Cinco músicos ligados ao punk que eram "treinados demais" pro clichê dos três acordes
Por Bruce William
Postado em 25 de janeiro de 2026
O punk ficou conhecido pelo espírito do "faça você mesmo" e pela ideia de que qualquer um podia montar uma banda sem dominar o instrumento. Só que, na prática, sempre existiu um outro lado desse universo: gente que já tocava muito, ou já vinha de formação mais "certinha", e mesmo assim escolheu o caminho mais áspero - porque a proposta não era exibicionismo, era urgência.
A Far Out montou uma lista justamente com esse recorte: músicos ligados ao punk (ou bem colados nele) que, olhando friamente, tinham qualificação acima do "mínimo necessário" do gênero. E isso aparece de maneiras diferentes: uns vinham de estudo formal, outros de obsessão por guitarra, outros de escrita e composição acima da média daquele circuito.

No começo do caminho, entra Ron Asheton, do The Stooges, como exemplo de proto-punk: um cara que já tinha mão, som e repertório antes de o punk virar etiqueta. Não é o tipo de músico que depende de "acaso" pra soar convincente, e talvez por isso os Stooges acabem citados como base estética pra muita coisa que veio depois.

A lista também puxa Patti Smith por um motivo menos "técnico" e mais de conteúdo: ela chega a Nova York com foco em escrita/arte e entra no circuito do CBGB com uma caneta que já estava afiada. É aquela situação em que o "instrumento" principal não é o solo, é a forma de escrever e organizar ideia dentro de uma canção.

Quando o assunto é tocar mesmo, Topper Headon é o exemplo mais fácil de explicar: ele entra no The Clash com bagagem de jazz e vira uma peça que empurra a banda pra outra prateleira de execução e possibilidades. Um detalhe concreto disso está em "Rock the Casbah": a música foi composta por ele a partir de uma parte no piano, e ele mesmo gravou boa parte da base instrumental.
Na mesma linha de "gente que tocava de verdade", a Far Out coloca Poison Ivy (Poison Ivy Rorschach), do The Cramps, que é uma guitarrista central na identidade do grupo e cofundadora da banda. A mão dela passa por rockabilly/garage e vira aquele som torto que o Cramps carrega como assinatura.

E, pra fechar (ou não, veja abaixo), vem a mais "fora do padrão punk clássico": Vicky Aspinall, dos The Raincoats, com violino e formação clássica - ela se formou no Royal College of Music e depois ainda aparece em projetos fora do post-punk, incluindo a criação do selo Fresh Records e o Lovestation. Ou seja: é uma música que poderia ter seguido por trilho totalmente diferente, mas escolheu o caminho mais esquisito (no bom sentido).
E como bônus, fora da lista da fonte original, vale lembrar que o Marky Ramone já chegou "pronto" bem antes dos três acordes: em 1971, ainda como Marc Bell, ele tocou no trio hard rock/proto metal Dust e gravou dois álbuns ("Dust", de 1971, e "Hard Attack", de 1972), onde literalmente esmagava o instrumento. E tem uma anedota que mostra bem o choque de abordagem: ele conta em fala reproduzida na wikipedia que, quando o baterista Billy Murcia morreu, ele foi até o loft onde o New York Dolls estava fazendo audições e conta que "tocou além do que precisava", enfiando viradas e acentos "que não eram necessários", enquanto o Jerry Nolan simplesmente manteve a batida reta, e ficou com a vaga.

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda lendária com que o Deep Purple odiava comparação: "Nada é pior, não tenho paciência"
A música de rock com a melhor introdução de todos os tempos, segundo Dave Grohl
A banda de metal que conquistou Motörhead, Iron Maiden e George Michael
Gary Holt compara James Hetfield e Dave Mustaine e diz que toque de Dave é "diferente"
Embalado pelo seu derradeiro disco, Megadeth lança linha de cervejas personalizadas
O guitarrista do próprio país que The Edge acha que todo mundo deveria agradecer
A voz que Freddie Mercury idolatrava; "Eu queria cantar metade daquilo", admitiu o cantor
O primeiro disco de heavy metal do Judas Priest, segundo Ian Hill
A banda que é boa para ouvir num churrasco discutindo sobre carros, segundo Regis Tadeu
O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
A voz mais pura do rock de todos os tempos, segundo Bruce Springsteen
A música do Megadeth que James Hetfield curte, segundo Dave Mustaine
Andrea Ferro (Lacuna Coil) fala sobre influência de Max Cavalera em seu vocal
Para Geezer Butler, capa de disco do Black Sabbath é "a pior de todos os tempos"
A sincera opinião de Jéssica Falchi sobre o Iron Maiden sem Nicko McBrain


Cinco músicos ligados ao punk que eram "treinados demais" pro clichê dos três acordes
Lemmy e as três bandas clássicas que ajudaram a forjar o grunge, segundo membro do Pearl Jam
A música do The Stooges que para Iggy Pop foi "thrash metal antes do thrash metal"


