Júlio Medaglia: seria o rock a AIDS da música?

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Por Genilson Alves
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O maestro Júglio Medaglia sempre foi um provocador, angariando admiradores e desafetos em mais de 50 anos de carreira. Figura controversa tanto no meio erudito quanto no popular, estudou e regeu na Europa, participou da criação do movimento tropicalista e também se destacou assinando trilhas sonoras para o cinema, teatro e televisão. Atualmente é apresentador da rádio Cultura FM de São Paulo, especializada em música clássica. Sua produção compreende ainda inúmeros artigos em publicações como Pasquim, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, alguns deles organizados neste “Música Impopular” (Global Editora), que também reúne transcrições de palestras e de entrevistas, além de material escrito especialmente para esse trabalho.

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Publicado originalmente em 1988 e reeditado em 2003, o livro inicialmente recapitula a trajetória de compositores que foram na contramão de toda estética vigente e apontaram novos rumos para a música ocidental do fim do século XIX e século XX adentro – de Claude Debussy e Igor Stravinsky, passando pelos pioneiros da música concreta/eletrônica até o surgimento da Bossa Nova e do Tropicalismo.

Os destaques polêmicos ficam por conta de dois artigos em que o autor chama a atenção para a estagnação da música popular a partir da segunda metade da década de 1970. Em “Abaixo o orgasmo, viva a ereção”, o alvo é a MPB, cuja falta de criatividade da qual começava a padecer coincidia com o início da abertura política no país – o que indicaria, ao contrário do que muitos alegam, que a censura e a repressão da ditadura mais estimulavam do que inibiam criativamente os artistas durante o regime militar. Já em “Rock: AIDS da música atual”, Júlio Medaglia mostra seu descontentamento com o estilo que outrora foi porta-voz de uma geração que lutou por diversas causas – como o fim da Guerra do Vietnã –, mas que aos poucos foi perdendo sua veia artística e contestadora até se transformar em um dos gêneros mais conservadores da música – ainda que reconheça que o excesso de formalismo de algumas vertentes, em especial o rock progressivo, tenha contribuído para afastar boa parte do público, que se rendeu aos embalos da disco music (embora, inexplicavelmente, o maestro tenha ignorado a ascensão do movimento punk).

Outra passagem interessante do livro é a reprodução de uma entrevista de 1978 em que Júlio Medaglia denuncia a falsa globalização da cultura promovida pela transmissão via satélite – debate que voltaria à tona, atualizado, quase 20 anos depois com a popularização da internet.

Todavia, parece que o tempo abrandou o discurso do maestro, que até já teceu alguns elogios a Paula Fernandes e Luan Santana – o que não deixa de ser contraditório para alguém que um dia execrou o rock nacional dos anos 80 e decretou que a MPB havia se transformado em um “cocô”.

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Sobre Genilson Alves

Genilson Alves é jornalista e autor do blog Radio Sehnsucht.

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