Slayer: Para Bostaph tem que ser Big6 com Testament e Exodus
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Fonte: Daniel Tavares
Postado em 22 de abril de 2017
Paul Bostaph não estava lá quando tudo começou. Mas o baterista Paul Steven Bostaph já gravou tantos discos com o SLAYER (incluindo alguns dos mais amados pelos fãs, como "God Hates Us All" e "Repentless", o mais recente) que, embora sempre lembremos de Dave Lombardo, também fica muito complicado pensar o gigante do Thrash Metal norte-americano sem a sua figura. O SLAYER é uma das mais aguardadas atrações do MAXIMUS FESTIVAL (senão a mais), que acontece no Autódromo de Interlagos em 13 de maio. E Paul nos concedeu esta entrevista em que falou sobre o festival e vários outros assuntos. Quando tentamos incomodar com o assunto Religião, apesar da surpresa, o baterista não se fez de rogado e deu uma resposta muito ponderada e serena, mas quando o encostamos na parede para escolher entre TESTAMENT e EXODUS, bandas dos quais já participou, uma banda para um suposto Big 5, o homem fugiu mais que o diabo da cruz. Confira toda a conversa logo abaixo.
Foto: Site Oficial
Daniel Tavares: Primeiro, vamos falar sobre o Maximus Festival em São Paulo, em 13 de maio. Você pode falar um pouco sobre o festival, o que os fãs podem esperar? Esta, obviamente, seria minha primeira pergunta.
Paul Bostaph : Puxa, é... os fãs podem esperar um show do SLAYER. Vamos dar tudo o que temos e será bem devastador, sabe? Eles podem esperar tudo o que esperam de um show do SLAYER, nada a menos.
Daniel Tavares: E quanto às outras bandas, PROPHETS OF RAGE, FIVE FINGER DEATH PUNCH, HATEBREED, ROB ZOMBIE, GHOST (com quem vocês já tocaram no Brasil em 2013, eu estava lá)... Quais você gostaria de ver?
Paul Bostaph : Sim, sim, sim, sim, sim, eu realmente gosto do FIVE FINGER DEATH PUNCH, acredite ou não. Eu sempre gosto de ver o GHOST, quando eu vou a um festival. Eu realmente gosto e tento ver todo mundo se eu tiver tempo, então sempre que eu consigo eu gosto de ir atrás do palco e ver os músicos de cada banda se eu puder, sabe? O HATEBREED, eu sempre gosto de vê-los tocar. Eles são meus amigos. Eu estou querendo ver todos eles se eu tiver tempo.
Daniel Tavares: Você já esteve no Brasil várias vezes. O que você acha de voltar ao nosso país? O que gostaria de voltar a encontrar aqui?
Paul Bostaph : Olha, cara, é engraçado, mais cada vez que eu volto a um país, às vezes quando faz tempo que eu não vou lá, eu não sei exatamente o que eu quero fazer. Eu... eu vou procurar... eu só quero aproveitar a experiência, que é o que eu sempre tenho tido desde o momento em que eu saio do avião até o momento que eu vou ao palco no seu país ou em qualquer outro país que eu tenha ido, eu simplesmente sigo o fluxo, vejo onde o dia me leva. Eu não tenho expectativas, senão o fato de que eu tenho certeza de que vou aproveitar bastante.
Daniel Tavares: E uma vez que já estamos falando sobre o Brasil, tem uma pergunta que eu sempre faço no final das minhas entrevistas, mas vou fazer agora. Existe alguma banda brasileira que você goste, que você escute na sua casa ou mesmo que tenha tido qualquer influência no seu som?
Paul Bostaph : Sem dúvida o SEPULTURA. Para mim, eles sempre foram uma banda incrível e são meus amigos. São maravilhosos, eu ainda não consegui ouvir o último disco, com o novo baterista. Mal posso esperar para ver. Ele é maravilhoso. Mas além deles eu não lembro de um no outro artista que eu tenho visto. Eu acho que ela é a única banda que eu escutei do seu país.
Daniel Tavares: Você também já esteve no HAIL!, com o Andreas Kisser e o Tim Ripper Owens. Você tem algum plano de voltar a esse projeto, claro, quando todos vocês tiverem algum tempo de folga?
Paul Bostaph : Você está falando sobre o HAIL!? É algo que sempre acontece de vez em quando, mas eu não sei se tem alguma coisa, algum plano para esse projeto voltar a tocar junto, porque nunca foi alguma coisa pensada para estar em turnê permanentemente. Pra gente voltar em turnê teria que ter alguma dessas coisas, uma boa oferta sobre a mesa ou nunca termos ido a algum país. Então, sabe, nós iríamos. Eu quero dizer foi muito legal tocar com todos esses caras. Todos eles eram caras realmente bacanas. Foi uma experiência incrível que eu realmente não tinha tido, tocar músicas de bandas que você cresceu sendo influenciado por elas com músicos aos quais você ouvia e admirava. Tocar com esses caras e essas músicas sempre foi uma experiência gratificante. Se tivermos oportunidade eu vou agarrar essa oportunidade mas por enquanto está parado.
Foto: site oficial (uma das formações do SLAYER em que Bostaph tocou, ainda com Jeff Hanneman)
Daniel Tavares: E outra coisa sobre o Brasil é o Marcelo Vasco, que criou a capa do "Repentless". Como vocês o encontraram e o escolheram para trabalhar no álbum?
Paul Bostaph : Sabe, esse tipo de pergunta seria melhor fazer para o Kerry. Eu não tenho muita certeza, mas eu acho que ele foi provavelmente sugerido pela Nuclear Blast. Eu creio que o Kerry estava procurando ideias diferentes. Eu não participei muito das escolhas, porque eu tinha acabado de voltar para banda.
Daniel Tavares: O "Repentless" vai fazer dois anos em setembro. Vocês já estão compondo ou pensando em seu successor? Quais são os novos planos do SLAYER depois do show no Brasil e da turnê com o LAMB OF GOD e BEHEMOTH nos EUA?
Paul Bostaph : Talvez vamos fazer mais algumas turnês depois disso. Há umas músicas que eu e eu Kerry trabalhamos antes de lançarmos o nosso último disco, sabe antes do "Repentless". Nós apenas não tivermos tempo em letras escritas para elas.Então existem talvez seis ou sete canções, algo assim, que estão apenas lá, esperando. Então há um bom conjunto de coisas para o Kerry começar a trabalhar em novas ideias. Então, eu não ouvi nada ainda sobre um novo álbum, mas eu acho que dentro de um ano nós vamos começar a trabalhar em algum material novo e, esperançosamente, isso deve-se a mente se transformar em um novo álbum.
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Daniel Tavares: Hoje é Sexta-Feira Santa [14 de abril de 2017, quando a entrevista foi realizada], quando a maioria dos cristãos celebra a morte de Jesus Cristo. Nós sabemos que Tommy [Araya] vem de uma família católica, embora ele não seja um praticante, nós também sabemos que Kerry escreve a maioria das letras anti-religião, mas e quanto a você? O que você pensa de religião? Você pode responder falando do cristianismo, ou de religiões em geral, ou podemos passar para outro assunto, o que você preferir.
Paul Bostaph : O que eu penso de religião? Eu acho que é bom você acreditar no que você acredita. O que eu penso sobre religião... eu não sou uma pessoa muito religiosa, eu acho que, em relação à religião, eu vejo a religião sendo manipulada, nos manipulando e manipulando as pessoas, talvez não porque a religião em si seja uma coisa ruim, mas, é possível que, especialmente, hoje em dia, eu acho que a religião tem quase se tornado uma arma, de certa forma. Sabe, eu não acho que seja justo que pessoas que realmente tem uma verdadeira... eu nem ponho isso como uma verdadeiramente boa e sólida fundação, de porque eles tem suas crenças, eu nem penso que isso não deveria ser tocado, eu acho que...é meio que engraçado porque eu acho que a religião é um meio para chegar à verdade, o que quer que seja a verdade, qualquer que seja a verdade em que você acredita, como chegar lá, o que quer que essa verdade seja. Muitas pessoas no mundo querem te dizer que você não deve acreditar no que você acredita, você entende o que eu falo, que sua religião não é boa, que esta é melhor, sabe. Se isso não existisse e se as pessoas parassem de lutar por essa merda, tudo seria ok. Esse é o problema. As pessoas tem opiniões, essa é uma coisa antiga, o que é melhor para todo mundo não é melhor para todo mundo. Especialmente hoje em dia as pessoas deveriam ter novas ideias. E talvez isso seja tudo o que eu penso sobre isso.
© A Drummers Perspective - David Phillips:
http://www.music-images.co.uk/
Daniel Tavares: O SLAYER é parte do Big 4, como se chamam as quatro maiores bandas de Thrash Metal dos Estados Unidos. E você já tocou também na EXODUS e na TESTAMENT, duas bandas que também são gigantes nesse estilo [N.R. Bostaph gravou os álbuns "Shovel Headed Kill Machine" com o EXODUS e o "The Formation of Damnation" com a TESTAMENT (além do EP "Return to the Apocalyptic City")]. Se você pudesse escolher uma banda para ser a quinta, em um Big 5, qual seria?
Paul Bostaph : Bem, eu sou amigo do pessoal do TESTAMENT. E eu sou amigo do pessoal do EXODUS. Então, você está me pedindo pra escolher uma das duas bandas para um Big 5? Oh, meu Deus, eu vou perder amigos se eu te responder essa questão. Honestamente, eu gosto de ambas as bandas, então tem que ser um Big 6. [risos] Honestamente, eu amo a EXODUS, eles são incríveis. E eu amo a TESTAMENT também. Então, essa é realmente uma questão muito dura pra mim. Sabe, EXODUS estava lá primeiro, com o "Bonded By Blood", então eu diria que eles tem uma senioridade no assunto, podemos pensar assim, mas, eu gosto de ambas as bandas. E eu quero manter meus amigos.
Daniel Tavares: Obrigado pela entrevista. Gostaria de deixar uma mensagem para todos os seus fãs, os fãs do SLAYER, do TESTAMENT, do EXODUS, principalmente para quem vai ao MAXIMUS em 13 de maio.
Paul Bostaph : Sabe, eu adoraria dizer oi e obrigado para todos os fãs brasileiros que vierem nos ver, aos fãs do SLAYER, do EXODUS, do TESTAMENT. Nós amamos vocês e amamos tocar aí. Eu não posso esperar a hora de vê-los, caras. Obrigado pelo apoio.
Comente: Poderiam ter arrumado um baterista melhor que Bostaph para substituir Lombardo? Quem?
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