Testament: até poderia fazer um show com artista como Lady Gaga, mas nunca uma turnê

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Imprensa do Rock
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O Testament, um dos nomes mais importantes do thrash metal de todos os tempos ao lado de Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax, se apresenta, neste final de semana, em São Paulo (19/08 – Carioca Club) e Rio de Janeiro (20/08 – Circo Voador). Os shows fazem parte da turnê promocional do poderoso novo álbum "Brotherhood of the Snake" pela América Latina. Ainda há ingressos à venda em ambas as cidades. Conversamos com Chuck Billy, que nos contou como serão os shows e sobre vários outros assuntos, como o Big 4 e se poderia se apresentar ao lado de um artista pop como Lady Gaga (como fez o METALLICA). Confira a entrevista logo abaixo. Confira também todas as informações sobre os shows de São Paulo e Rio ao final da matéria.

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Daniel Tavares: Vamos já começar falando sobre os shows que farão pelo País (SP e RJ)? O que os fãs brasileiros, as Testament Legions do Brasil podem esperar para esses shows?

Chuck Billy: Bom, acabei de descobrir que tocaremos no mesmo local que tocamos em 1989, em nossa primeira vez no Brasil! (haha). Então, vai ser um local especial. Nós estamos planejando um show de 90 minutos. Vamos tocar ao menos cinco músicas do novo álbum e voltar para o Legacy, New Order, os álbuns clássicos. Nesses 90 minutos eu imagino que vamos tocar umas dezessete músicas. Vai ser um show mais extenso, bem maior do que fizemos lá em 1989. [risos] A banda está bem descansada, estamos começando a tour, e por isso faremos um show com muita energia, com certeza terá muita energia!

Daniel Tavares: Sobre a turnê desse ano: Em 2015 vocês passaram por mais cidades pelo País, dessa vez, tem menos na tour. Poderia comentar o porque?

Chuck Billy: Acho que essa será até mais longa essa nossa turnê. Faremos, se não me engano 14 shows em diferentes cidades com esse promotor. Em 2015 fizemos em 12 locais com um promotor diferente.

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Daniel Tavares: O novo álbum "Brotherhood of the Snake" (2016), teve uma ótima aceitação dos fãs. Vocês acompanharam isso? Como está a resposta ao novo material?

Chuck Billy: Os fãs responderam muito bem. A aceitação está ótima. Eu acho que esse material é o melhor da nossa carreira, falando musicalmente, liricamente e até no quesito produção. Ficamos muito empolgados quando o álbum ficou pronto porque foi difícil de terminá-lo. A gente simplesmente não conseguia concordar com a hora de terminá-lo, o que criou muita tensão. Tivemos muitas brigas durante a produção, conflitos para melhorias. Mas quando finalizamos, adoramos o trabalho. Com todos os músicos que temos, Alex, Gene, Eric, Steve, que fizeram um ótimo trabalho em suas partes, ficou incrível. Temos muito, muito orgulho desse álbum. Principalemente, porque após 30 anos, pra mim, criar algo tão forte é incrível.

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Daniel Tavares: A escolha do tema principal do álbum: "Brotherhood of the Snake", principalmente nas letras, tem há ver com os iluminati?

Chuck Billy: Isso mesmo, é uma sociedade secreta formada há 6000 anos atrás, e eles acreditavam que foram criados por alienigenas, basicamente, e quando começamos a produzir o álbum, esse tema apareceu como conexão com os alienigenas. Também tem o lance de sermos como uma irmandade na banda agora, somo como irmãos, brigamos como irmãos. Nos pareceu legal, e também curtimos o lance da cobra, a imagem sempre fez parte da banda, achamos que seria um bom topico para falrmos sobre.

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Daniel Tavares: Falando sobre irmãos, você tem uma banda com seu irmão, com o Steve Souza (vocal do Exodus) e com o irmão dele também, a Dublin Death Patrol. Vocês estão produzindo algo? Quais os planos?

Chuck Billy: Não temos conversamos sempre sobre isso. Apesar de ser uma banda de tocando suas músicas favoritas por diversão, acabamos gravando 2 álbuns. Não diria que nunca faria mais nada, seria divertido, poderíamos fazer algo.

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Daniel Tavares: Já que falamos no EXODUS, no começo do ano eu entrevistei o Paul Bostaph, do SLAYER e fiz uma pergunta muito difícil pra ele. Eu perguntei que banda, EXODUS ou TESTAMENT, seria parte de um Big 5, se é que poderia existir um Big 5, com as bandas mais incríveis dos Estados Unidos. Ele não respondeu à minha pergunta, disse que tinha que ser um Big 6. E a mesma coisa eu pergunto pra você. Como você responde a isso?

Chuck Billy: Eu penso da mesma forma. Quando você chama de Big 4 é por uma razão, é porque essas quatro bandas todas tinham álbuns de platina naquela época em que todos nós começamos. Então, isto é verdade. O termo Big 4 está certo. TESTAMENT, DEATH ANGEL, OVERKILL, nenhuma de nós poderia se encaixar no Big 4. Nós todos viemos depois disso.

Daniel Tavares: O Metallica se apresentou com a Lady Gaga no Grammy 2017. Vocês fariam uma apresentação com um artista pop como eles fizeram?

Chuck Billy: Sabe que eu não sei. Não sei até me encontrar numa situação dessas. Se eu tocasse em uma grande evento dessas, acho que eu seria aberto a esse tipo de coisa sim, mas para uma apresentação apenas.

Daniel Tavares: Não seria para uma turnê, né? [risos].

Chuck Billy: Definitivamente não [risos].

Daniel Tavares: Sei que vocês conhecem bem o SEPULTURA, mas aqui vai uma pergunta que sempre faço, que é sobre nossas bandas brasileiras. Vocês conhecem, ouvem, alguma de nossas bandas?

Chuck Billy: Bom, o SEPULTURA é a única que conhecemos, desde o começo. Nós acabamos de terminar uma turnê com eles e com o PRONG, faz só alguns meses, e foi muito bom para gente. Era estranho como nunca tinhamos dividido o palco antes, mesmo nos conhecendo esses anos todos. Foi muito bom fazer a turnê com eles.

Daniel Tavares: Chucky, sabemos que você passou por problemas sérios de saúde. Poderia comentar um pouco sobre?

Chuck Billy: Eu tive câncer em 2011. Tratei com medicina tradiocional e quimioterapia, mas também busquei algo mais espiritual, dos índios dos Estados Unidos. Eu nunca tinha me aberto para essas coisas antes, até então, mas me ajudaram muito na recuperação. Me deixaram mais próximo da minha família e amigos. Agora estou bem.

Daniel Tavares: Você sendo um cidadão americano, como vê os acontecimentos recentes em Charlotsville (Virginia – EUA)? O que acha de tudo isso?

Chuck Billy: Acho que é lamentável. Os Estados Unidos um grande caminho e agora querem voltar para escravidão. Se pensarmos nisso, é tão surreal pensar em regredir dessa forma, e deixar coisas assim acontecerem numa época como hoje. Não consigo entender o porquê. É difícil acreditar que algo assim ainda possa acontecer.

Daniel Tavares: Deixe um recado pra galera que nos lê!

Chuck Billy: Estamos bem descansados, ansiosos pelos shows, faremos apresentações mais longas, com 90 min de duração, vamos cobrir muito do novo material, mas também os clássicos. Teremos um belo momento juntos, encontro vocês lá! Não percam.

Agradecimentos: Paula Alécio, pela valorosa ajuda na transcrição em tempo record desta entrevista.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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