Paradise Lost: Resenha do livro "No Celebration - A Biografia Oficial do Paradise Lost"
Por Maicon Leite
Postado em 01 de novembro de 2021
Quando li a notícia de que a Estética Torta lançaria no Brasil a biografia do Paradise Lost fiquei com aquele pensamento: "o que teremos de interessante para ler?", afinal, o grupo inglês não é um gigante apelativo com álbuns temáticos como o Iron Maiden e não tem tragédias ou tampouco assuntos polêmicos como o Kiss, por exemplo. Porém, o trabalho de David E. Gehlke é tão bom que quaisquer dúvidas acerca da qualidade do livro foram por água abaixo após a leitura do primeiro capítulo. Já li muitas biografias, mas até o momento "No Celebration: A Biografia Oficial do Paradise Lost" figura entre as principais da minha biblioteca. Há muito o que celebrar desta trajetória.
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Com tradução primorosa de Kenia Cordeiro e Clovis Roman, o livro narra de forma instigante o surgimento do grupo na cidade inglesa de Halifax, destacando suas influências e como a formação original se conheceu. É possível dizer, por exemplo, com o próprio relato dos integrantes, que a sonoridade da banda foi forjada em cima do jeito de tocar do baterista Matthew "Tuds" Archer. Ouvindo os discos iniciais, sem ter essa visão biográfica, não podemos dizer que "Tuds" era limitado tecnicamente, mas através do livro vamos descobrir que seu ritmo e estilo ditaram a velocidade da banda, que ia ao contrário da rapidez de seus contemporâneos do Carcass e Napalm Death. O ritmo lento tomou forma e se tornou a marca registrada do quinteto, tornando-os um dos precursores do Death/Doom Metal com clássicos como "Lost Paradise" (1990) e "Gothic" (1991).
O livro aborda a história disco a disco, sem perder o fio da meada em nenhum momento, focando nas mudanças sonoras que cada álbum mostrou, sobretudo na voz de Nick Holmes e suas facetas guturais lá no início, a jornada pelos vocais limpos e o retorno do "velho Nick", com os guturais de volta ao jogo. Como citei no início, o Paradise Lost nunca foi uma banda de notícias polêmicas, e a única fase realmente problemática vai do álbum "One Second", de 1997, até provavelmente "Paradise Lost", de 2005, ou seja, são quase 10 anos de intensa procura por uma sonoridade diferente e desafiadora, que quase custou uma carreira que tinha tudo para dar certo. Todos os pormenores dessa fase foram dissecados com exatidão pelo autor com imensa colaboração da própria banda, não poupando detalhes nem tampouco se esquivando dos problemas enfrentados com as trocas de gravadoras.
Minha fase preferida do Paradise Lost, e creio que a da maioria, é aquela que se encerra no álbum "Draconian Times", e ninguém pode negar que se trata da época mais inspirada. O sucesso obtido com esse disco foi estrondoso, e muitas publicações os classificavam como o "novo Metallica", chegando até a figurar em capas de revistas com essa classificação. No livro é possível entender como os caras forjaram aquela sonoridade, o sucesso dessa empreitada e todo um turbilhão de acontecimentos que levou a banda a "fugir" do Metal após esse clássico. A própria entrada do baterista Lee Morris em "Draconian Times" colaborou para as mudanças sonoras que "Tuds" não estava tecnicamente preparado.
As aventuras "solo" de Nick Holmes e Greg Mackintosh também foram lembradas, onde ambos puderam falar um pouco mais sobre o ótimo trabalho no Bloodbath e Vallenfyre, respectivamente. Como contam no livro, o próprio retorno de Nick aos vocais guturais se deve ao envolvimento com os suecos do Bloodbath, enquanto Greg revistou suas influências mais extremas e agressivas com o Vallenfyre, projeto de curta duração com três ótimos discos lançados.
O livro tem quase 500 páginas, mas a leitura é tão agradável e fluída que acaba rapidinho, deixando o leitor com uma sensação de "quero mais"! O acabamento gráfico é caprichado, as bordas das páginas são roxas, assim como a belíssima capa. Há diversas fotos e flyers interessantes no decorrer do livro, muitas delas vindas do acervo pessoal do ex-baterista "Tuds". A versão que recebi veio acompanhada de um card autografado por Nick Holmes e Greg Mackintosh, o que confere exclusividade ao lançamento.
Livro: No Celebration: A Biografia Oficial do Paradise Lost
Escritor: David E. Gehlke
Editora: Estética Torta – 2021
Páginas: 468
Compre o livro aqui:
https://www.esteticatorta.com/produtos/livro-no-celebration-a-biografia-oficial-do-paradise-lost-bookplate-autografado
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