AC/DC: "seria uma banda muito melhor se Bon Scott não tivesse morrido", diz biógrafo

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Por Luiz Cesar Pimentel, Fonte: blog do Luiz Pimentel
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O inglês Jesse Fink está no Brasil onde lança nesta quarta-feira, em São Paulo, a biografia do AC/DC sob o ponto de vista dos irmãos Young - Malcolm, Angus e George, o irmão mais velho que, segundo o autor, é tão importante quanto os outros dois na trajetória do grupo.

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Segue entrevista com o biógrafo.

Você escreveu que a “descoberta” do AC/DC, há alguns anos, o ajudou a superar um divórcio terrível (estranhamente quando escutou a música “Gimme a Bullet”). Que outras histórias semelhantes descobriu enquanto pesquisava e escrevia o livro?

Sim, “Gimme A Bullet” abriu caminho para que descobrisse o poder do AC/DC em um momento crucial na minha vida. A música deles me manteve vivo, então este livro é meu reconhecimento disso e da importância deles para milhões de pessoas ao redor do mundo.

Há muitas histórias no livro que não foram contadas anteriormente: da suposta overdose de heroína de Bon Scott no meio dos anos 1970 (e de como os irmãos Young quase o demitiram da banda por isso) passando por como Mutt Lange foi contratado de verdade para produzir “Highway to Hell” até a história do icônico logo da banda e de como seu criador, Gerard Huerta, nunca recebeu um centavo por isso.

Talvez minha história favorita é a revelação de que o baterista do primeiro hit da banda, “High Voltage”, era um italiano chamado Tony Currenti e não Phil Rudd. Tony é dono de uma pizzaria em Sydney! Também creio que Bon Scott escreveu algumas letras para “Back in Black” e coloco essa investigação no livro.

Quando pensamos em irmãos Young, automaticamente consideramos Malcolm e Angus. Mas há o George, irmão mais velho, que tinha sido rockstar na Austrália (com Easybeats) e ajudou a moldar a banda, além de produzir os primeiros discos. Qual é a porcentagem de responsabilidade de cada um no AC/DC?

Os três irmãos são realmente indivisíveis. Não dá nem para colocar em termos de porcentagem. Sem o George não existiria AC/DC. As experiências dele no Easybeats (conjunto de muito sucesso que ele teve na Austrália) moldaram o que viria a ser o AC/DC. Sem o Malcolm não existiria um líder. Ele é o criador do som poderoso de guitarra característico do grupo e a banda não é a mesma sem ele. Angus é a estrela do público, mas quando Bon estava na banda eles dividiam as atenções: Bon e Angus eram importantes à mesma medida.

Existem muitas biografias da banda. Quais são as falsas histórias, que de tanto serem contadas, acabaram virando “verdades” na carreira do AC/DC?

A história da contratação de Mutt Lange para produzir “Highway to Hell” por exemplo foi repetida tantas vezes que o mito virou verdade. Sempre foi dito que o empresário do AC/DC à época, Michael Browning, veio com a ideia em 1979. De acordo com diversas fontes, não foi isso que aconteceu. Era uma ideia da gravadora Atlantic Records, que já vinha desde 1978, e Doug Thaler, futuro empresário do Mötley Crüe e Bon Jovi, pode assumir o crédito por isso. Existem também muitas histórias inconsistentes sobre “Back in Black” igualmente, que exponho no livro.

Qual é sua história favorita dos irmãos Young?

Nenhuma que se possa publicar! Uma que acho interessante é que Peter Mensch, que foi empresário do AC/DC e hoje trabalha com Metallica, foi demitido da banda porque os irmãos não aceitaram que ele levasse a namorada durante uma turnê australiana.

De certa maneira você diminui a importância que acreditava-se que os irmãos davam a Bon Scott antes da morte e antes de ele virar uma lenda. Você acha que se ele estivesse vivo continuaria vocalista do AC/DC?

Acredito que Bon estava considerando as opções de futuro em sua carreira quando morreu. Nós sabemos que ele tinha a ideia de lançar um disco de southern rock solo. O antigo baixista do AC/DC Mark Evans colocou em sua biografia isso. Bon tinha muitos problemas com álcool. Não considero que o estilo de vida que levava o levaria muito longe. Mas ele estava desesperado por conseguir alguma estabilidade na vida, financeira e afetiva. Considero razoável teorizar que ele teria saído do AC/DC se não morresse quando morreu.

Vamos supor que ele continuasse. Qual você acha que seria o futuro da banda? Eles teriam lançado um álbum de sucesso estrondoso como “Back in Black” na sequência? E uma série de álbuns mais fracos depois?

Esta é uma das perguntas mais interessantes que já me fizeram. Queria muito que Bon estivesse vivo até hoje. Bon Scott foi a melhor coisa que já aconteceu para o AC/DC. Suas letras não podem nem ser comparadas às letras atuais da banda. Seu vocal era muito superior ao de Brian Johnson. Ao vivo, ele era incomparável. Os discos que ele fez com AC/DC nos 70 são os melhores do grupo. Então, o que quero dizer, é que o AC/DC seria uma banda muito melhor do que é com Brian Johnson e eu gostaria muito de ter mais músicas do AC/DC com Bon Scott se ele não tivesse morrido.

Existem muitas injustiças creditadas aos irmãos Young, como a do logotipo do grupo. Quais outras você pode apontar?

Duas se destacam.

Primeiro, o completo descrédito a Tony Currenti como baterista no primeiro disco, “High Voltage”, e no primeiro single da banda, de mesmo nome. Músicas em que ele tocou foram usadas na Austrália e nas versões internacionais do disco, do disco “TNT”, de “Jailbreak” e “Backtracks” e ele nunca recebeu sequer um telefonema. Nunca recebeu um convite de backstage de show, nenhum crédito, nada. Ele é uma das pessoas mais gentis e genuínas que já conheci dentro ou fora da indústria musical, então qual é o problema? Eles deveriam fazer a coisa certa com Tony. Pegar o telefone, falar alô. Melhor ainda, convidá-lo a tocar “High Voltage” ao vivo em Sydney. Ele faria um trabalho bem melhor do que Chris Slade na bateria, que não tem o suingue de Tony. Era a canção de Tony.

A segunda é a maneira como Mark Evans foi colocado para fora da banda. Ele foi demitido de modo estranho à véspera da primeira turnê norte-americana em 1977 e teve que tomar atitudes legais para ser compensado. Quando ele foi convidado a comparecer à celebração de introdução do grupo no Rock and Roll Hall of Fame ficou extremamente empolgado. Então o convite foi misteriosamente desfeito. Muita coisa injusta e não condizente com a realidade foi dita sobre Mark. Malcolm disse algo muito horrível: “Nós nunca o quisemos (na banda), não achávamos que ele tocava direito. Nós todos dávamos conta, assim como (o baixista da banda em 1974) Rob Bailey. Nós só esperamos ter um pouco de autonomia para nos livrarmos de nosso empresário e contratar um bom baixista”. Horroroso.

Você considera que o AC/DC foi o Easybeats que deu certo (comercialmente)?

Se você quer dizer ter muito mais sucesso que o Easybeats, sim. Com conjunto de rock, o AC/DC é um fenômeno. Musicalmente, os Easybeats eram tão talentosos e possivelmente mais criativos que o AC/DC (escreviam música em diferentes estilos). Mas o AC/DC é mais rock que qualquer conjunto na história da música.

Liste os discos da banda do melhor para o pior:

1. Powerage
2. Let There Be Rock
3. Back in Black
4. Highway to Hell
5. High Voltage
6. Dirty Deeds Done Dirt Cheap
7. Rock or Bust
8. Flick of the Switch
9. For Those About to Rock We Salute You
10. Ballbreaker
11. Stiff Upper Lip
12. Black Ice
13. The Razors Edge
14. Blow Up Your Video
15. Fly on the Wall

Em seu livro anterior, The Glimpse, você atribui uma música para cada capítulo. Você sempre foi movido por música?

Sim, The Glimpse (amazon.com/Glimpse-Jesse-Fink-ebook/dp/B00TMAIRU) tem uma música para cada capítulo. Músicas são marcos de momentos importantes de sua vida, assim como foram para mim quando estava me recuperando de um divórcio (tema do livro), especialmente as de Michael McDonald. Aquele livro é extremamente pessoal e um de meus melhores. Adoraria que fosse publicado aqui depois de “The Youngs”.

Você diz que AC/DC não era sua banda favorita. Ainda não é ou mudou de ideia após escrever o livro?

Minha banda favorita é provavelmente o Doobie Brothers. Pau a pau com AC/DC. Amo as duas bandas – a era de Michael McDonald no Doobie e a era Bon Scott no AC/DC. Estou conhecendo a música brasileira agora por conta de minha namorada brasileira. Existe um cenário incrível aqui.

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Post de 13 de julho de 2015


Sobre Luiz Cesar Pimentel

Luiz Cesar Pimentel é jornalista, escritor e diretor de conteúdo do portal R7. Jornalista desde 1992, e autor dos livros Sem Pauta – Reportagens, Histórias e Fotos de um Jornalista pelo Mundo (Ed. Seoman, 2005), compilado de coberturas em 18 países como correspondente, e Você Tem que Ouvir Isso! (Ed. Pensamento, 2011). Trabalhou na Folha de S Paulo, Editora Abril, Trip, os portais Starmedia, Zip.net, UOL e Virgula além de ser colunista e colaborador de Caros Amigos, Carta Capital, Playboy, Rolling Stone, Sexy, Jornal da Tarde, Elle e Superinteressante.

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