Behemoth: "É natural tomar o lado de Satã", diz Nergal
Por Luiz Pimentel
Fonte: Blog do Luiz Pimentel
Postado em 29 de outubro de 2014
Quando o telephone toca e do outro lado da linha ouço acordes de "Highway to Hell", do AC/DC, como ringtone, sei que liguei para a pessoa certa.
O polonês Adam "Nergal" Darksi é líder do Behemoth, a banda mais malvada atualmente no metal extremo mundial. As aspas no nome pelo qual é conhecido – Nergal é um deus sumério da morte – podem ser retiradas, afinal ele incorporou oficialmente ao nome de batismo.
Sobre morte ele fala com propriedade. Venceu uma batalha contra leucemia em 2010. Também uma contra a Suprema Corte polonesa, por ter rasgado Bíblia em 2007.
Figura não tão difícil para arrancar aspas polêmicas sobre religião, tomei o caminho mais difícil, de tentar entender como ele enxerga essa batalha que trava contra o mundo na véspera da visita deles ao Brasil.
Olá, bom, dia, posso chama-lo de Nergal? Ou prefere Adam?
Como você achar melhor.
Ok, Adam, quando estive na Polônia algo ficou muito evidente, que é a ligação do país com destruição e morte. Varsóvia foi praticamente destruída na Segunda Guerra, aí foi palco do campo de concentração mais infame da história, Auschwitz. Isso ajudou na sua formação em história e influencia diretamente sua arte?
Sim, não há como fugir ser um fruto do meio. Mas isso tudo que coloco em minha música é parte do meu espírito rebelde, não algo que vem a partir de injustiças sofridas ou não por um país. Quando coloco morte, satanismo, destruição nas letras, estou falando de questões que se não expostas não darão ideia de unidade aos conceitos. Claro, escuro, dia, noite.

Também, falando em religião, a Polônia é um país muito católico. O Papa João Paulo 2 nasceu aí. Isso interferiu nesse seu direcionamento... rebelde?
A Polônia é um país que tem blasfêmia na Constituição. Foge a qualquer regra de liberdade de expressão para começar. Se for pensar em termos de bem versus mal, sou um defensor da liberdade de expressão, inteligência e autonomia. Satã é muito associado a essas questões, então é natural tomar esse lado.
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Eu entendo o que você fala e te dou razão. Metal extremo é um tipo de música que não corresponde naturalmente ao "fazer sucesso ou dinheiro" com ela. É a música de quem na verdade não está se importando com isso. Para nós serve como plataforma para propagar tudo o que nos é importante.
Por falar em plataforma, você foi jurado da versão polonesa do The Voice. Como enxergou essa plataforma? Como meio de propagar suas ideias?
Não, aquilo era apenas entretenimento. Nada mais.

Sobre sua doença...na verdade não quero falar sobre ela. Você se importa?
Não me importo em falar ou em não falar sobre ela. Eu superei (overcome death) a morte. Basicamente, é isso.
Agora, você está lançando autobiografia. Tendo em mãos aquele que a imensa maioria da crítica e público consideram o melhor trabalho da banda, "The Satanist", acredito que renderá tantos frutos em curto e médio prazo que me pergunto se é realmente a hora de registrar biografia em livro.
Nunca será. Esta autobiografia faz parte do encerramento de um ciclo. Claro que novas coisas acontecerão e ela terá que ser atualizada, caso tenhamos uma vida longeva como banda. Mas é a minha palavra e o encerramento de um ciclo pessoal.

Vocês estiveram no Brasil há alguns anos e fizeram um dos shows mais intensos que já vi. O que podem esperar para esta nova visita?
Como você falou, estamos levando nosso álbum mais...íntegro. Sei que toda vez que você vai entrevistar um músico ele vai falar: "este é nosso melhor trabalho e blábláblá...", mas diria que estamos 100% satisfeitos com "The Satanist", que representa em todos seus segundos de duração a essência do que queremos fazer em música. Podem esperar isso no palco.
06/11/14 - Behemoth (Novo Hamburgo - RS)
07/11/14 - Behemoth (Curitiba - PR)
08/11/14 - Behemoth (São Paulo - SP)
09/11/14 - Behemoth (Rio de Janeiro - RJ)

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