o próprio Led Zeppelin já era um monstro de arenas naquele momento, exatamente o tipo de banda que o punk gostava de atacar. Plant, porém, parecia incomodado com a pose de autenticidade absoluta da nova geração. Ele ainda completou: "Primeiro, nós sabíamos que não tínhamos tanta grana assim. Segundo, nós sabíamos mais sobre psychobilly do que eles."
Jimmy Page, ao que parece, não tinha o mesmo entusiasmo total pela faixa. A ideia de fazer uma música "punk" dentro do Led Zeppelin carregava certo risco: poderia soar como piada, resposta apressada ou tentativa de entrar em uma briga que nem era mais deles. Ainda assim, "Wearing and Tearing" tem sua graça exatamente por ser uma peça fora do lugar. Não é o Zeppelin místico de "Kashmir", nem o blues pesado de "Since I've Been Loving You", nem a grandiosidade de "Achilles Last Stand". É a banda acelerando como se quisesse cutucar uma cena que havia decidido enterrá-la antes da hora.
Havia planos de lançar a música como single gratuito em 1979, coincidindo com a participação do Led Zeppelin no festival de Knebworth, mas isso não aconteceu. Se tivesse saído naquele momento, talvez a faixa tivesse sido entendida de outro jeito: não como sobra póstuma de "Coda", mas como um recado direto ao punk, vindo de uma banda que ainda queria provar que não estava pronta para virar peça de museu.
No fim, "Wearing and Tearing" não mudou a história do Led Zeppelin, nem convenceu punks de que Page, Plant, Jones e Bonham eram companheiros de trincheira, até por ter saído tarde demais, quando o movimento efetivamente já havia sido consolidado e até mesmo entrado na história. Mas ela registra um momento curioso: uma banda gigante, cansada de ser tratada como parte do passado, respondendo com barulho curto e nervoso. O punk queria derrubar os velhos ídolos; o Zeppelin, nesse caso, preferiu dar uma acelerada e mostrar que ainda podia morder, mesmo que a mordida viesse meio atravessada.
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