Richie Ramone: Sei que Joey olha pra baixo e diz "Olê, Olê, Olê Richie Richie"

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Os RAMONES mudaram o mundo do rock e deixaram saudades. No entanto, alguns dos ex-membros da icônica banda, Richie, CJ e Marky Ramone, continuam mantendo a chama dos punk rockers acesa no mundo inteiro, principalmente no Brasil. Quem se apresentará em palcos brasileiros no final de agosto e início de setembro é Richie Ramone, baterista de 1983 a 1987. O 'Animal Boy' se apresenta em Londrina, São Paulo, Ribeirão Preto, BH e Nova Odessa. Além de tocar bateria, cantar, compor, tocar guitarra e jogar golfe, Richie é extremamente atencioso e nos surpreendeu com a rapidez com que respondeu às nossas questões (enviadas por email). Na conversa, falamos principalmente sobre os shows mas, como não poderia deixar de ser, sobre os RAMONES.

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Daniel Tavares: Oi, Richie. É uma grande oportunidade falar com você. E seus fãs, todos os fãs dos RAMONES, estão muito ansiosos para vê-lo tocando aqui. O que você gostaria de dizer a todos sobre esta turnê?

Richie Ramone: Eles vão experimentar uma grande surpresa, porque minha banda nunca soou melhor e toca com paixão, energia e agressividade. Eu toco canções dos meus dois álbuns solo assim como canções que eu escrevi para os RAMONES nos anos 80. Eu também faço um punhado de clássicos dos RAMONES, então haverá um boa mistura que funciona muito bem junto. Vocês vão deixar o clube suados e querendo ouvir mais.

Daniel Tavares: Você esteve no Brasil algumas vezes. O que você mais gosta no Brasil? Que boas lembranças tem do nosso país? Alguma coisa, digamos, que você mudaria?

Richie Ramone: Não gostaria de mudar nada, porque o Brasil tem alguns dos maiores fãs no mundo e a melhor comida e bebida em qualquer lugar. Eu tenho muitas boas recordações e acho que desta vez vai ser melhor do que nunca. Os fãs do Brasil são cheios de amor e respeito e me fazem sentir como um deles.

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Daniel Tavares: 'Celophane', seu último álbum acabou de ser lançado [em 9 de agosto]. O que já deu pra ver da reação dos fãs até agora?

Richie Ramone: O primeiro single e vídeo, 'I Fix This' alcançou boas resenhas. Ele foi produzido por Paul Roessler que fez um grande trabalho e realmente entendeu o que eu estava procurando.

Daniel Tavares: Não tive a oportunidade de ouvir o álbum ainda. Então, o que mais você diria para mim e para todos os nossos leitores e ouvintes sobre 'Cellophane'? Como você o compara com o 'Entitled', por exemplo?

Richie Ramone: Tenho crescido como uma artista solo e o 'Cellophane' comprova isso. A música é um constante processo de aprendizagem e tento sempre fazer algo melhor que o lançamento anterior e crescer como músico. Este álbum é muito bom de cantar e as letras refletem sobre o que muitas pessoas estão passando hoje. Estou muito feliz com a maneira que este álbum saiu. Eu vou levar cópias em todos os meus shows e irei autografá-las pessoalmente.

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Daniel Tavares: Hoje, a indústria da música é muito diferente. Downloads ilegais, álbuns disponíveis na íntegra no YouTube e outros serviços e outras questões estão fazendo viver de música mais difícil do que antes. O que você pode nos dizer sobre isso e o que você pode prever para a música em um futuro próximo?

Richie Ramone: Não vejo muita mudança no futuro na música, uma vez que o rock perdeu espaço para a música pop e dance music. Os downloads são parte da vida agora, simplesmente, e a única coisa que você pode fazer é aceitar. É bom para os fãs porque, nós como uma banda, temos que sair em turnê o tempo todo, porque já não se consegue mais vender tantos álbuns.

Daniel Tavares: E quais são os planos do Richie Ramone para o futuro próximo?

Richie Ramone: Nós estaremos em turnê pelo próximo ano ou mais, promovendo o 'Cellophane' em todo o mundo. Eu quero gravar outra música para a versão em vinil que vai sair no início do próximo ano em vinil claro. Eu quero fazer algo especial com esse lançamento.

Daniel Tavares: Além da música, quais são seus outros interesses principais?

Richie Ramone: Todo mundo sabe que eu gosto de jogar golfe e assistir programas tipo CSI na TV. Só quero viver a vida e permanecer positivo e feliz porque você nunca sabe quando ela vai acabar. É um presente!

Daniel Tavares: Você tocou bateria no álbum '...Ya Know?', do Joey? Faz quinze anos que ele se foi, mas ele ainda sentimos a sua falta. O que você nos diria sobre ele neste momento?

Richie Ramone: Gostaria de sair com Joey, uma última vez. Éramos muito chegados naquela época e eu realmente sinto falta dele. Eu sei que ele está olhando para baixo e dizendo, Ole Ole Ole Ole... Richie... Richie

Daniel Tavares: Os RAMONES foram e ainda são uma das bandas mais importantes do mundo. E, tendo feito parte da história dos RAMONES pode ser uma enorme conquista, mas também uma enorme responsabilidade. Como você administra isso? O quanto isso é importante para você?

Richie Ramone: É muito importante para mim e não devem ser algo visto como garantido. Tenho muita sorte e fui muito feliz por estar nesta posição e por ter tocado em uma das maiores bandas de todos os tempos. Eu nunca mudei desde aqueles dias e eu ainda sou eu. O Punk Rock trata-se de ser fiel a mesmo e não ser um personagem falso.

Daniel Tavares: Além das mais conhecidas bandas e artistas, como você, CJ, MILLENCOLIN, BLINK 182, etc, não parecemos ter muitos novos nomes relevantes no Punk Rock aparecendo hoje. Não da forma como RAMONES, DEAD KENNEDYS, SEX PISTOLS na década de setenta ou bandas de hardcore que vieram depois deles. Há um número infinito de bandas de Punk Rock, mas da mesma forma que acontece em outros estilos, todos eles parecem repetir a mesma fórmula. Você sabe de alguma banda de Punk Rock que pode ser tão relevante como os RAMONES foram no passado e trazer novamente o amor pelo punk rock, como vemos hoje com o assim chamado old-school Thrash Metal, por exemplo

Richie Ramone: Não penso assim, porque naqueles dias, o punk rock foi um estilo de vida e era novo e arejado. Eu acho que muitas bandas só querem ter um single de sucesso e tendem a copiar um ao outro e não vão fundo na sua alma para escrever uma canção que se conecte com eles. Eu acho que o TEENAGE BOTTLEROCKET é uma grande banda que realmente entende este tipo de música e querem dizer o que dizem. Dê uma olhada neles.

Daniel Tavares: Você é conhecido por ser um baterista (alguns dizem que o melhor, tecnicamente falando, baterista dos RAMONES), mas você também tem uma signature guitar [um modelo especial de guitarra feito especialmente para um artista e levando a sua assinatura] da Mosrite [fábrica de guitarras criada em 1952, hoje presidida por Jiro Okabe]. Eu tenho que confessar que fiquei surpreso com esse fato. Você pode explicar isso melhor para nós?

Richie Ramone: Toco guitarra e teclados, porque é assim que eu escrevo minhas músicas. Eu toco bateria muito melhor, mas eu toco bem o suficiente para escrever. A Mosrite me deu duas guitarras signature porque eles sabiam que eu tocava e achei muito legal.

Daniel Tavares: Sempre faço esta pergunta para todos os meus entrevistados. Há algum artista brasileira que você gosta, que você ouve em sua casa ou até mesmo que tenha tido algum tipo de influência em sua música ou estilo de tocar?

Richie Ramone: Devo admitir que eu escuto música a maioria das vezes enquanto dirijo meu carro, e não tocam essa música por aqui. Mas lembro-me amar, quando criança, 'Garota de Ipanema', porque meu pai a tocava o tempo todo. É por isso que eu amo tanto fazer turnês, porque você começa a ouvir todas as bandas locais que tanto trabalham e amam o que fazem.

Daniel Tavares: Chegamos ao final de nossa entrevista. Poderia por favor deixar uma mensagem para todos os seus fãs, todos os fãs do Ramones e, principalmente para aqueles que irão aos seus shows no Brasil?

Richie Ramone: Quero agradecer a todos por seu amor e apoio, e por todas as mensagens especiais de aniversário que me mandaram na semana passada [Richie aniversariou dia 11 de agosto]. Levante-se e saia para o show, porque você não irá se decepcionar, e se você ficar em casa, seus amigos vão te dizer o que você perdeu. E depois de cada show, venho à frente da mesa de merchandising para atender a todos, tirar fotos e dar autógrafos. Eu trato todos os meus fãs com dignidade e respeito como se eles fossem uma parte da minha família. Paz

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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