Rock and Roll e loucura: cinco faixas clássicas sobre insanidade (parte 1)

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Por Paulo Severo da Costa
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"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música" (Nietzsche)

Louco/gênio, normal/anormal, anti comercial/vanguarda- rótulos dessa categoria fazem parte do cotidiano desde que nossa arrogante espécie antropocentralizou geral e preferiu etiquetar comportamentos a pensar nas idiossincrasias individuais. Se enquanto epifenômeno indivíduos são classificados como outsiders e outliers, a imolação do coletivo levou, em um primeiro momento, sujeitos como HITLER e STALIN à postos temporários de líderes visionários; e gênios como SALVADOR DALI aos porões da anormalidade e do exílio social.

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Intrínseco ao rock and roll, o tema da insanidade permeia o gênero desde seu nascimento. Assim como SARAMAGO aventou que "O sofrimento em silêncio causa uma doença silenciosa- a insanidade mental", extravasar sobre diferenças sociais, apartheid, dúvidas existenciais, entraram camufladas no mainstream, mas foram rapidamente captadas pelas antenas do staus quo, simbolizadas desde as quebras de discos dos anos 50 ao rídiculo PMRC nos anos oitenta. Cumprindo seu papel de ovelha negra no meio musical, o gênero dos excluídos produziu clássicos sobre a loucura e, como um "maníaco" por listas, relacionei abaixo cinco delas:

1) "Brain Damage"
PINK FLOYD
"Dark Side Of The Moon" (1973)

SYD BARRET personificou o primeiro outsider devidamente auto declarado do rock and roll. Se o vedetismo de LITTLE RICHARD ou o comportamento errático de JERRY LEE LEWIS ficavam no limite entre recurso cênico e doideira geral, o primeiro guitarrista do PINK FLOYD entrou rasgando no psicodelismo com os dois pés. Inspiração para clássicos posteriores como "Shine On Your Crazy Diamond", BARRET foi motivo para a confecção de versos como "Você levanta a lâmina, você faz a mudança" (alusão a lobotomia) e "E se a sua banda começar a tocar diferentes melodias"(referência ao fato de que o guitarrista insistia em tocar acordes totalmente diferentes do que faziam os demais membros do FLOYD) deram o tom ao claro/escuro da indecifrável e lisérgica mente do ex-membro.

2) "All The Madmen"
DAVID BOWIE
"The Man Who Sold The World" (1970)

Inspirada em um drama familiar pessoal, BOWIE compôs uma canção sobre seu meio-irmão, TERRY BURNS , que sofria de problemas mentais desde a infância e se suicidaria, colocando a cabeça a ser esmagada a ser esmagada por um trem, após fugir das dependências de um hospital psiquiátrico em 1985. Em versos como "Eu prefiro ficar aqui/Com todos os loucos/A perecer com os homens tristes que vagam livres/E eu prefiro brincar aqui/Com todos os loucos/Porque eu estou bem contente/Por serem são tão sãos quanto eu", BOWIE sintetizou o isolacionismo e a inabilidade da sociedade em lidar com o que é diverso do padrão.

3) "Balada do Louco"
OS MUTANTES
"Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets" (1972)

Se SYD BARRET foi o referencial britânico da imersão química sem volta, ARNALDO BAPTISTA não fica para trás nos aspectos de genialidade/desbunde total. Genial e instável, BAPTISTA permeou sua carreira pela total ausência de divisão entre ruídos, sons, ritmos e cadências harmônicas absurdamente inusitadas (brutalmente retratado no clássico "Lóki?" de 1974) e a instabilidade emocional que o levou à um tentativa frustrada de suicídio em 1982. Ainda que creditada em parceira com RITA LEE, o verso inicial ("Dizem que sou louco /por pensar assim") denuncia de cara o auto-retrato de um artista - que seria reverenciado por KURT COBAIN, DAVID BYRNE e SEAN LENNON, entre outros, décadas depois.

4) "Gimme Gimme Shock Treatment"
RAMONES
"LEAVE HOME" (1977)

O tema da insanidade é uma recorrência tão insistente na obra dos RAMONES ("Teenage Lobotomy", "Pshyco Therapy" e várias outras) que foi tributada ao longo dos anos por inúmeras bandas- do METALLICA ("The Frayed End Of Sanity") ao GREEN DAY(" Basket Case") . Entretanto "Gimme" foi a primeira incursão dos nova iorquinos ao tema de intervenções cerebrais (sempre de forma bem humorada), que fica evidenciada em versos como "Eu estava me sentindo mal/Perdendo a cabeça/Eu ouvi sobre esses tratamentos/De um bom amigo meu/Ele sempre estava feliz/Um sorriso em seu rosto/Ele disse que se divertia naquele lugar".

5) "Sweating Bullets"
MEGADETH
"Countdown To Extinction" (1992)

Vários temas de "Countdown" abordam, de forma direta ou não- ao psicologismo: da insanidade da caça legalizada à subserviência da população frente a ação dos políticos institucionais, passando por robôs assassinos, o tópico parecia estar incrustado na mente multi focal de MUSTAINE. Entretanto, a coisa escancara nessa faixa, que trata da mente de um esquizofrênico que acorda com sangue nas mãos sem saber o que havia feito. Cenário gore a parte, MUSTAINE revelou que se inspirou em um amigo de sua (então) namorada PAM- que tinha ataques de pânico tão intensos que, segundo o vocalista, "parecia um psicopata sendo sufocado".

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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n'roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: joaopsevero@bol.com.br.

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