O que Jimi Hendrix tocou exatamente antes de destruir a própria guitarra em 1967
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de agosto de 2026
Em junho de 1967, Jimi Hendrix já era nome estabelecido no circuito europeu, mas seguia relativamente desconhecido em seu próprio país. Havia deixado os Estados Unidos rumo a Londres um ano antes, onde construiu reputação rapidamente - inclusive conquistando o respeito de Eric Clapton após aparecer sem convite em uma apresentação do Cream. O Festival Internacional de Pop de Monterey, na Califórnia, mudaria essa equação de vez.
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O evento reuniu ao longo de três dias nomes como Janis Joplin, Otis Redding e The Who, com executivos de gravadoras e imprensa americana acompanhando cada apresentação. A Jimi Hendrix Experience - formada pelo guitarrista, o baixista Noel Redding e o baterista Mitch Mitchell - já tinha três singles no Top 40 britânico, mas nada equivalente nos Estados Unidos.
O set de nove músicas misturou blues, rock e pop contemporâneo, incluindo uma leitura de "Like a Rolling Stone", de Bob Dylan. A abertura foi feroz: "Killing Floor", clássico do bluesman de Chicago Howlin' Wolf, sinalizando desde o início o que viria pela frente.
A última música da noite foi "Wild Thing", sucesso psicodélico eternizado pelo The Troggs. Antes de começar, porém, Hendrix se virou para a plateia e fez um anúncio que soava como ameaça. "Eu vou sacrificar aqui uma coisa que eu realmente amo, ok?"
O que veio depois se tornou parte da mitologia do rock. Ao fim da execução, o guitarrista começou a golpear sua Stratocaster de 1965 contra o palco. Em seguida, encharcou o instrumento com fluido de isqueiro e ateou fogo. Com as chamas subindo, ajoelhou-se sobre a guitarra em chamas para se despedir dela com um beijo - antes de voltar a destruí-la, agora em pedaços incandescentes.
A apresentação inteira durou cerca de 45 minutos, mas foram esses minutos finais que definiram a imagem de Hendrix para sempre. Fotógrafos registraram a cena do guitarrista ajoelhado ao lado do instrumento em chamas, sua silhueta contornada pelo fogo. As imagens estão entre as mais reconhecíveis de toda a sua trajetória.
Jake Fitzpatrick, da Far Out Magazine, autor do texto, aponta o significado maior do gesto: a apresentação finalmente apresentou Hendrix aos Estados Unidos do mesmo modo como ele já havia sido apresentado à Inglaterra - como algo completamente diferente de tudo. Ele encerrou o show literalmente destruindo o instrumento que o havia tornado famoso.
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