Optical Faze: ampliando seus horizontes musicais

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Por Junior Frascá, Fonte: Banda
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Realmente o underground nacional vive uma fase iluminada atualmente, pois estamos tendo uma quantidade absurda de bons discos sendo lançados por bandas Brasileiras. E um grande exemplo dessa qualidade é "The Pendulum Burns", do OPTICAL FAZE, um dos melhores discos nacionais de 2013 até o momento. Contudo, a banda não é assim tão nova, pois já está na estrada há mais de 11 anos, e seu útlimo trabalho de estúdio tinha sido lançado no longínquo ano de 2006. Conversamos com o guitarrista Jorge Rebelo, que nos conta um pouco sobre o novo álbum, sobre a história da banda e as dificuldades encontradas em todos esses anos de carreira. Confiram:

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(Entrevista realizada por Junior Frascá, por e-mail, em 26 de abril de 2013)

Whiplash - "The Pendulum Burns" mostra uma grande evolução em relação ao primeiro disco da banda, autointitulado, podendo ser considerado como um dos grandes lançamentos nacionais do ano. Conte-nos um pouco sobre como ocorreram as coisas para a banda após o lançamento do debut, e como se deu o processo de composição do novo álbum.

Jorg Rabelo: Muito obrigado pelo elogio! Bem, um ou dois dias depois do show de lançamento oficial do nosso debut, o então vocalista decidiu sair da banda. Isso prejudicou muito a divulgação do disco. É um disco com várias qualidades e foi muito bem recebido por quem ouviu, mas pouca gente ouviu. Perdemos algum tempo procurando um vocalista substituto, até descobrir que o próprio Mateus, que já era guitarrista da banda, era um ótimo vocalista e se encaixava muito bem na banda. Aí foi aquela montanha russa, muitos altos e baixos, que detalho na pergunta seguinte.

O processo de composição, de certa forma, começou desde 2008. Algumas músicas, como "Trail of Blood" e "Mindcage", são mais antigas e apenas sofreram algumas modificações e mudanças de arranjos antes de entrarmos em estúdio. Mas a maioria das músicas foram compostas especialmente pro disco, em 2011, já depois de termos definido os planos de gravação. Normalmente, as músicas surgem de riffs feitos por mim ou pelo Mateus, e aí o Pedro, Renato e o Vicente vão adicionando suas partes, sugerindo modificações e etc.. Pela primeira vez, antes de entrar em estúdio, nós gravamos demos das músicas. Isso foi bem importante. Das outras vezes, ensaiamos as músicas finalizadas e fomos direto pro estúdio.

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Whiplash – A banda já tem mais de 11 anos de carreira, e esse é apenas o segundo disco lançado por vocês. Quais foram os principais problemas enfrentados pela banda durante todo esse período, e quais são as expectativas em relação a esse novo álbum?

Jorg Rabelo: Honestamente, muitos dos problemas foram originados pela banda, mesmo. Houve uma fase em que a banda, coletivamente, perdeu um pouco da motivação. Ela se tornou um hobby, e um hobby não muito importante. Entre 2007 e 2010, teve ano que nós tocamos uma ou duas vezes apenas. Chegaram a pensar que a banda havia acabado. Foi um relaxamento mesmo, mas a banda sempre teve vontade de existir e ser cada vez melhor. Ninguém pensava em sair da banda ou anunciar o fim dela. Precisávamos mesmo de um tapa na cara, de motivação. Em 2010 a gente começou essa virada, com o single "Black Hole Iris", que mostrou ao menos que nós não estávamos parados no tempo e tínhamos evoluído como músicos e compositores. E isso entusiasmou a banda e fez com que a gente tomasse a decisão de fazer o disco lá fora.

Nossa expectativa com o "The Pendulum Burns" é, basicamente, deixar de ser uma banda local. Queremos atingir muita gente, no Brasil e lá fora. Tornar a banda mais requisitada, tocar mais, trabalhar mais. Teve outra expectativa que já foi atingida com a gravação, em especial trabalhando com o Rhys Fulber, que foi aprender e evoluir individualmente e coletivamente.

Whiplash – O som do OPTICAL FAZE é bem moderno e agressivo, mas também tem grandes melodias, tudo mesclado de forma bem orgânica e intensa. Como você definiria o som da banda? Consegue encaixá-lo em algum dos subgêneros existentes no metal atualmente?

Jorg Rabelo: Acho que uma das razões que o disco está sendo tão bem recebido é o fato de termos feito um álbum que não se encaixa facilmente em nenhum gênero. Claro que algumas influências específicas podem ser identificadas, mas as pessoas que ouvem a banda, em especial o "The Pendulum Burns", têm profunda dificuldade em encaixar a banda em um nicho. E ficamos felizes com isso.

Whiplash – Alias, quais seriam as principais influências de vocês?

Jorg Rabelo: Tem algumas bandas que são unanimidade entre os integrantes, então elas acabam influenciando a gente mesmo que indiretamente. Não costumamos pensar em outras bandas na hora de compor. Mas bandas como Type O Negative, Depeche Mode, Fear Factory, Faith No More são bandas que admiramos muito pelo conjunto da obra. Todas elas foram pioneiras e criaram sonoridades únicas.

Whiplash – Um dos pontos altos do disco são as linhas vocais, que foram muito bem trabalhadas, mesclando momentos mais agressivos e guturais com outros mais limpos e introspectivos, sem cair nos clichês típicos do metal mais moderno, e que é muito criticado pelos fãs mais tradicionalistas do estilo. Vocês realmente se preocuparam com este ponto, ou foi algo que saiu naturalmente?

Jorg Rabelo: A parte dos vocais do disco foi um desafio novo pra gente, e o Rhys Fulber foi mais do que essencial nessa parte. Quando terminamos de compor as músicas, sabíamos que muitas delas pediam por vocais bem melódicos, o que seria território novo pra banda. Chegamos na gravação apenas com esboços das linhas melódicas, e o Rhys trabalhou bastante junto com o Mateus e ajudou a moldar as melodias e a descobrir e desenvolver o potencial vocal dele, que era maior do que qualquer um imaginava. E o resultado também foi ainda melhor do que esperávamos.

Whiplash – Outro grande destaque de "The Pendulum Burns" é a excelente qualidade de gravação, em especial o timbre das guitarras, que ficou matador. Conte-nos um pouco sobre a produção do disco ao lado do produtor Rhys Fulber, em Los Angeles.

Jorg Rabelo: O Rhys foi essencial para o disco. As músicas seriam as mesmas com qualquer outro produtor, elas são 100% Optical Faze, mas a sonoridade seria profundamente diferente sem o Rhys à frente da produção e da mixagem. Ele é um produtor experiente e um músico ainda mais experiente. Como músico, ele vem de um background de música eletrônica. Ele não é daqueles produtores típicos de metal, que querem guitarra no talo, solos alucinantes e outros clichês. Ele tem uma sensibilidade diferente e acaba, naturalmente, tirando a banda da zona de conforto e a guiando pra um caminho inesperado.

Whiplash – Apesar de não ser um álbum conceitual, "The Pendulum Burns" aborda liricamente um conceito específico, certo? Conte-nos um pouco a respeito.

Jorg Rabelo: O Mateus escreveu todas as letras do disco. Ele é uma mente bem criativa, não curte letras muito literais e diretas, gosta de viajar bastante e escrever coisas bem subjetivas e reflexivas. O conceito do disco não é totalmente fechado, mas segue uma linha temática. As letras abordam vários aspectos do que seria um ciclo de mudança do indivíduo e também uma mudança do mundo exterior. O disco começa abordando um lado mais introspectivo e humano, tendo o sujeito como objeto da mudança. Seja lá qual for a natureza da mudança, seja sofrer algo e se vingar ou apenas entender realmente o "eu". As últimas letras vão para o âmbito externo de mudança, com o planeta em estado catastrófico, até que se provoca a própria extinção. Todas as letras acompanham alguma espécie de mudança do sujeito, seja ele o indíviduo ou o planeta.

Whiplash – Quais são os planos da banda para o futuro? Vocês pretendem excursionar pelo exterior?

Jorg Rabelo: Certamente está nos nossos planos fazer uma turnê na Europa e nos EUA, mas ainda não existe nada concreto, só algumas conversas. Nosso objetivo é fazer acontecer uma turnê pelo Brasil, ou pelo menos algo próximo disso. Queremos tocar muito através do Brasil este ano e aumentar nosso público aqui. E isso está mais perto de acontecer. Depois, se tudo der certo, fazer a turnê no exterior, provavelmente no ano que vem. Em resumo, queremos divulgar o disco o máximo possível, queremos ser ouvidos em cada canto do mundo. Não queremos pensar em um próximo álbum até essa missão ser cumprida com o "The Pendulum Burns".

Whiplash – E como tem sido a parceria com a MS Metal Records, tanto no lançamento como na divulgação do material?

Jorg Rabelo: É uma parceria legal, que se encaixa nas nossas necessidades e possibilidades atuais. Ela é a facilitadora, ajuda a abrir alguns caminhos e ajuda nosso trampo a chegar em alguns lugares, mas a banda ainda precisa se mexer muito pra vender discos e divulgar o trabalho. Se a gente não faz nossa parte, a MS não faz a dela.

Whiplash – Obrigado pela entrevista Jorge. Por favor, deixe sua mensagem final para nossos leitores.

Jorg Rabelo: Queria agradecer de coração a você, Júnior, pelo espaço concedido. A banda valoriza muito cada oportunidade desta. Aos leitores, muito obrigado pela atenção. As bandas de metal nacional precisam do apoio e da presença de vocês. Ouçam nossa música e, se curtirem, espalhem por aí e vão pros nossos shows. É isso que vale.




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Sobre Junior Frascá

Junior Frascá, casado, é advogado, e apaixonado por heavy metal em todas as suas vertentes (em especial thrash, stoner, doom e power metal) desde seus 15 anos. Também é fã de filmes de terror e séries americanas, faz parte da equipe da revista digital Hell Divine e do site My Guitar, e é guitarrista da banda de metal tradicional MUD LAKE.

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