As bandas cultuadas que Mark Knopfler não curte por serem o oposto do que ele busca na música
Por Bruce William
Postado em 14 de maio de 2026
Mark Knopfler nunca pareceu muito interessado em disputar quem aparecia mais na foto. Mesmo quando o Dire Straits virou uma banda gigantesca, especialmente depois de "Brothers in Arms", sua imagem continuou ligada a uma ideia mais discreta de músico: guitarra limpa, mão direita sem palheta, narrativas cheias de personagens e uma certa recusa em transformar tudo em espetáculo de vitrine. Isso ajuda a entender por que algumas bandas muito associadas ao brilho dos anos 80 podiam soar, para ele, como um universo estranho demais.
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A Far Out reuniu cinco nomes que Knopfler teria visto com pouca simpatia: Duran Duran, Spandau Ballet, Steely Dan, Frankie Goes to Hollywood e Culture Club. A lista não deve ser lida como se ele tivesse passado a carreira inteira fazendo campanha contra esses artistas. Knopfler nunca foi exatamente um falastrão profissional, daqueles que vivem distribuindo pedrada em entrevista. Mas havia uma diferença clara entre o tipo de música que ele buscava e o pop visual, fabricado ou excessivamente preocupado com a imagem que dominou parte daquela década.
Duran Duran e Spandau Ballet entram nessa história justamente por representarem, para muitos músicos de outra escola, uma virada em que roupa, vídeo, pose e acabamento pareciam pesar tanto quanto a canção. É claro que isso não impede que as duas bandas tenham deixado hits enormes e seguidores fiéis. Mas, olhando pelo filtro de Knopfler, dá para imaginar a distância: de um lado, um guitarrista formado por blues, folk, country, rock antigo e música de raiz; do outro, grupos ligados à cultura visual da MTV e ao pop britânico mais elegante, onde o pacote era parte central do produto.
Culture Club e Frankie Goes to Hollywood cairiam em uma prateleira parecida, embora por motivos diferentes. No caso de Boy George e companhia, havia o choque entre a ideia de autenticidade defendida por músicos como Knopfler e uma banda cuja imagem era inseparável da música. Já Frankie Goes to Hollywood estourou com "Relax", uma faixa cercada de controvérsia, sexualidade explícita para os padrões da época e um impacto cultural que foi muito além dos instrumentos. Para quem via música como ofício, som e composição antes de qualquer manifesto visual, aquilo podia parecer mais barulho de marketing do que canção.
O caso mais interessante, porém, é Steely Dan, porque aqui não se trata exatamente de "não suportar" a banda. Knopfler participou de "Gaucho", tocando guitarra em "Time Out of Mind", e a experiência foi tudo menos simples. Ele descreveu a sessão como algo estranho, comparando o processo a "entrar em uma piscina com pesos de chumbo amarrados à bota". A frase denota claramente um certo cansaço diante de uma dupla conhecida por levar o perfeccionismo de estúdio a níveis quase laboratoriais.
Walter Becker chegou a reconhecer que Knopfler ficou frustrado naquele ambiente, porque tocava algo, não recebia uma resposta clara, e depois eles podiam decidir que gostavam daquilo. Para um músico como Knopfler, acostumado a uma forma mais narrativa e orgânica de tocar, a dinâmica de Donald Fagen e Becker podia parecer uma sala sem janelas: tudo tecnicamente sofisticado, mas emocionalmente difícil de atravessar. O problema não era falta de admiração por bons músicos; era o método, a tensão e a sensação de não saber exatamente o que esperavam dele.
Essa diferença também explica por que o Dire Straits, mesmo quando ficou milionário, nunca se encaixou completamente no pop de aparência mais brilhante dos anos 80. O clipe de "Money for Nothing" até usou a linguagem da MTV e virou um marco daquele período, mas a banda vinha de outro lugar. "Sultans of Swing", ainda no começo, já mostrava Knopfler escrevendo sobre músicos de pub, observação de rua e guitarra conversando com a letra. A estética era quase o inverso de boa parte dos nomes que a Far Out coloca como seus alvos de antipatia: menos passarela, mais esquina.
Essa lista acaba dizendo mais sobre o instinto de Knopfler do que sobre a qualidade real dessas bandas. Duran Duran, Spandau Ballet, Culture Club e Frankie Goes to Hollywood tiveram importância própria dentro do pop britânico, enquanto o Steely Dan ocupa um lugar quase sagrado para quem gosta de sofisticação harmônica e obsessão de estúdio. Mas Knopfler vinha de outra ética musical. Para ele, a canção precisava parecer vivida, tocada por alguém que acreditava no que estava fazendo, sem depender tanto do brilho externo. Talvez por isso algumas dessas bandas soassem, aos seus ouvidos, como uma festa bem iluminada demais, daquelas em que a guitarra entra, olha em volta e prefere ir embora antes do primeiro drink.
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