Taranatiriça: um dos gigantes do rock gaúcho está de volta
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 21 de outubro de 2012
A história do rock gaúcho se confunde um pouco com a trajetória da emblemática banda TARANATIRIÇA. Em atividade desde o final dos anos setenta, o grupo rapidamente se tornou uma das referências para o gênero no estado, a partir do álbum "Totalmente Rock", de 1985. Os nomes de Alemão Ronaldo (vocal), Marcelo Truda (guitarra), Paulo Mello (baixo) e Cau Haufner (bateria) foram ainda mais longe, dois anos depois, com o disco "Taranatiriça II", de enorme sucesso e com o suporte de uma grande gravadora. Entretanto, o sucesso meteórico da banda foi interrompido no dia que o TARANATIRIÇA decidiu por encerrar as atividades, mesmo que de maneira precoce.
Os anos se passaram e duas décadas depois o TARANATIRIÇA retorna à ativa. O núcleo do line-up original permanece intacto, com apenas uma novidade: a entrada do baterista Fábio Muscklinho. O pontapé da nova fase da banda já foi dado. O show de retorno do grupo, marcado para o dia 16 de novembro, em Porto Alegre, vai virar um DVD ao vivo. E não é só. O grupo já está de volta aos estúdios para gravar um novo álbum de inéditas, que já tem o primeiro single emplacado nas rádios gaúchas: a música "Trem Fantasma". O Whiplash conversou com exclusividade com o guitarrista Marcelo Truda e com o baixista Paulo Mello, que falaram mais sobre o retorno do TARANATIRIÇA e sobre tudo o que envolve o passado, o presente e o futuro da banda.
Whiplash: O último álbum do TARANATIRIÇA, "Taranatiriça II", foi lançado em 1987. O que há de mais semelhante e de mais diferente entre a sonoridade da banda, de 25 anos atrás, e o atual momento de vocês?
Marcelo Truda: A semelhança está no peso e na energia que a banda coloca nas músicas. A diferença está nas letras novas. Antes a gente dizia "eu vou comer a tua bunda" e "abre a perninhas que eu vou entrar". Hoje, com 50 anos não dá pra escrever coisas tão "profundas" assim.
Paulo Mello: Naquele tempo, chegamos a ter músicas proibidas pela censura para "audio-difusão pública". Hoje, isso nem tem mais graça. Mas a gente também tenta se imaginar voltando no tempo e escreve algumas coisas buscando essa inspiração.
Whiplash: Em pouquíssimo tempo, a música "Trem Fantasma", primeira faixa disponibilizada para download da nova empreitada do TARANATIRIÇA, se tornou uma das mais pedidas e uma das melhores avaliadas pelos ouvintes da conceituada rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. Era a resposta que vocês esperavam por parte do público após o anúncio do retorno da banda?
Marcelo Truda: Olha, a gente sabia que ia agradar quem gosta de rock, mas não que seria a mais votada das novidades. Talvez o público roqueiro de verdade esteja carente desse tipo de som.
Whiplash: O show de retorno da banda, marcado para o dia 16 de novembro, no Opinião, não é a verdadeira volta aos palcos do TARANATIRIÇA, porque vocês se apresentaram recentemente no festival Morrostock, no interior gaúcho. Como foi voltar a tocar juntos depois de tanto tempo?
Marcelo Truda: Nós queríamos ver como a banda se sairia no palco depois de tanto tempo e sentir a reação do público, que apesar de ser na faixa dos 20 anos, cantou todas as músicas junto. Realmente impressionante!
Paulo Mello: E a gente se identifica com a coisa libertária do Morrostock. E também foi legal estar junto com as outras bandas. Mas lá foi só uma amostra, um mini-show, uma avant-premiere, um trailer ou um teaser, sei lá. Com o show do Opinião é que vai da para dizer que o TARANATIRIÇA está de volta mesmo.
Whiplash: Os shows da banda sempre forma marcados pelo uso de efeitos pirotécnicos em cena. A ideia é repetir a dose na nova fase do TARANATIRIÇA?
Marcelo Truda: Cara, a gente usava pólvora nas explosões! Hoje, acho que é até proibido. Vamos ver o dá pra usar, mas vai ter explosão certo!
Paulo Mello: Não eram só as explosões. Tinha a bateria se movimentando, balões que caiam do teto, até mágicas. A ideia é que tenha surpresas.
Whiplash: A volta da banda já era um antigo desejo do ex-baterista Cau Haufner, que faleceu em 1999. Por que vocês demoraram mais de dez anos para realmente retornar com o TARANATIRIÇA?
Marcelo Truda: Quando houve o acidente de paraquedas com Cau, nós tínhamos feito um ensaio para volta da banda. Foi a última vez que tocamos juntos. Isso abalou a todos e acabamos desistindo do projeto. No ano passado, casualmente, nos encontramos em um show coletivo no Bar Ocidente, em Porto Alegre, e acabamos subindo no palco e mandamos ver alguns rocks da banda. A reação do público foi tão positiva que nos levou a retomar aquela antiga ideia de uma reunião.
Paulo Mello: A gente não conseguia imaginar o Tara sem o Cau. Mas o tempo passou, as feridas cicatrizaram.
Whiplash: O show do dia 16 de novembro está envolvido em um ousado projeto de crowdfunding, para a gravação de um DVD. Como surgiu a ideia do projeto? O que os fãs podem esperar desse futuro registro ao vivo?
Marcelo Truda: A ideia foi do nosso produtor Charlles Nogueira e os fãs poderão adquirir um CD com músicas inéditas e um DVD do show no Opinião, já que temos muito pouco material de vídeo com essa formação.
Paulo Mello: Hoje em dia não dá para pensar em fazer este show sem registrar a emoção do momento. Não dá para perder esta oportunidade.
Whiplash: Embora seja um dos mais louváveis representantes do rock gaúcho, o TARANATIRIÇA conquistou fama e prestígio fora do Rio Grande do Sul também. O que vocês se lembram dos shows memoráveis realizados em São Paulo e no Rio de Janeiro no passado? A ideia é retornar para o centro do país em breve?
Marcelo Truda: Lembro de um show do ULTRAJE A RIGOR no Ibirapuera, em que o Roger nos chamou pra tocar umas músicas, foi bem legal. Vamos começar tocando aqui no sul, depois, se a coisa evoluir, podemos subir para o centro, quem sabe?
Paulo Mello: Nunca vou esquecer as gravações com o Chacrinha. A gente fazendo aquele playback descarado e no meio paramos de fazer de conta, nos abraçamos nele e ficamos dançando com ele junto. De repente, ele se escapou e a gente pensou: "foi mal, ele não gostou". Que nada, ele voltou todo feliz com uns abacaxis e umas bananas e deu pra gente jogar pra galera. Tudo a ver com a gente.
Whiplash: O passado do TARANATIRIÇA renderia muito mais do que apenas um extra no futuro DVD ao vivo da banda. Há a possibilidade de que "Totalmente Rock" (1985) e "Taranatiriça II" (1987) sejam relançados em CD?
Marcelo Truda: Ainda não conversamos sobre isso, mas é uma ideia.
Whiplash: O que se já se vê nas redes sociais é uma ansiedade por parte do público, sobretudo o mais antigo, para rever o TARANATIRIÇA ao vivo. Por outro lado, há toda uma nova geração para ser conquistada. O que todos podem esperar do TARANATIRIÇA, seja em cima do palco ou em estúdio, daqui para frente?
Marcelo Truda: A gente ouve as pessoas dizerem que o TARANATIRIÇA foi uma coisa muito boa que aconteceu na vida delas. Então, esse show é uma oportunidade que elas terão para reviver esses bons momentos. Quanto ao público mais novo, é uma oportunidade de conhecer a banda.
Paulo Mello: Agora o foco é neste show, no DVD e em seguida finalizar o CD de inéditas. Acho que o reencontro com o público ainda vai render muita emoção para transformar em música.
Whiplash: Obrigado pela entrevista. O espaço final está aberto para as considerações finais da banda e uma última mensagem aos fãs.
Marcelo Truda: Obrigado pelo espaço e vamos fazer uma grande festa dia 16 de novembro no Opinião, em Porto Alegre!
Paulo Mello: Um forte abraço a todos os roqueiros do Brasil. Valeu!
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Rhapsody se despedirá com formação clássica ao lado do Epica na América do Sul
Live anuncia cancelamento de shows no Brasil
20 bandas que nunca lançaram um disco ruim, de acordo com a Metal Hammer
A cantora que conquistou James Hetfield com sua voz "de cheiro de cigarro"
A música em que Dio disse ter cantado "como uma garota"
Iron Maiden se manifesta sobre apagão em show de Paris
Em clima de Copa do Mundo, Angra lança videoclipe da releitura de "Pra Frente Brasil"
Queen + Adam Lambert acabou? O próprio vocalista responde
O clássico que quase foi para o lixo por ser "pop" e parecer música de parque de diversões
Com a cantora Mona Miari, Roger Waters lança nova versão de "Comfortably Numb"
Max Cavalera e Andreas Kisser usaram uma guitarra e uma palheta nas gravações de "Schizophrenia"
A música de Dio que ele achava que Ozzy Osbourne não conseguiria cantar
A canção polêmica dos anos 80 que Roger Waters destacou entre as melhores
Charles Gavin critica Nicolás Otamendi, zagueiro da seleção argentina
Os 20 melhores álbuns lançados em 1999, segundo lista da Metal Hammer


Lemmy: tatuagens, política, strippers e atrizes pornô
Bob Daisley: baixista dá detalhes de sua briga com Osbourne


