Resenha - Minha Vida Como Um Ramone - Marky Ramone
Por Mário Orestes Silva
Postado em 01 de janeiro de 2017
Um músico afastado de uma banda conceituada por bebedeira incontrolável, que provocou cancelamento de show, dificilmente terá credibilidade para uma autobiografia confiável. Mas e se esse músico conseguir, com muita perseverança, auto controle e senso crítico, parar com seu vício, voltar ao melhor de sua forma, cumprir seus compromissos profissionais e ainda obter sucesso na diversificação de negócios? Marky Ramone é este exemplo e ganhou essa credibilidade ao escrever, com Rich Herschlag o sincero "Minha Vida Como Um Ramone - Punk Rock Blitzkrieg".
Totalmente oposta a autobiografia de Johnny Ramone que é curta, repleta de fotos e páginas com pouco texto, a de Marky tem mais de 400 páginas com narrativa detalhista e nem uma única foto sequer. Obviamente que, assim como o título deixa claro, o maior foco de Marc Bell está na sua passagem pelos Ramones, isso até é esperado por fãs e historiadores da música, visto que, além de sua passagem ter sido duradoura, trata-se da banda mais significativa de sua vida. Porém, Marky rompe esse limite ao expor sua carreira pós e pré Ramones, com ênfase na mitologica banda Dust e o, não menos importante, Richard Hell and the Voidoids. Ainda franzino e menor de idade, no powertrio que ajudou a disseminar o heavy metal em Nova York, o baterista chamava a atenção de todos pela performance nos arranjos virtuosos. Curiosamente viria ficar famoso e seguir, até os dias de hoje, num estilo bem menos sofisticado. Com Richard começaria seus anos de excessos que viriam a se intenssificar posteriormente com o amigo Dee Dee. A propósito, com este baixista é que se dão as histórias mais hilárias e surreais do livro. Algumas beiram o inacreditável. Contudo, quem leu a autobiografia de Dee, sabe que ele sempre viveu quebrando as barreiras da sanidade. Voltando a Marky, em alguns trechos, ele dá pistas de suas técnicas adotadas com as baquetas. Noutros, dispõe sua intimidade com as bebidas. Em determinadas passagens, percebe-se que este era o membro mais próximo de Joey Ramone e por ventura, leves desavenças com CJ. Impossível não notar que ele se mantêm extremamente grato por ter feito parte da família que ajudou a moldar a música pop contemporânea. Uma curiosidade está na lista de agradecimentos que é composta obviamente por nomes de profissionais, amigos e parentes, mas também por filmes e até carros (?). Orelhas de Clemente Nascimento (Inocentes/Plebe Rude).
Como um todo, "Minha Vida Como Um Ramone - Punk Rock Blitzkrieg" não é apenas a autobiografia de Marky Ramone que, indiscutivelmente está como literatura obrigatória para os ramonemaníacos, mas também um desabafo visivelmente verídico e que, por isso, merece toda credibilidade.
Tradução de Alyne Azuma; Editora Planeta; 447 páginas; São Paulo; 2015.
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