As bandas seminais de rock que Sting abominava; "eu simplesmente odiava"
Por Bruce William
Postado em 12 de maio de 2026
Sting ficou mundialmente conhecido com o The Police, uma banda que nasceu no ambiente do punk e da new wave, mas nunca coube direito dentro dessas gavetas. Havia reggae, pop, jazz, economia instrumental e um tipo de tensão que não dependia de guitarras gigantescas para funcionar. Em parte, isso vinha da própria formação de seus integrantes, especialmente de Sting, que antes de virar astro do rock já havia passado por caminhos bem diferentes.

Antes do The Police, ele tocou jazz, trabalhou como músico de apoio e passou por repertórios que iam muito além do rock. Essa bagagem ajudou a moldar seu jeito de compor e tocar baixo, mais interessado em espaço, síncope e movimento do que em peso puro. Por isso, não chega a surpreender que ele não se visse representado por parte do rock dominante do começo dos anos 1970.
Em entrevista resgatada pela Far Out, Sting foi bem claro ao falar sobre o tipo de música que não lhe dizia nada naquela fase. "Eu toquei Dixieland, mainstream, bebop, free-form, toquei em big band. Também toquei como músico de apoio para vários artistas de cabaré. Foi uma formação muito rica, totalmente fora do rock and roll. Eu não estava interessado em rock'n'roll. Os dias gloriosos para eu me interessar por rock foram o começo dos anos 70. Eu achava o rock da época abominável. Era Led Zeppelin, Deep Purple - música que eu simplesmente odiava."
A fala pega pesado porque cita duas bandas que, para muita gente, estavam justamente ampliando a linguagem do rock naquele período. Led Zeppelin e Deep Purple ajudaram a definir o hard rock pesado e abriram caminhos que depois seriam ligados ao heavy metal. Mas, para Sting, vindo de outro universo, aquele som parecia talvez exagerado, grandioso demais e distante da sofisticação rítmica que ele procurava.
O curioso é que o The Police também não era exatamente uma banda simples. "Walking on the Moon", "Message in a Bottle" e "Driven to Tears" mostram um grupo capaz de trabalhar repetição, espaço e tensão sem precisar recorrer ao peso mais tradicional. Andy Summers vinha de uma escola muito diferente da de um guitarrista típico de punk, Stewart Copeland tinha um ataque de bateria cheio de acentos pouco óbvios, e Sting escrevia linhas de baixo que muitas vezes carregavam a música tanto quanto a voz.
Nesse sentido, a rejeição de Sting ao Zeppelin e ao Purple diz mais sobre o que ele buscava do que sobre a qualidade dessas bandas. Jimmy Page e Ritchie Blackmore também tinham seus momentos de invenção, e seria difícil reduzir qualquer um dos dois a simples exibicionismo. Mas Sting parecia interessado em outro tipo de risco musical: menos volume e épico, mais precisão, espaço e mistura de referências.
Também há um choque de geração e de ambiente. O começo dos anos 70 ainda tinha o rock de arena crescendo, solos longos, improvisos, discos ambiciosos e bandas tentando soar cada vez maiores. Poucos anos depois, o punk atacaria justamente esse gigantismo, ainda que Sting nunca tenha sido um punk "puro" no sentido mais bruto da palavra. Ele aproveitou aquela abertura de época, mas trouxe para dentro dela uma formação que passava por jazz, reggae e pop.
No fim das contas, é uma daquelas opiniões duras que ajudam a explicar um artista. Sting podia odiar Led Zeppelin e Deep Purple naquela fase, mas também acabou criando uma música que não existiria sem o incômodo com o que estava ao redor. O The Police não tentou competir com o peso dos anos 70. Preferiu tocar mais seco, mais nervoso e mais arejado - e talvez tenha sido justamente essa distância do hard rock que fez a banda soar tão diferente quando apareceu.
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