As quatro músicas do Led Zeppelin que Robert Plant escolheu para cada integrante
Por Bruce William
Postado em 24 de junho de 2026
Escolher as melhores músicas do Led Zeppelin costuma virar uma briga sem fim, porque a banda não construiu sua reputação em cima de um único tipo de grandeza. Havia o peso de "Whole Lotta Love", a viagem de "Kashmir", o drama de "Since I've Been Loving You", a construção de "Stairway to Heaven" e a pancada quase física de tantas outras. Cada fã monta seu próprio mapa.
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Robert Plant já foi convidado a fazer um recorte diferente. Em vez de simplesmente listar favoritos, ele escolheu músicas que representavam cada integrante do Led Zeppelin em grande forma. A seleção é curiosa porque foge de algumas respostas óbvias e mostra como ele enxergava a contribuição individual dentro daquele organismo barulhento.
Para si mesmo, Plant escolheu "The Ocean", do álbum "Houses of the Holy", lançado em 1973. A faixa tem um clima mais direto, quase celebratório, com um pé no rock and roll antigo e outro no deboche de uma banda que já sabia manipular estúdio, dinâmica e expectativa. Plant falou da influência do rock and roll e do rockabilly, mas também destacou o uso de efeitos na voz.
"Havia alguns efeitos de eco incríveis", disse ele a Tony Bacon (via Far Out). "Eles prometiam algo que na verdade não era real, sabe? A própria ideia de colocar um efeito na voz, nesse país das maravilhas de sonho, essa promessa de amor seguro e sem lágrimas, seja lá o que for."
Para John Bonham, a escolha foi "The Crunge", também de "Houses of the Holy". A música nasceu como uma espécie de brincadeira funk atravessada pelo humor do Zeppelin, mas Plant enxergava ali um exemplo claro do instinto de Bonham. "O que Bonzo faz é ótimo. Sem nem precisar pensar, ele chegava a algo tão… o trabalho dele era tão excessivamente adequado, tão extremo e ainda assim tão contido."
A parte de Jimmy Page ficou com "In My Time of Dying", de "Physical Graffiti". Não é uma escolha pequena: a faixa tem mais de onze minutos, mergulha no blues antigo e deixa Page trabalhar o slide com uma sujeira controlada, como se a banda estivesse prestes a sair dos trilhos e, ao mesmo tempo, soubesse exatamente onde pisar. Plant resumiu como "um blues slide grande, cambaleante, direto do topo".
John Paul Jones foi representado por "The Song Remains the Same", abertura de "Houses of the Holy". Plant disse que Jones "se superou" ali e o chamou de "um grande técnico de uma escola de baixo estudado". É uma lembrança importante, porque Jones muitas vezes ficava menos exposto na mitologia do grupo, embora sua precisão, seu conhecimento harmônico e seus arranjos fossem essenciais para que o Zeppelin pudesse mudar de forma sem perder o chão.
A lista também mostra o carinho de Plant por "Houses of the Holy". Três das quatro escolhas vêm desse álbum, que nem sempre recebe a mesma reverência automática de "Led Zeppelin IV" ou "Physical Graffiti", mas captura a banda num momento de expansão. O Zeppelin ali já não precisava provar que era pesado. Podia brincar com funk, reggae, folk, eco, fantasia e rock and roll sem pedir licença.
No fim, as escolhas de Plant dizem tanto sobre as músicas quanto sobre a química da banda. Bonham era força e instinto; Page, risco e arquitetura; Jones, controle e inteligência musical; Plant, teatro, voz e imaginação. O Led Zeppelin funcionava porque essas quatro forças não se anulavam. Elas se chocavam até virar som.
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