Gothic Metal: os dez trabalhos essenciais do estilo

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Por Leonardo Mendes
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É difícil caracterizar o Gothic Metal, porque é provavelmente o sub-gênero do metal que mais varia de banda para banda. Não existe ainda um padrão. Existem bandas quase tão lentas quanto bandas de Doom, existem bandas mais simples, existem outrasmais complexas com orquestras, coros, 3 vocalistas diferentes, etc; têm bandas só com vocal masculino limpo, ou num dueto “beauty and the beast” ou só com vocal operístico feminino, ou com vocal feminino mais convencional, etc. É um estilo sem personalidade ou identidade, eu diria. Parece que cada país tem uma vertente de Gothic Metal diferente e isso faz com que diferentes bandas rotuladas de Gothic Metal sejam completamente distintas umas das outras. POISONBLACK e TRISTANIA por exemplo, são completamente diferentes. Mas aqui eu tentarei fazer um guia para quem está iniciando no gênero.

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Iniciarei esse artigo esclarecendo algumas coisas que acho importante:

1. Gothic Metal é uma coisa e Gothic Rock é outra. Quem gosta de Gothic Metal não é gótico; na verdade é tão metaleiro/headbanger quanto quem gosta das outras vertentes do Metal. Até onde eu sei, a maioria dos góticos nem curtem Gothic Metal; até desgostam.

2. Gothic Metal não é Symphonic Metal. Isto significa que AFTER FOREVER, EPICA, NIGHTWISH, WITHIN TEMPTATION, etc. Não são Gothic Metal. Mas algumas bandas usam, sim, partes sinfonicas, tanto quanto estas.

3. Gothic Metal não é necessariamente Doom Metal, mas existem bandas que misturam os 2 estilos.

4. Não farei um ranking já que as bandas variam muito, ou eu teria de fazer uma listagem diferente pra cada tipo de Gothic metal.

TRISTANIA – ‘Beyond the Veil’: Pra mim, esse CD deveria se chamar “Gothic Metal” e deveria ditar as regras. É a obra prima do estilo e tem tudo que eu acho que o estilo deveria ter: vários tipos de vocais, passagens orquestradas, coros em latim, letras românticas e medievais, várias metáforas. Melhor CD da vertente sinfônica do estilo. Eu particularmente acredito que não existe nenhuma outra banda de Gothic Metal com a qualidade do TRISTANIA. O estilo da Vibeke não pode ser comparado com nenhuma outra vocalista, tornando-a única.


TRAIL OF TEARS – ‘A New Dimension of Might’: Eu vejo esse album como uma outra versão de ‘Beyond the Veil’. Tem as mesmas características, porém músicos diferentes. É tão agressivo quanto, mas é bem mais atmosférico e mescla bem com o Black Metal. Acredito que se juntassem os membros do TRISTANIA com os membros originais do TRAIL OF TEARS para dar a luz a uma superbanda de Black Metal Melódico, provavelmente desbancariam DIMMU BORGIR e CRADLE OF FILTH.


SIRENIA – ‘At Sixes and Sevens’: Primeiro álbum da banda de Morten Veland, ex-membro e principal compositor do TRISTANIA; na minha opinião o melhor compositor de Gothic Metal, junto com os letristas do TRAIL OF TEARS e THEATRE OF TRAGEDY. É como se fosse uma versão mais leve de ‘Beyond the Veil’, não é tão caótico, é mais... progressivo? E os vocais femininos são líricos, mas não operísticos como os da Vibeke. Fora isso, segue a mesma linha do TRISTANIA.


THEATRE OF TRAGEDY – ‘Aégis’: A banda era predominantemente Doom Metal, mas no Aégis eles abandonaram o peso em troca de uma atmosfera mais Gothic Rock. Eu só enxergo mais 2 álbuns deles além destes como sendo Gothic Metal: ‘Storm’ e ‘Forever is the World’ e mesmo curtindo a nova vocalista, o ‘Aégis’ é simplesmente um clássico. Algo que diferencia T.o.T das outras bandas é que eles realmente sabem escrever letras em Early Modern English. A maioria das bandas que tentam fazer isso (TRISTANIA, inclusive) só usam “Thy”, “Thou”, etc, e de forma errada, misturando com verbos do inglês atual. THEATRE OF TRAGEDY beira a nerdisse nisso, é como se o letrista tivesse doutorado em Inglês pela Oxford. As letras desse trabalho são baseadas principalmente em mitologia grega, ou seja, o álbum é feito de tragédias românticas.


PENUMBRA – ‘Seclusion’: Melhor álbum desta banda francesa de Gothic Metal. Possui todos os elementos dessa vertente sinfônica: 4 vocais diferentes, cantos gregoriano no estilo do SIRENIA, etc. Uma pena a banda ter acabado.


POISONBLACK – ‘Escapexstacy’: Esse álbum do Poisonblack, projeto do Ville Laihiala, segue o lado finlandês do Gothic Metal, que eu tenho a impressão de ser mais influenciado pelo PARADISE LOST e pelo Gothic Rock. Você não encontrará coros, partes sinfônicas ou vocais guturais ou femininos aqui, mas encontrará um conceito que também é usado em bandas de Gothic Rock: luxúria e sexo. É um dos álbuns mais sexy já feitos e a faixa “Love Infernal” traduz bem isso. Eu me recuso a ver TYPE O NEGATIVE como Gothic Metal, pra mim é Doom, e às vezes é tão lento e pesado quanto Funeral Doom, MAS... Se T.O.N fosse Gothic Metal, seria algo parecido com POISONBLACK.


LACRIMAS PROFUNDERE – ‘Burning: A Wish’: Banda alemã que começou como Doom e fez a transição pro Gothic Metal (assim como tantas outras) e que hoje em dia faz um Gothic Metal mais rock-ish. Esse album é o marco dessa transição. Letras e atmosfera melancólicas e uma versatilidade incrível do ex-vocalista e principal compositor, Christopher. É como uma mistura de ANATHEMA com MY DYING BRIDE, só que voltado pro Gothic Metal.


NOTURNA – ‘Diablerie’: Não sou patriota ou nacionalista, mas quando aparece uma banda brasileira de qualidade eu sinto um certo orgulho. ‘Diablerie’ é um dos melhores debut ja feitos, a qualidade da mixagem é coisa de outro mundo. Além disso, eles conseguiram se destacar dentro de um gênero saturado, mesclando Gothic Metal com Prog. Os vocais de Vivian são assombradores, não só no sentido de impressionante, mas de fantasmagóricos mesmo. Os vocais masculinos, tanto os guturais quanto os limpos e melódicos, também são ótimos e o álbum inteiro tem uma atmosférica vampiresca e assombrada.


PARADISE LOST – ‘One Second’: Podem estar se perguntando porque não citei os melhores albums, como o ‘Draconian Times’, ‘Icon’ ou mesmo o ‘Gothic’ (que diz a lenda que deu origem ao estilo, sendo que é Doom, vai entender...) Citei o ‘One Second’ simplesmente porque foi o primeiro CD onde a banda é predominantemente Gothic Metal. O disco parece ter uma certa influência de DEPECHE MODE, com elementos eletrônicos. É dificil escolher um álbum deles, porque eles experimentam a cada lançamento.


FLOWING TEARS – ‘Thy Kingdom Gone’: Eu tentei evitar listar CDS onde é possível observar claramente os elementos Doom, mas tive que abrir uma exceção pra este que é o melhor trabalho da banda. Neste CD, FLOWING TEARS soa basicamente como um PARADISE LOST com uma mulher nos vocais. É uma banda para aqueles que estão cansados da fórmula repetida de sereias cantando. Os vocais da Helen são limpos, mas pesados; não operísticos. Eu acho ela uma das melhores vocalistas do gênero, mesmo não sendo uma soprano ou mezzo-soprano. Na versão de estúdio ela não faz uso de toda sua habilidade e só usa vocais limpos, mas nas versões ao vivo ela exibe uns guturais que na minha opinião são melhores até do que os da Angela do ARCH ENEMY.

O GOTHIC METAL HOJE

Um estilo que começou tão inovador, criativo e diversificado infelizmente não resistiu à prova do tempo. Hoje em dia Gothic Metal e criatividade não andam lado a lado. O que começou com uma mistura de Black, Symphonic e Doom com coros, passagens clássicas e orquestradas, vocais operísticos, sintetizadores e uma carga emocional e romantismo sem precedentes hoje é saturado com figurinhas repetidas, bandas sem alma e sentimento algum.

Metade das bandas citadas ou acabaram, ou perderam sua formação original e com isso boa parte da criatividade e ainda não conseguiram superar ou chegar perto de seus albums considerados clássicos e isso inclui o SIRENIA. Aparentemente o Morten não consegue mais inovar. Eu acho que dessas bandas, TRAIL OF TEARS é uma das poucas que conseguiu manter a qualidade, mesmo tendo perdido todos os integrantes originais, com exceção do vocalista. Eu considero o gênero praticamente morto, só falta enterrar.

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