Millencolin: Retorno às raízes, turnê pelo Brasil, crítica social
Por Bruno Bianchim Martim
Postado em 23 de outubro de 2015
"Pennybridge Pioneers" (2000) foi o disco que consolidou o Millencolin como um dos principais nomes da cena hardcore. "True Brew", lançado em abril deste ano, é o responsável por recolocar a banda em destaque após um hiato de sete anos (publicações especializadas não têm poupado elogios ao trabalho, apontado como um dos mais assertivos na discografia do grupo – que conta, ainda, com mais seis álbuns de estúdio e duas coletâneas).
Após sair em turnê mundial durante o primeiro semestre de 2015, o quarteto sueco retorna ao Brasil para a divulgação do material já no próximo mês. A série de apresentações passa pelas capitais: Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Antes do País, eles excursionam por Chile e Argentina. Será a quinta passagem da banda pelo Brasil - a última havia acontecido em 2010.
Na conversa abaixo, o baterista Fredrik Larzon comenta sobre o processo de composição do mais recente registro de estúdio, o recesso após o lançamento de "Machine 15" (2008) e a expectativa para a realização da turnê no País. Confira abaixo:
O último registro de estúdio do Millencolin ("Machine 15") havia sido lançado há sete anos. Qual o motivo para um intervalo tão longo entre os dois últimos discos?
Fredrik Larzon: Nós queríamos oferecer algo novo em termos musicais. E isso sempre foi muito importante para nós. Desde que iniciamos a banda, tentamos explorar novos elementos e sonoridades, com o objetivo de evoluir e crescer musicalmente a cada lançamento. Em "True Brew" mostramos a essência e as principais influências do Millencolin, aquilo que nos tornou uma banda de punk-rock-hardcore. Por isso, obviamente, a demora.
O primeiro single de "True Brew" é uma crítica ao racismo e aos movimentos nacionalistas que vêm crescendo na Europa, fato semelhante ao que tem acontecido, também, no Brasil durante os últimos anos. Em qual momento surgiu a inspiração para falar a respeito?
Fredrik Larzon: Foi comum acompanharmos, pelas redes sociais, comentários discriminatórios durante o último pleito eleitoral da Suécia (realizado no final de 2014). A ideia surgiu nesse momento, como uma resposta ao que acontecia em nosso País. "Sense and Sensibility" é uma música que fala sobre uma coisa que repudiamos: o preconceito.
"True Brew" é o oitavo disco da carreira da banda e foi gravado de forma independente. A banda já havia passado por experiência semelhante?
Fredrik Larzon: Tivemos experiências, mas não como essa. Já trabalhamos com Lou Giordano (Taking Back Sunday, Hüsker Dü e Live), Dan Swanö (Therion, Katatonia e Opeth), Chips Kiesbye (The Hellacopters) e Brett Gurewitz (Bad Religion, NOFX, Pennywise e Parkway Drive) e todos os nossos discos foram muito bem produzidos. "True Brew", entretanto, foi gravado em nosso próprio estúdio, mixado e produzido pelo nosso guitarrista, Mathias Farm, o que deu outra característica ao material.
E justamente por isso deixa a impressão de ser um retorno às raízes?
Fredrik Larzon: "Machine 15" foi um álbum grandioso, com uma produção que nunca havíamos dado a um álbum. "True Brew" é semelhante ao modo no qual soamos ao vivo. Queríamos compor, desde o início, algo mais pesado e intenso, que são características da banda. Gravamos todos os instrumentos para o novo disco em nosso próprio estúdio, o que facilitou um pouco essa nossa ideia. O resultado, enfim, nos agradou.
O que vocês fizeram durante o recesso dos estúdios?
Fredrik Larzon: Tocamos e excursionamos o mundo todo. Primeiro foi realizada a turnê de divulgação de "Machine 15" e, mais tarde, a excursão comemorativa pelo lançamento de "Pennybridge Pioneers". Depois disso, ainda tivemos as celebrações pelos nossos 20 anos de banda - foi lançada uma coletânea. Para terminar, no último um ano e meio, trabalhamos em "True Brew".
Quais as diferenças na cena da música alternativa da atualidade em relação à época que o Millencolin começou?
Fredrik Larzon: Muita coisa mudou na cena do hardcore. Hoje, com a internet e toda revolução tecnológica, é mais fácil despertar a atenção do público. Na nossa época, éramos focados nas raízes do punk rock e do termo: do it yourself (faça você mesmo). Divulgávamos todo o nosso material por fanzines e gravações demos. Era muito diferente do atual momento.
Abba, Roxette e, atualmente, In Flames são as principais referências musicais da Suécia. E para vocês: qual é o maior desafio para circular pelo cenário da música mainstream?
Fredrik Larzon: A principal dificuldade, para nós, sempre foi a língua. Talvez tenhamos, ainda, um pouco de dificuldade em compor algumas letras, pois trabalhamos mentalmente com a nossa língua materna. No entanto, continuamos cantando em inglês porque isso torna as coisas um pouco mais fáceis. Adoramos a ideia de transmitir a nossa mensagem para o mundo todo, o que o inglês, como idioma universal, proporciona.
Para terminar, agradeço pelo contato e peço que comente sobre a expectativa do retorno ao Brasil e fale sobre a experiência com as plateias latino-americanas.
Fredrik Larzon: Estamos ansiosos pela turnê que passará pela América do Sul. O Brasil tem uma das melhores plateias do mundo. Adoramos tocar aí. Podemos adiantar que, para os shows, nosso setlist vai contar com músicas do nosso último disco e muitas outras que revisitam toda a carreira do grupo. Esperamos vocês.
Programação da turnê sul-americana:
07/11 – Cariola – Santiago, Chile
08/11 – Groove – Buenos Aires, Argentina
10/11 – Let´s Go Rock Bar - Fortaleza, Brasil
13/11 – Fundição Progresso – Rio de Janeiro, Brasil
14/11 – Carioca Club – São Paulo, Brasil
15/11 – Vanilla Music Hall – Curitiba, Brasil
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