Paralamas: Brunocos entrevista o baterista João Barone
Por Bruno Moreira
Fonte: Blog do Brunocos
Postado em 19 de fevereiro de 2013
João Alberto Barone Reis e Silva nasceu no dia 5 de agosto de 1962, no Rio de Janeiro. É baterista dos Paralamas do Sucesso, com Bi Ribeiro e Herbert Vianna. Torcedor fanático do Fluminense. Considerado um dos melhores bateristas do Brasil, senão o melhor. Como diz Herbert Vianna: "As baquetas mais velozes da América Latina". Com vocês: João Barone
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Em que momento da sua vida você pensou em ser músico? E porque escolheu tocar bateria?
Foi um desses relances de criança, meu irmão estava ensaiando com sua banda de escola na garagem lá de casa, em '1970 e poucos'. Eu já gostava de rock, especialmente Beatles, aí na hora do lanche, subi na bateria e toquei a batida de Ticket to Ride, do filme Help… daí pra ser reconhecido como baterista na minha escola, foi um pulo. Levei anos até conseguir uma bateria velha que o diretor da escola local me autorizou usar, reformada com peles de couro natural mesmo, era uma beleza! Ainda não tinha nem tocado junto com outros amigos que tinham guitarra e baixo, mas em pouco tempo conseguimos dar umas canjas no intervalo da banda de baile, nos shows para os universitários no clube local, era na Universidade Rural, zona Oeste do Rio, onde morei até conhecer Bi e Herbert, naquela antológica ocasião do festival de música, que todos conhecem a história…
Você participou de um período riquíssimo pra cultura brasileira, que foi a década de 80. O que essa geração significou pra você e como era estar nesse meio?
Nós estávamos muito dentro e muito calouros para ter essa dimensão. Agora podemos ver com um certo distanciamento histórico. Mas não éramos assim tão focados. Nosso ideal era tocar no Western, uma espelunca que tinha aqui no Rio, mandar a demo pra Rádio Fluminense Maldita, depois tocar no Circo Voador, abrindo para o Lulu Santos, que dava a maior força pra gente. Quando conseguimos isso tudo, nem sabíamos para onde ir, até a hora em que assinamos o contrato com a Odeon, no começo de 83. Fizemos prova para carteira de músico na Ordem dos Músicos junto com o Kid Abelha, que conhecemos ali na ocasião. A turma de Brasília, especialmente o Renato Russo, ainda eram ilustres desconhecidos. Queríamos era questionar o modelo vigente dos medalhões da MPB, com suas coberturas em São Conrado e Mercedes brancas que ganhavam das gravadoras. Foi aí que veio a revolução da Blitz, do Circo, do punk paulísta... pegamos uma marola boa nessa época.
Em algumas entrevistas, o Lobão fala sobre uma certa "perseguição musical" dos Paralamas, que vocês sempre o copiavam... Isso faz sentido ou é paranoia dele?
O que ele não fala é que todas as músicas que ele acusa de plágio já tinham sido gravadas por nós antes dele, no começo da banda. Eu adorava Cena de Cinema, Os Ronaldos, depois ele ficou muito desinteressante. Pra plagiar tem que ter coisas boas (risos). Acho que agora que ele virou escritor de sucesso, vai se acalmar. A minha explicação, de quem estava de fora e viu tudo, é que todos os "amigos" da geração dele - Ritchie, Lulu, Evandro Mesquita, Marina entre outros - faziam sucesso e ele não, por isso o recalque. Então devia pensar: "Epa! Esse guri com cara de nerd (Herbert) não pode fazer mais sucesso que eu, não!". Aí escolheu o Herbert pra judas. Mas ele sempre falou que só fala mal de quem ele gosta, haja visto o Caetano, que até fez música pra ele.
Sei que você é apaixonado por tudo que envolve a Segunda Guerra Mundial. De onde vem esse fascínio pelo tema?
Meu pai foi pra guerra. Eu redescobri essa história que era muito comum dentro da minha casa, ampliei e aprofundei o tema. Estou lançando meu segundo livro (1942 - O Brasil e sua Guerra Quase Desconhecida) e produzindo meu segundo documentário (O Caminho dos Heróis) sobre o Brasil na guerra. Adoro o assunto, tenho um núcleo de projetos com meu irmão. Em breve vamos produzir uma mini série. Vai ser top mesmo, como nunca se viu por aqui.
Atualmente os Paralamas estão com a turnê 'Brasil Afora', certo? Vão continuar com esse show em 2013 ou vem coisa nova por aí? Disco novo?
Estamos preparando a turnê dos 30 anos. Vai começar em maio, junho. São trinta anos sem parar. O Toni Platão, meu chapa, costuma dizer: "Vocês tocaram no primeiro Rock in Rio e, de lá pra cá, nunca mais pararam!". É verdade! Nem sentimos o tempo passar. Vamos tentar aprontar algo inédito para a turnê, quem sabe?
Leia a entrevista na íntegra:
http://blogdobrunocos.blogspot.com.br/2013/02/brunocos-entrevista-joao-barone.html
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