Taranatiriça: um dos gigantes do rock gaúcho está de volta

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Por Paulo Finatto Jr.
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A história do rock gaúcho se confunde um pouco com a trajetória da emblemática banda TARANATIRIÇA. Em atividade desde o final dos anos setenta, o grupo rapidamente se tornou uma das referências para o gênero no estado, a partir do álbum "Totalmente Rock", de 1985. Os nomes de Alemão Ronaldo (vocal), Marcelo Truda (guitarra), Paulo Mello (baixo) e Cau Haufner (bateria) foram ainda mais longe, dois anos depois, com o disco "Taranatiriça II", de enorme sucesso e com o suporte de uma grande gravadora. Entretanto, o sucesso meteórico da banda foi interrompido no dia que o TARANATIRIÇA decidiu por encerrar as atividades, mesmo que de maneira precoce.

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Os anos se passaram e duas décadas depois o TARANATIRIÇA retorna à ativa. O núcleo do line-up original permanece intacto, com apenas uma novidade: a entrada do baterista Fábio Muscklinho. O pontapé da nova fase da banda já foi dado. O show de retorno do grupo, marcado para o dia 16 de novembro, em Porto Alegre, vai virar um DVD ao vivo. E não é só. O grupo já está de volta aos estúdios para gravar um novo álbum de inéditas, que já tem o primeiro single emplacado nas rádios gaúchas: a música "Trem Fantasma". O Whiplash conversou com exclusividade com o guitarrista Marcelo Truda e com o baixista Paulo Mello, que falaram mais sobre o retorno do TARANATIRIÇA e sobre tudo o que envolve o passado, o presente e o futuro da banda.

Whiplash: O último álbum do TARANATIRIÇA, "Taranatiriça II", foi lançado em 1987. O que há de mais semelhante e de mais diferente entre a sonoridade da banda, de 25 anos atrás, e o atual momento de vocês?

Marcelo Truda: A semelhança está no peso e na energia que a banda coloca nas músicas. A diferença está nas letras novas. Antes a gente dizia "eu vou comer a tua bunda" e "abre a perninhas que eu vou entrar". Hoje, com 50 anos não dá pra escrever coisas tão "profundas" assim.

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Paulo Mello: Naquele tempo, chegamos a ter músicas proibidas pela censura para "audio-difusão pública". Hoje, isso nem tem mais graça. Mas a gente também tenta se imaginar voltando no tempo e escreve algumas coisas buscando essa inspiração.

Whiplash: Em pouquíssimo tempo, a música "Trem Fantasma", primeira faixa disponibilizada para download da nova empreitada do TARANATIRIÇA, se tornou uma das mais pedidas e uma das melhores avaliadas pelos ouvintes da conceituada rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. Era a resposta que vocês esperavam por parte do público após o anúncio do retorno da banda?

Marcelo Truda: Olha, a gente sabia que ia agradar quem gosta de rock, mas não que seria a mais votada das novidades. Talvez o público roqueiro de verdade esteja carente desse tipo de som.

Whiplash: O show de retorno da banda, marcado para o dia 16 de novembro, no Opinião, não é a verdadeira volta aos palcos do TARANATIRIÇA, porque vocês se apresentaram recentemente no festival Morrostock, no interior gaúcho. Como foi voltar a tocar juntos depois de tanto tempo?

Marcelo Truda: Nós queríamos ver como a banda se sairia no palco depois de tanto tempo e sentir a reação do público, que apesar de ser na faixa dos 20 anos, cantou todas as músicas junto. Realmente impressionante!

Paulo Mello: E a gente se identifica com a coisa libertária do Morrostock. E também foi legal estar junto com as outras bandas. Mas lá foi só uma amostra, um mini-show, uma avant-premiere, um trailer ou um teaser, sei lá. Com o show do Opinião é que vai da para dizer que o TARANATIRIÇA está de volta mesmo.

Whiplash: Os shows da banda sempre forma marcados pelo uso de efeitos pirotécnicos em cena. A ideia é repetir a dose na nova fase do TARANATIRIÇA?

Marcelo Truda: Cara, a gente usava pólvora nas explosões! Hoje, acho que é até proibido. Vamos ver o dá pra usar, mas vai ter explosão certo!

Paulo Mello: Não eram só as explosões. Tinha a bateria se movimentando, balões que caiam do teto, até mágicas. A ideia é que tenha surpresas.

Whiplash: A volta da banda já era um antigo desejo do ex-baterista Cau Haufner, que faleceu em 1999. Por que vocês demoraram mais de dez anos para realmente retornar com o TARANATIRIÇA?

Marcelo Truda: Quando houve o acidente de paraquedas com Cau, nós tínhamos feito um ensaio para volta da banda. Foi a última vez que tocamos juntos. Isso abalou a todos e acabamos desistindo do projeto. No ano passado, casualmente, nos encontramos em um show coletivo no Bar Ocidente, em Porto Alegre, e acabamos subindo no palco e mandamos ver alguns rocks da banda. A reação do público foi tão positiva que nos levou a retomar aquela antiga ideia de uma reunião.

Paulo Mello: A gente não conseguia imaginar o Tara sem o Cau. Mas o tempo passou, as feridas cicatrizaram.

Whiplash: O show do dia 16 de novembro está envolvido em um ousado projeto de crowdfunding, para a gravação de um DVD. Como surgiu a ideia do projeto? O que os fãs podem esperar desse futuro registro ao vivo?

Marcelo Truda: A ideia foi do nosso produtor Charlles Nogueira e os fãs poderão adquirir um CD com músicas inéditas e um DVD do show no Opinião, já que temos muito pouco material de vídeo com essa formação.

Paulo Mello: Hoje em dia não dá para pensar em fazer este show sem registrar a emoção do momento. Não dá para perder esta oportunidade.

Whiplash: Embora seja um dos mais louváveis representantes do rock gaúcho, o TARANATIRIÇA conquistou fama e prestígio fora do Rio Grande do Sul também. O que vocês se lembram dos shows memoráveis realizados em São Paulo e no Rio de Janeiro no passado? A ideia é retornar para o centro do país em breve?

Marcelo Truda: Lembro de um show do ULTRAJE A RIGOR no Ibirapuera, em que o Roger nos chamou pra tocar umas músicas, foi bem legal. Vamos começar tocando aqui no sul, depois, se a coisa evoluir, podemos subir para o centro, quem sabe?

Paulo Mello: Nunca vou esquecer as gravações com o Chacrinha. A gente fazendo aquele playback descarado e no meio paramos de fazer de conta, nos abraçamos nele e ficamos dançando com ele junto. De repente, ele se escapou e a gente pensou: "foi mal, ele não gostou". Que nada, ele voltou todo feliz com uns abacaxis e umas bananas e deu pra gente jogar pra galera. Tudo a ver com a gente.

Whiplash: O passado do TARANATIRIÇA renderia muito mais do que apenas um extra no futuro DVD ao vivo da banda. Há a possibilidade de que "Totalmente Rock" (1985) e "Taranatiriça II" (1987) sejam relançados em CD?

Marcelo Truda: Ainda não conversamos sobre isso, mas é uma ideia.

Whiplash: O que se já se vê nas redes sociais é uma ansiedade por parte do público, sobretudo o mais antigo, para rever o TARANATIRIÇA ao vivo. Por outro lado, há toda uma nova geração para ser conquistada. O que todos podem esperar do TARANATIRIÇA, seja em cima do palco ou em estúdio, daqui para frente?

Marcelo Truda: A gente ouve as pessoas dizerem que o TARANATIRIÇA foi uma coisa muito boa que aconteceu na vida delas. Então, esse show é uma oportunidade que elas terão para reviver esses bons momentos. Quanto ao público mais novo, é uma oportunidade de conhecer a banda.

Paulo Mello: Agora o foco é neste show, no DVD e em seguida finalizar o CD de inéditas. Acho que o reencontro com o público ainda vai render muita emoção para transformar em música.

Whiplash: Obrigado pela entrevista. O espaço final está aberto para as considerações finais da banda e uma última mensagem aos fãs.

Marcelo Truda: Obrigado pelo espaço e vamos fazer uma grande festa dia 16 de novembro no Opinião, em Porto Alegre!

Paulo Mello: Um forte abraço a todos os roqueiros do Brasil. Valeu!




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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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