As músicas mais progressivas de 5 bandas que não são de rock progressivo
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de julho de 2026
Rock progressivo costuma remeter imediatamente a nomes como Yes, Genesis, King Crimson e Emerson, Lake & Palmer. Longas composições, mudanças de andamento, estruturas pouco convencionais e virtuosismo instrumental ajudaram a estabelecer a identidade do gênero. Mas algumas bandas que seguiram caminhos bem diferentes também resolveram, ocasionalmente, complicar as coisas.

A Loudwire selecionou a música mais progressiva de cinco bandas que não são normalmente classificadas como prog. A lista passa por punk, hard rock, rock alternativo e psicodelia, mostrando momentos em que artistas conhecidos por propostas mais diretas resolveram experimentar estruturas ambiciosas, múltiplas partes e arranjos fora de seus padrões habituais.
O No Doubt aparece com "Tragic Kingdom", faixa-título do álbum de 1995. Apesar de o grupo ter outras músicas com elementos mais elaborados, como "Sunday Morning", "Big Distraction" e "Ex-Girlfriend", a publicação aponta a composição que encerra o disco como seu mergulho mais evidente no progressivo. Metais dramáticos, mudanças de dinâmica e uma estrutura pouco convencional afastam a faixa do ska punk normalmente associado à banda.
No caso do Led Zeppelin, a escolhida é "Achilles Last Stand", de "Presence" (1976). "Stairway to Heaven", "Kashmir", "No Quarter" e "Carouselambra" poderiam disputar a posição, mas a faixa de mais de dez minutos ganhou a preferência da Loudwire por sua extensão épica, motivos recorrentes, mudanças instrumentais e pelo trabalho de Jimmy Page e John Bonham. Robert Plant chegou a definir a composição como um "prog rock enlouquecido".
O Grateful Dead entra com "Terrapin Part 1", de "Terrapin Station" (1977). Ao longo de três décadas, o grupo passou por blues, folk, psicodelia, jazz, country e jam rock, mas a composição escolhida acrescentou elementos progressivos a essa mistura. Orquestrações, diferentes movimentos, guitarras de Jerry Garcia e mudanças constantes ajudam a transformar a faixa em uma das experiências mais ambiciosas do catálogo da banda.
Já o Green Day aparece com "Homecoming", de "American Idiot" (2004). Com quase dez minutos e dividida em cinco partes, a música troca o formato compacto do punk rock por uma pequena suíte. Mudanças rítmicas, diferentes seções vocais e instrumentos como glockenspiel, saxofone e sinos aparecem ao longo da composição. A Loudwire também menciona "Jesus of Suburbia" como candidata, mas considera "Homecoming" ligeiramente mais progressiva.
Fechando a seleção está "Halo of Flies", do Alice Cooper, lançada em "Killer" (1971). Nesse caso, a intenção progressiva não foi exatamente acidental. Alice Cooper já explicou que a composição surgiu como uma tentativa da banda de provar que era capaz de executar suítes de rock progressivo ao estilo do King Crimson. Guitarras dissonantes, mudanças bruscas, passagens psicodélicas e diferentes movimentos ajudaram a chegar ao resultado.
As escolhas mostram que o progressivo nunca precisou ficar restrito às bandas oficialmente colocadas dentro do gênero. Led Zeppelin e Alice Cooper fizeram essas experiências ainda durante o auge do prog nos anos 1970, enquanto Green Day demonstrou décadas depois que até uma banda associada ao punk poderia transformar uma música de quase dez minutos em peça fundamental de um de seus discos mais populares.
As cinco escolhas da Loudwire são:
No Doubt – "Tragic Kingdom"
Led Zeppelin – "Achilles Last Stand"
Grateful Dead – "Terrapin Part 1"
Green Day – "Homecoming"
Alice Cooper – "Halo of Flies"
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