2017: os álbuns favoritos do redator Victor de Andrade Lopes
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Facebook
Postado em 30 de dezembro de 2017
Esta lista não deve ser entendida como uma lista de "melhores", até porque, elas só servem para gerar polêmica nos comentários e vêm sempre recheadas com os mesmos nomes óbvios de sempre para fazer média com as gravadoras e agradar o maior número possível de leitores.
Os itens abaixo foram selecionados e ordenados seguindo exclusivamente meu gosto como fã, e não minha análise como jornalista – embora alguns comentários se baseiem em minhas próprias resenhas dos mesmos, que você pode conferir no meu blog Sinfonia de Ideias ou aqui mesmo no Whiplash. Foi bastante difícil ter que deixar alguns ótimos lançamentos de fora, como Apex do Unleash the Archers, Will do Special Providence, Phases do Next to None e The Illuminated Sky do Prospekt, mas a lista tinha que sair. Quem sabe você não conhece algo novo aqui?
Melhores e Maiores - Mais Listas
PS: O ranking original foi publicado em meu perfil no Facebook e conta com alguns artistas de outros gêneros, além de uma lista de top 10 músicas:
https://www.facebook.com/victordalopes/posts/10156294293667494
10. Machine Messiah – Sepultura
Como é bom ver que o Sepultura, motivo de orgulho nacional, continua em forma e lançando ótimos materiais, a despeito da falsa imagem que as viúvas de Max Cavalera tentam pintar do quarteto hoje. Mantendo a tradição de incorporar elementos "estranhos" ao thrash (como alas de cordas e ritmos brasileiros), os mineiros (ainda podemos chamá-los assim?) se mostram cada vez mais maduros e bem azeitados para quem ouve com atenção e sem "clubismo".
9. Step Into Light – Fastball
Fastball, a melhor banda estadunidense de rock da qual você nunca ouviu falar, lançou, depois de oito anos, um álbum gostoso de ouvir com o melhor do pop rock tiozão. Temos aqui três amigos de longa data que nos brindam com um lançamento bastante aguardado por seu punhado de fãs e que se revelou melhor que a encomenda, mantendo a essência do trio ao mesmo tempo em que evidencia o crescimento pelo qual passaram nesses quase 10 anos sem inéditas.
8. Sons of Apollo – Psychotic Symphony
Vocês conhecem o protocolo: todo ano, o baterista Mike Portnoy fundará uma banda. E desta vez (só desta?), ele não estava brincando: juntou num mesmo grupo o vocalista Jeff Scott Soto, o guitarrista Ron "Bumblefoot" Thal, o baixista Billy Sheehan e o tecladista Derek Sherinian. O resultado deste encontro de titãs não foi a obra prima do metal progressivo que muitos esperavam, mas sim uma mistura muito espontânea de hard com prog, que com certeza fará a cabeça da maioria dos ouvintes balançar.
7. The Knife – Goldfinger
Com uma nova formação de supergrupo, o Goldfinger, expoente do ska punk, lançou seu primeiro álbum em nove anos - e a espera valeu a pena. Equilibrando skas bem praianos com faixas de punk direto improvável para um grupo liderado por um cinquentão, com várias delas trazendo participações especiais de peso, The Knife se mostrou um dos melhores trabalhos do gênero nesta década.
6. Architecture of a God – Labyrinth
Num raro exemplo de trabalho sugerido por gravadora que deu certo, o sexteto italiano Labyrinth (que estava basicamente reduzido aos guitarristas Andrea Cantarelli e Olaf Thorsen) chamou de volta o vocalista Roberto Tirant, recrutou um novo trio para o baixo, o teclado e a bateria e botou no mercado um ótimo álbum de power metal que é presença obrigatória em listas de top 10 voltadas exclusivamente para a vertente, especialmente num ano em que nenhum medalhão dela lançou discos novos - exceto talvez pelo Edguy, como você verá mais abaixo.
5. Cartélico Vol.1 - Fronteira, Trago & Querência – Cartel da Cevada
Um grande lançamento do rock/metal nacional que passou um tanto
despercebido na imprensa especializada foi o segundo disco dos gaúchos do Cartel da Cevada. Conceitual, o álbum nos leva a uma viagem pela cultura do estado mais meridional do Brasil, brindando-nos com algumas participações especiais e muitas incorporações de música típica ao heavy metal do grupo, o que ajudou e muito a elevar o nível deste grande trabalho.
4. Unlikely – Far From Alaska
Indiscutivelmente um dos lançamentos mais antecipados do rock nacional em 2017, Unlikely não só atendeu a todas as expectativas como de quebra ainda se mostrou um trabalho que é muito mais a cara da banda potiguar radicada em São Paulo. Todo o projeto visual envolvendo o produto parece bem mais condizente com a imagem que os membros passam em entrevistas e nas redes sociais. Qual é o limite para este quinteto?
3. Pacifisticuffs - Diablo Swing Orchestra
Como uma banda tão diferentona conseguiu fazer um disco tão imediatamente agradável? Fechando o ano com chave de ouro, o Diablo Swing Orchestra estreou seu novo vocal feminino com um lançamento que briga com o antecessor Pandora's Piñata pelo posto de melhor álbum deles. Nem sinto a necessidade de convidar o leitor a "deixar preconceitos de lado" e outros papos clichês que usamos para bandas exóticas. Alguém em sã consciência rejeitaria esta charmosa, simpática e sedutora mistura de rock, metal, swing, jazz e erudito?
2. Reaching into Infinity – Dragonforce
2017 foi o ano do melhor disco do DragonForce e esse marco tem um nome: Frédéric Leclercq. O baixista vem ganhando cada vez mais espaço na banda e assumiu aqui o posto de principal compositor. Até guitarras ele está tocando um pouco. E a sua forte influência thrash começa a se manifestar cada vez mais, sem tirar a essência power metal que fez do sexteto o que ele é hoje. Reaching into Infinity é uma cacetada atrás da outra e se você rejeitava o grupo por considerá-lo infantil ou forçado, esta é a sua chance de evitar que bom material passe batido.
1. The Source – Ayreon
Com um time de estrelas (que eu não enumerarei aqui para não inchar o parágrafo), o gênio holandês Arjen Anthony Lucassen fez o que faz há 20 anos: entregou um puta disco, bom do começo ao fim e que extrai o melhor dos convidados - incluindo alguns versos em árabe do tunisiano Zaher Zorgati, um momento brevíssimo, mas emblemático num ano em que a islamofobia europeia perdeu de vez a vergonha de se manifestar. Riffs matadores, passagens serenas, solos memoráveis, refrãos pegajosos, elementos folk, performances inspiradas dos convidados... Tudo isso ajudou The Source a ficar na colocação máxima desta humilde lista.
Menção honrosa: Monuments – Edguy
Pode parecer estranho uma mera coletânea constar numa lista de melhores do ano, mas... esta não é uma coletânea qualquer. Em primeiro lugar, ela traz cinco faixas novas - todas ótimas. Em segundo lugar, o álbum foi lançado em um pacote que vem com outros materiais, incluindo um livro fotográfico. E contrariando as previsões da gravadora, o produto vendeu bem e figurou em várias paradas, mostrando que lançamentos elaborados ainda têm vez no mercado atual, mesmo quando não vêm com muitas inéditas. Por fim, há de se considerar ainda a curadoria feita para a lista de faixas, que privilegiou os melhores momentos de fato do grupo. É claro que algumas joias ficaram de fora, mas uma compilação que se propõe a abranger 10 discos invariavelmente terá de ser muito seletiva.
Revelação: INHEAVEN – INHEAVEN
Confesso que não sei o que é que me fisgou neste grupo britânico. Pode ser a crueza e a energia típicas daquela ponte que existe entre o punk inglês e o britpop, ou talvez a capacidade para incorporar elementos indie e moderninhos sem comprometer o som. Seja qual for o motivo, dê uma chance a este ótimo grupo estreante.
Revelação nacional: Nenhuma!
Confesso, extremamente constrangido por ser um jornalista que se considera antenado, que não fiquei sabendo de nenhum bom lançamento de estreia do rock/metal nacional. Muitos grupos relativamente novos lançaram material inédito em 2017, é verdade, e eu mencionei dois na lista acima, mas neste campo só entram discos que sejam os primeiros de seus artistas. Você pode ajudar este jornalista desesperado nos comentários, divulgando estreias legais de bandas desse nosso Brasilsão. Quem sabem um dia elas não sejam resenhadas por mim?
Grande decepção: One More Light – Linkin Park
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"Cada single que saía, doía no coração". É o que talvez diria Adoniran Barbosa se fosse fã do Linkin Park e acompanhasse a divulgação de One More Light, um dos maiores micos da história do rock/metal. A tragédia que é esse trabalho fica ainda maior quando constatamos que ele será o último da carreira do vocalista Chester Bennington, morto dois meses após o lançamento. Pop genérico, instrumentos escondidos debaixo de toneladas de eletrônicos, total desprezo pelo passado do próprio sexteto... Céus, como esse disco é ruim.
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